Rússia atinge sede do serviço de segurança da Ucrânia em Kiev
Incêndio segue em área da capital ucraniana após o nono dia consecutivo de bombardeios russos

Um drone russo atingiu nesta sexta-feira (4) a sede do SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia), em Kiev. O ataque direto e raro contra um importante prédio do governo evidencia a grave escassez de sistemas de defesa aérea enfrentada pela Ucrânia.
O ataque durante o dia — a primeira vez que o prédio do SBU é atingido nos quatro anos e meio de guerra — ocorreu após dias de ataques aéreos quase contínuos da Rússia contra a capital.
Sete pessoas ficaram feridas no ataque, segundo as autoridades. Equipes de emergência foram enviadas ao local.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o drone foi direcionado diretamente ao escritório do chefe do SBU, Oleksandr Poklad, no prédio.
“Ordenei a Poklad que dê uma resposta adequada e concreta e, quando possível, que seja equivalente a esse ataque contra os russos assim que tudo estiver pronto. Nossas Forças Armadas apoiarão essa resposta”, disse Zelensky.
Kiev enfrenta oito dias de ataques , com bombardeios atingindo vários prédios no centro da cidade, além de armazéns e fábricas nos subúrbios — incluindo uma unidade que produz Coca-Cola.

Pelo menos 53 pessoas morreram e 134 ficaram feridas na cidade de Kiev e na região metropolitana desde o início dos ataques quase ininterruptos no mês passado.
O ataque contra o SBU, porém, representa uma grande escalada e um sinal de que Kiev está cada vez mais incapaz de proteger instalações estratégicas diante dos ataques russos, em meio a uma escassez crítica de mísseis interceptadores.
A maioria dos ataques dos últimos dias foi realizada com drones movidos a jato. Essas aeronaves podem chegar a 500 quilômetros por hora, dificultando sua interceptação pelas defesas aéreas ucranianas. Elas também são rápidas demais para os grupos móveis equipados com armas de fogo, de modo que a única maneira de abatê-las é com mísseis terra-ar ou caças — ambos extremamente limitados na Ucrânia.

A Rússia tem atacado prédios do governo ucraniano desde o início da guerra, realizando regularmente ataques aéreos em massa contra Kiev. Embora já tenha atingido alguns deles, nunca havia conseguido acertar um alvo de tamanha importância durante o dia.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que o ataque “exige uma resposta firme”.
“Moscou lançou esse ataque durante uma nova tentativa de buscar a paz, deixando clara sua verdadeira rejeição à diplomacia”, disse Sybiha, em referência ao fato de que os enviados especiais dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner planejam visitar Moscou e Kiev nos próximos dias.

“Pedimos aos parceiros internacionais que condenem inequivocamente essas ações e aumentem a pressão sobre o regime de Putin”, afirmou.
O SBU é o órgão de segurança interna da Ucrânia, equivalente ao FBI nos Estados Unidos ou ao MI5 no Reino Unido. Entre outras funções, investiga crimes russos cometidos em território ucraniano.
O prédio da agência fica no coração da região histórica de Kiev, em frente à Catedral de Santa Sofia, tombada pela Unesco, e próximo a outros dois pontos turísticos importantes: o Portão Dourado e a Ópera Nacional.

Os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, que lideram os esforços para intermediar um acordo de paz para a Ucrânia, devem visitar a Rússia e a Ucrânia no sábado (5) e no domingo (6), informou a agência de notícias russa TASS, citando uma fonte.
Não houve confirmação imediata da informação. O Kremlin se recusou a comentar.
Os dois estiveram em Moscou pela última vez em janeiro, quando participaram de uma reunião de quatro horas, durante a madrugada, com o presidente Vladimir Putin no Kremlin.

As discussões sobre a ida dos negociadores americanos à Ucrânia ainda estavam em andamento, e o dia 6 de setembro era considerado uma possível data, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.
Se a viagem ocorrer, será a primeira visita dos dois a Kiev.
“Os russos não querem que eles visitem Kiev e estão tentando fazê-los mudar os planos”, acrescentou a fonte.

Ainda existe uma grande distância entre Rússia e Ucrânia sobre como encerrar a guerra, que já dura quatro anos e meio e é o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Putin tem exigido repetidamente que a Ucrânia ceda mais território, enquanto Kiev rejeita termos que considera equivalentes à rendição.
As últimas negociações entre Rússia e Ucrânia mediadas pelos Estados Unidos ocorreram em fevereiro, pouco antes de os Estados Unidos e Israel iniciarem uma guerra contra o Irã.
Na semana passada, o diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou uma viagem a Moscou para alertar o serviço secreto russo sobre as consequências de um eventual ataque a países membros da OTAN.
A missão foi a primeira de um diretor da agência à capital russa desde 2021, quando o diretor da CIA no governo de Joe Biden, William Burns, foi pessoalmente avisar o presidente russo, Vladimir Putin, contra a ideia de invadir a Ucrânia — advertência que não foi acatada, já que a ofensiva ocorreu três meses depois.
Fontes ouvidas pela CNN confirmaram que o objetivo de Ratcliffe foi semelhante ao de seu antecessor: comunicar a Putin as consequências de uma possível ação militar russa contra nações integrantes da aliança. No entanto, Donald Trump negou publicamente essa narrativa e afirmou não estar preocupado com tal possibilidade.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ataque-drone-russo-kiev/.

Drones russos atingem armazém perto de Kiev em meio a ataques quase ininterruptos na capital da Ucrânia • REUTERS · • REUTERS — Foto: CNN Brasil
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