Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons vencem Oscar das ondas gigantes e miram recordes
As maiores ondas da temporada foram surfadas por brasileiros. Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons venceram as categorias masculina e feminina da 26ª edição do Big Wave Challenge, conhecido como o "Oscar" da modalidade. A premiação ocorreu no sábado (19), em Newport Beach, na Califórnia. Leia mais (09/23/2026 - 20h16)

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As maiores ondas da temporada foram surfadas por brasileiros. Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons venceram as categorias masculina e feminina da 26ª edição do Big Wave Challenge, conhecido como o "Oscar" da modalidade. A premiação ocorreu no sábado (19), em Newport Beach, na Califórnia.

As duas ondas vencedoras foram surfadas na Praia do Norte , em Nazaré , Portugal , em dezembro de 2025. Agora, os brasileiros buscam o reconhecimento de possíveis recordes mundiais e cobram transparência sobre as medições.
As medidas preliminares divulgadas são de 29,15 metros para Koxa e de 24,99 metros para Michelle. Se confirmadas e homologadas, superariam os recordes reconhecidos pelo Guinness World Records: 26,21 metros do alemão Sebastian Steudtner, em 2020, e 22,4 metros da brasileira Maya Gabeira, no mesmo ano.
Koxa pede que a organização apresente imagens em alta resolução e explique as referências usadas para determinar a dimensão das ondas.

Nascido em Jundiaí e radicado em Guarujá, em São Paulo, o surfista venceu o prêmio em 2018 , quando entrou para o Guinness com uma onda de 24,38 metros, surfada no ano anterior. Na época, uma medição extraoficial apontava mais de 30 metros.
"Acho que o evento é incrível, é demais, mas precisa de mais clareza", diz. "O que precisa para a evolução do esporte é que compartilhem a medição."
Michelle também afirma que está em contato com o Guinness para esclarecer o processo e admite recorrer à via judicial, se considerar necessário. "Estou na busca do recorde. Estou entrando de uma forma mais séria, coloquei meus advogados para trabalhar em cima disso."

A surfista critica a organização pela ausência de informações sobre as alturas durante a premiação. Segundo ela, as medições não foram apresentadas e o assunto não foi discutido com ela. "Achei que houve uma falta de profissionalismo."
Os critérios de medição geram debates no surfe . Uma das técnicas tradicionais utiliza fotografias e vídeos e toma o corpo do próprio atleta como referência de escala, considerando sua postura na imagem para calcular a altura entre a base e a crista da onda.
A discussão envolve ainda o trecho efetivamente surfado e o controle do atleta durante a descida. O regulamento de recordes da WSL (World Surf League) de 2024, por exemplo, exigia que o surfista completasse a parte principal da onda sob controle. Nas entradas com reboque, também considerava sua posição em relação à maior seção da onda.

Em setembro de 2025, a entidade anunciou a transferência da verificação dos recordes para o Guinness, com a colaboração do Big Wave Challenge Group, do norte-americano Bill Sharp, um veterano jornalista reconhecido como uma das figuras mais influentes na promoção do surfe em ondas grandes.
Para Koxa, o segundo troféu confirma uma escolha de vida. Oito anos depois da primeira vitória, o paulista voltou a vencer a categoria, desta vez pela onda surfada em 19 de dezembro de 2025. Os outros finalistas eram o brasileiro Lucas Chumbo e o francês Clément Roseyro.
"Essa conquista foi surreal. Oito anos depois da minha primeira vitória, que era o sonho da minha vida. Eu não imaginava que fosse viver isso mais uma vez, aos 47 anos. É um projeto de vida que deu certo. São poucos esportes que a gente vê hoje em dia em que a experiência consegue incomodar a potência da nova geração", comenta o paulista, que surfa com o time GoBigger.

