Brasil

    Rua do Samba é marco da cultura negra em São Paulo. Conheça a história

    Agora chamada de Rua do Samba da Barra Funda, a Rua João de Barros foi essencial na consolidação do bairro como redutos da cultura negra

    Metrópoles
    8 de agosto de 2026 às 05:00
    Rua do Samba é marco da cultura negra em São Paulo. Conheça a história
    Foto: Metrópoles

    A recente nomeação da antiga Rua João de Barros para Rua do Samba da Barra Funda é apenas um dos reflexos do movimento cultural que vêm acontecendo em territórios historicamente negros como o bairro da zona oeste de São Paulo . Apesar do novo nome da rua só ter sido oficializado este ano, a Rua do Samba é conhecida desde a década de 1980.

    Foi nesse período que o sambista Carlos Alberto Tobias teve a ideia de transformar uma rua do bairro em um espaço de lazer voltado ao gênero musical. Com promoção de eventos de samba e cultura negra gratuitos desde os primeiros eventos, agora, o projeto promete maior valorização da cultura de rua e da memória do samba paulista.

    O músico conseguiu, em 1982, articular com a Prefeitura de São Paulo um evento semanal — realizado aos domingos — chamado Rua do Samba, que acontecia na Rua João de Barros. Ao Metrópoles , a filha dele, a cantora e compositora Simone Tobias, relembra o começo de tudo.

    Imagem cedida ao Metrópoles
    Imagem cedida ao Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Foi meio complicado, óbvio, à época, porque nós estávamos ainda saindo de uma ditadura militar, mas ele sempre esteve muito à frente do seu tempo. E ele sempre dizia o seguinte: ‘a gente precisava entreter, a gente precisava dar cultura e oportunidade para as pessoas que não têm como pagar, por exemplo, para assistir um Jorge Ben Jor em um teatro’”, explica Simone. Segundo ela, o projeto começou pequeno, porém, após cerca de um ano, conquistou o público. No começo, não havia divulgação prévia das atrações. A ideia era chegar lá, sem saber o que ia encontrar, e se deparar com artistas como Alcione, Jorge Ben Jor, Fundo de Quintal, Alice Brandão, Dona Ivone Lara e muito mais . Recebendo um cachê simbólico, Simone explica que os músicos, mesmo os grandes nomes, se apresentavam porque acreditavam no objetivo projeto.

    A recente nomeação da antiga Rua João de Barros para Rua do Samba da Barra Funda é apenas uma das reflexões do movimento cultural que vêm acontecendo em territórios historicamente negros como o bairro da zona oeste de São Paulo

    Com promoção de eventos de samba e cultura negra gratuitos, o projeto promete trazer uma maior valorização da cultura de rua, da memória do samba paulista e fortalecimento da cultura negra

    Agora chamada de Rua do Samba da Barra Funda, a Rua João de Barros foi essencial na consolidação do bairro como redutos da cultura negra - Metrópoles
    Agora chamada de Rua do Samba da Barra Funda, a Rua João de Barros foi essencial na consolidação do bairro como redutos da cultura negra - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Apesar do novo nome da rua só ter sido oficializado este ano, a “Rua do Samba” já é conhecida no local desde a década de 1980, quando o sambista Carlos Alberto Tobias teve a ideia de transformar uma rua do bairro em um espaço de lazer voltado ao gênero musical

    Ao Metrópoles, a cantora e compositora Simone Tobias, filha dele, contou como o pai dela se mobilizou para inaugurar o local e como foi, para ela, viver o nascimento de tudo isso de pertinho

    Tobias conseguiu, em 1982, articular com a Prefeitura de São Paulo um evento semanal - realizado aos domingos - chamado Rua do Samba, que acontecia na Rua João de Barros

    Rua do Samba é marco da cultura negra em São Paulo. Conheça a história - destaque galeria
    Rua do Samba é marco da cultura negra em São Paulo. Conheça a história - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundo ela, o projeto começou pequeno, porém, após cerca de um ano, já havia conquistado o público. No começo, não havia divulgação prévia das atrações. A ideia era chegar lá, sem saber o que ia encontrar, e se deparar com artistas como Alcione, Jorge Ben Jor, Fundo de Quintal, Alice Brandão, Dona Ivone Lara e muito mais

    Nos dias de hoje, uma das entidades que mais traz vida ao samba na Barra Funda é a Iniciativa Negra

    A diretora-geral Nathália Oliveira detalhou ao Metrópoles o projeto Cartografias de Bamba, que resgata a memória de territórios negros

    Com promoção de eventos de samba e cultura negra gratuitos, o projeto promete trazer uma maior valorização da cultura de rua, da memória do samba paulista e fortalecimento da cultura negra
    Com promoção de eventos de samba e cultura negra gratuitos, o projeto promete trazer uma maior valorização da cultura de rua, da memória do samba paulista e fortalecimento da cultura negra — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Nos dias de hoje, uma das entidades que mais traz vida ao samba na Barra Funda é a Iniciativa Negra . A diretora-geral Nathália Oliveira detalhou ao Metrópoles o projeto Cartografias de Bamba, que resgata a memória de territórios negros, com levantamento de documentos e catalogação de acervos.

