Ruas planeja afrouxar índice de letalidade e facilitar casa própria a policiais
O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ), Douglas Ruas ( PL ), que pode ser eleito governador após decisão desta quinta-feira (8) do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quer retirar das metas da polícia o índice de letalidade, criado para analisar as mortes por intervenção de agentes de segurança. Leia mais (10/08/2026 - 15h20)

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O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ), Douglas Ruas ( PL ), que pode ser eleito governador após decisão desta quinta-feira (8) do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quer retirar das metas da polícia o índice de letalidade, criado para analisar as mortes por intervenção de agentes de segurança.

O plano de governo ainda promete despoluir a baía de Guanabara, criar projetos para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), atrair data centers e isolar lideranças de facções dentro dos presídios.
Na cultura, o aviso de que vai retirar patrocínio estadual de shows internacionais e do carnaval carioca, anunciado em propagandas eleitorais e entrevistas, gerou críticas do setor.
O TSE decidiu, por 5 votos a 2, considerar nulos os votos dados ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). A decisão abre caminho para a proclamação de Ruas como governador eleito no primeiro turno . A efetivação fica a cargo do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio, após a retotalização de votos.

A coligação de Eduardo Paes ( PSD ) afirmou que vai entrar com pedido de medida cautelar no STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir realização de segundo turno.
No domingo (4) , Ruas teve 49,27% dos votos nominais; Paes, 42,76;% e Garotinho, 3,17% (veja aqui mapa da apuração na capital). Sem votos de Garotinho, Ruas passa a ter 51% dos votos válidos e deve ser considerado eleito.
Durante a campanha, Douglas Ruas, 37, concentrou críticas ao atual formato de medição das mortes cometidas por policiais. As mortes entram num índice interno chamado letalidade policial. O modelo vigente prevê que agentes que apresentam altos índices de letalidade não sejam bonificados.

Ruas diz que a letalidade policial iguala a legítima defesa ao homicídio praticado por um suspeito e pretende retirar este indicador das metas.
O plano de segurança pública do candidato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamado "Escudo Fluminense", prevê o uso de leitores de placas, reconhecimento facial, drones e outras ferramentas de tecnologia para coibir roubo de cargas e transporte de armas e drogas.
Ele também promete fazer ocupação permanente de comunidades dominadas por facções.

A tentativa de ocupação foi feita também por gestões anteriores do estado. A mais longeva deste século foi a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Atualmente o Rio aguarda homologação do STF de um plano de ocupação de territórios apresentado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL), em 2025.
O programa de governo de Ruas prevê a criação de novas escolas cívico-militares . Uma leva de instituições com este modelo já havia sido criada durante gestão do ex-governador Wilson Witzel .
O atual deputado estadual afirma no plano de governo que comandantes de batalhão, delegados e diretores de presídio serão escolhidos por critério técnico, o que não ocorreu , segundo observadores da segurança pública no estado, na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), da qual Ruas participou.
Presidente da Alerj, Ruas foi alvo de críticas da oposição pela relação com o ex-deputado da Casa Rodrigo Bacellar (União), preso sob acusação de vazar dados de operação para o Comando Vermelho.
Outro aceno aos agentes de segurança pública é a promessa de financiamento facilitado à casa própria para policiais e outros servidores do estado. Ruas trabalhou como policial civil , mas está há mais tempo na política do que esteve na carreira de agente.
Ruas afirmou em sabatinas que vai retirar o patrocínio estadual aos desfiles das escolas de samba para, segundo ele, investir em saúde e educação, sem detalhar como seria a transferência de recursos. A fala gerou repúdio de figuras do carnaval e de escolas de samba, que fizeram nota conjunta.
"Defendemos o direito à crítica e ao debate", diz a nota assinada por 17 agremiações, "o que não aceitamos são generalizações, desinformação e tentativas de desqualificar o sambódromo, o carnaval e as agremiações para fins eleitorais", diz o texto, que fazia acenos a Eduardo Paes.
O patrocínio às escolas de samba é atribuição da Prefeitura do Rio, assim como a organização, feita por meio da Riotur, empresa pública municipal.
Os repasses estaduais, que aumentaram no governo Castro, chegando a R$ 40 milhões no último Carnaval, são para a infraestrutura e operação da Marquês de Sapucaí.
Durante a fala em que criticou a subvenção, Ruas chamou o patrocínio de "farra", atacou a presença de Lula (PT) e Eduardo Paes (PSD) em camarote e chamou o desfile da Acadêmicos de Niterói , que homenageou o presidente petista, de "maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família" — uma das alas do desfile, chamada de " neoconservadores em conserva ", tinha fotos de uma família heteronormativa em uma embalagem de enlatado, sob a inscrição "família em conserva".
Agremiações tradicionais, como a Mangueira, já declararam oficialmente apoio ao presidente Lula.
O eventual governador eleito também disse que vai retirar a subvenção do estado ao Todo Mundo no Rio , série de shows internacionais anuais na praia de Copacabana, embora os eventos também sejam viabilizados por meio de patrocínio municipal e privado.
Cláudio Castro repassou, em 2024, R$ 10 milhões ao show da Madonna. Ele defendeu à época que o evento favorecia o turismo. Já no show deste ano, da cantora colombiana Shakira, o governador interino Ricardo Couto decidiu não patrocinar , sob argumento de que o Rio vive crise fiscal.
Gastos com shows e Carnaval já haviam sido explorados por outros adversários de Eduardo Paes em eleições anteriores, como o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-candidato à prefeitura Alexandre Ramagem (PL).
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/ruas-planeja-afrouxar-indice-de-letalidade-policial-e-facilitar-casa-propria-a-policiais.shtml.

Douglas Ruas (PL) em ato na sede do partido, em São Gonçalo, após resultado do primeiro turno. Ao lado está a candidata a vice-governadora Fernanda Louback (PL) - Eduardo Anizelli - 04.out.2026/Folhapress · Eduardo Anizelli - 04.out.2026/Fo — Foto: Folha de S.Paulo
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