Koxa chegou a treinar em clubes de futebol na infância e compartilhou com o pai o sonho de jogar no Corinthians. Quando decidiu buscar ondas gigantes, ouviu de patrocinadores que deveria se concentrar nas competições. Preferiu seguir outro caminho: ficou sem patrocínio e foi morar no exterior, como no Havaí, para ganhar experiência na modalidade.
"Hoje eu olho para trás e vejo como foi importante ter tido uma escolha, uma estratégia. Acho que eu quebrei o protocolo. A conquista é muito legal, mas o processo é o mais valioso", diz.
Na avaliação de Koxa, a onda premiada neste ano (veja abaixo) foi mais perigosa do que a que lhe rendeu o recorde reconhecido em 2018. Ele descreve uma descida em uma região mais rasa, com uma onda mais pesada e maior velocidade da prancha.

"Se eu tivesse que escolher, essa foi a onda que mais senti medo de surfar", ressalta.
Koxa retornou ao Guarujá, no litoral paulista, na terça-feira (22), dia em que completou 47 anos. Foi recebido por amigos e autoridades, em uma comemoração que incluiu um desfile em carro aberto do Corpo de Bombeiros pelas principais avenidas do município.
"Isso não tem preço, vou levar para a minha vida."

Michelle, 36, também chegou ao segundo título da categoria. Campeã em 2024 e finalista em 2025, a brasileira venceu nesta edição pela onda surfada em 13 de dezembro de 2025 (veja abaixo). Ela concorreu com a francesa Justine Dupont e a brasileira Michaela Fregonese.
A surfista atribui o resultado a cerca de dez anos de dedicação às ondas gigantes ao lado do marido, Ian Cosenza. Foi ele quem pilotou o jet ski que a rebocou para a onda premiada, na técnica conhecida como tow-in. O reboque permite ao atleta ganhar velocidade para entrar na onda.
"Para pegar uma onda dessa tem que ser trabalho em equipe. É impossível fazer isso sozinho", afirma.

Segundo Michelle, a estrutura de apoio varia conforme o tamanho do mar e inclui pilotos de resgate em jet skis e um observador no alto da falésia, chamado de spotter. Esse profissional acompanha o movimento das ondas e transmite informações à equipe na água.
"A gente precisa de um olhar de fora para nos orientar. Faz parte da nossa segurança", diz.
Embora busque o recorde, ela ressalta que a pendência não reduz o valor do prêmio. "Um feito não diminui o outro. Conseguimos vencer a categoria de maior onda, é um reconhecimento enorme e estou superfeliz com essa conquista."
As ondas que atraem os surfistas à região estão associadas ao chamado "Canhão de Nazaré", uma ravina submarina com cerca de 230 quilômetros de extensão e profundidades que ultrapassam 5.000 metros.
O relevo do fundo do mar altera a propagação das ondulações do Atlântico. Elas avançam mais depressa sobre as águas profundas do canhão do que nas áreas rasas ao redor. Essa diferença modifica sua direção e concentra energia perto da Praia do Norte, ampliando a força e altura das ondas. Correntes costeiras também podem reforçar o fenômeno, que acontece geralmente entre outubro e março de cada ano.
Nazaré ganhou projeção internacional em 2011 , quando o americano Garrett McNamara surfou uma onda posteriormente homologada em 23,77 metros, então um recorde mundial.
Desde então, o surfe de ondas gigantes se tornou um dos principais atrativos turísticos de Nazaré. A experiência também inspira iniciativas no Brasil. Em 2024, o município português estabeleceu uma parceria com Jaguaruna, em Santa Catarina, voltada ao turismo esportivo e às competições de surfe.
A temporada de ondas gigantes em Nazaré geralmente acontece entre outubro e março de cada ano. E os big riders como Michelle e Koxa certamente estarão prontos para tentarem bater os próprios recordes.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/09/rodrigo-koxa-e-michelle-des-bouillons-vencem-oscar-das-ondas-gigantes-e-miram-recordes.shtml.

Michelle des Bouillons na premiação do Big Wave Challenge - Richard Hallman/Richard Hallman/Divulgação · Richard Hallman/Richard Hallman/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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