    De acordo com ela, o trabalho, que existe há três anos, começou com o bairro por ele ser o berço do samba na capital paulista. “É uma maneira interessante da gente conhecer mais sobre a nossa história, sobre os nossos antepassados, sobre o que nos identifica como comunidade negra e entender também como viveram os nossos diantes. A gente entende que isso são maneiras, também, de encontrar armas que nos ajudem a avançar no combate ao racismo.”

    Quem se apresenta com frequência na Rua do Samba é o grupo Samburbano . Líder do projeto, Roberta Oliveira conta que o grupo chegou ao local após passar por 12 anos de perseguição no Largo Santa Cecília, na região central da capital paulista. Segundo ela, mesmo levando fomento ao local e não explorando o espaço, todo o recurso que eles conseguiam com as apresentações, era voltado para “levar o samba para o lugar de origem em São Paulo”.

    Apesar do novo nome da rua só ter sido oficializado este ano, a “Rua do Samba” já é conhecida no local desde a década de 1980, quando o sambista Carlos Alberto Tobias teve a ideia de transformar uma rua do bairro em um espaço de lazer volta
    Apesar do novo nome da rua só ter sido oficializado este ano, a “Rua do Samba” já é conhecida no local desde a década de 1980, quando o sambista Carlos Alberto Tobias teve a ideia de transformar uma rua do bairro em um espaço de lazer volta — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Francisco Cosme de Oliveira, mais conhecido como Chagas, é dono de um bar que abre as portas para apresentações na Barra Funda. Ele chegou à Rua João de Barros quando o projeto da Rua do Samba, aos domingos, já havia acabado. “É uma rua histórica. É diferente essa rua. O pessoal fala que é diferente, porque é diferente mesmo. Todo sambista, quando chega aqui, fala que tocar aqui é muito bom”, detalha o proprietário.

    A Rua do Samba da Barra Funda também traz o fortalecimento da cultura negra como um dos focos centrais da iniciativa . Simone afirma que o samba foi o ponto crucial que a aproximou da diversidade.

    “Eu comecei dentro de uma escola de samba. Foi lá que nós começamos a perceber que não tinha diferença, que éramos seres humanos iguais. A escola de samba acolheu o homossexual, acolheu o marginal, acolheu todo mundo na expectativa de que ele se sentisse pertencente”, conta. Ela ressalta também que o sentimento de pertencimento e o movimento de levar alegria são coisas que são dadas de graça.

    Ao Metrópoles, a cantora e compositora Simone Tobias, filha dele, contou como o pai dela se mobilizou para inaugurar o local e como foi, para ela, viver o nascimento de tudo isso de pertinho
    Ao Metrópoles, a cantora e compositora Simone Tobias, filha dele, contou como o pai dela se mobilizou para inaugurar o local e como foi, para ela, viver o nascimento de tudo isso de pertinho — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “O samba é, sobretudo, além de cultura, um movimento que cura e que salva.”

    Nathália, da Iniciativa Negra, destaca a importância dos antepassados na luta para chegarmos onde estamos atualmente. “A gente sabe que já foi pior e que ainda tem muito a avançar, mas a gente não tem dúvida que, se não fosse a luta dessas pessoas que resistiram, que estiveram na rua e tomaram botinada para colocar o samba e o Carnaval na rua e foram criminalizadas, presas por vadiagem, nada disso seria possível.”

    Quem também recorda que “sambista era tido como vadio” é Roberta. Ela lembra que muitos foram perseguidos por não estar com carteiras de trabalho. “Eu falo que o lugar mais seguro do mundo é em uma roda de samba, porque eu nunca vi tanta polícia [reunida como] quando a gente bate um tambor”, alfineta.

    Tobias conseguiu, em 1982, articular com a Prefeitura de São Paulo um evento semanal - realizado aos domingos - chamado Rua do Samba, que acontecia na Rua João de Barros
    Tobias conseguiu, em 1982, articular com a Prefeitura de São Paulo um evento semanal - realizado aos domingos - chamado Rua do Samba, que acontecia na Rua João de Barros — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ela ressalta ainda que é necessário que sejam criadas cada vez mais leis que permitam levar a cultura a quem não pode pagar por isso. “Não dá para pedir para eu dar de graça o que faz a minha vida virar, é o meu ofício, mas eu tenho uma missão pessoal. Então, a gente tenta criar condições com parceiros, com fomentos, com leis, com emendas e com tudo que a gente puder para trazer recursos para poder fazer esse samba acessível para o grande público”, detalha.

    Segundo ela, o projeto começou pequeno, porém, após cerca de um ano, já havia conquistado o público. No começo, não havia divulgação prévia das atrações. A ideia era chegar lá, sem saber o que ia encontrar, e se deparar com artistas como Al
    Segundo ela, o projeto começou pequeno, porém, após cerca de um ano, já havia conquistado o público. No começo, não havia divulgação prévia das atrações. A ideia era chegar lá, sem saber o que ia encontrar, e se deparar com artistas como Al — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Vídeo: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/entretenimento/rua-do-samba-sp-historia.

    Imagem 1
    1 / 9

    Imagem cedida ao Metrópoles — Foto: Metrópoles

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)