Roblox terá conselho de adolescentes para discutir plataforma no Brasil
A empresa Roblox vai ampliar para o Brasil seu conselho de jovens, grupo formado por adolescentes que participa de discussões sobre produtos, ferramentas de segurança e políticas da plataforma de jogos. A iniciativa chega ao país em um momento de maior pressão para que empresas de tecnologia adaptem seus serviços à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital . Leia mais (08/19/2026 - 08h00)

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A empresa Roblox vai ampliar para o Brasil seu conselho de jovens, grupo formado por adolescentes que participa de discussões sobre produtos, ferramentas de segurança e políticas da plataforma de jogos. A iniciativa chega ao país em um momento de maior pressão para que empresas de tecnologia adaptem seus serviços à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital .

O programa, criado para aproximar usuários do desenvolvimento da plataforma, também será expandido para Argentina, Chile, Colômbia e Peru. Os países se juntam a Estados Unidos, Canadá e México.
As inscrições ficaram abertas a usuários de 13 a 17 anos, com autorização dos responsáveis. O mandato será de outubro de 2026 a junho de 2027.
Segundo Tami Bhaumik, vice-presidente de civilidade e parcerias da Roblox, a empresa pretende usar o conselho para captar percepções locais, desenvolver produtos com participação dos próprios usuários jovens e formar adolescentes para promover segurança e convivência digital.

A executiva afirma que os integrantes não são chamados apenas para avaliar produtos já prontos. Segundo ela, eles participam de discussões com equipes de desenvolvimento, segurança e executivos desde as primeiras etapas de criação .
Entre os assuntos que devem passar pelo conselho estão ferramentas de chat, política de links sociais, comunidades, recursos de supervisão parental e o processo de integração de pais à plataforma.
Os adolescentes também podem ajudar a reformular as normas da comunidade da Roblox, com o objetivo de deixá-las mais simples e acessíveis ao público jovem.

De acordo com a empresa, as sugestões também contribuíram para mudanças no fluxo de denúncias dentro dos jogos e para projetos relacionados à central de segurança e ao Family Zone, área voltada a recursos para famílias.
A Roblox diz que o conselho tem caráter consultivo, mas sustenta que suas contribuições têm impacto direto no desenvolvimento dos produtos. Segundo a empresa, equipes internas deram nota máxima, 5, para o valor das consultas feitas aos adolescentes.
A chegada do conselho ocorre meses depois da entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital . A lei passou a valer em 17 de março e estabeleceu novas obrigações para produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou com acesso provável por esse público.

Entre as exigências estão medidas de prevenção e mitigação de riscos, mecanismos de aferição de idade, supervisão parental e proteção contra conteúdos inadequados.
A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) recebeu a atribuição de regulamentar parte das regras e fiscalizar o cumprimento da legislação.
O órgão já iniciou o monitoramento de lojas de aplicativos e sistemas operacionais para verificar a implementação de mecanismos relacionados à aferição de idade. O cronograma prevê a ampliação do monitoramento para outros setores a partir de agosto deste ano.
O estatuto também determina que os serviços digitais adotem medidas de segurança desde a concepção de produtos que possam ser acessados por menores de 18 anos.
Embora o conselho da Roblox não seja uma exigência do ECA Digital, a iniciativa se insere nesse novo ambiente regulatório. Para a empresa, ouvir diretamente os adolescentes pode ajudar a adaptar políticas de segurança e produtos às diferentes realidades dos países onde a plataforma é utilizada.
Bhaumik diz que a participação brasileira deve trazer discussões específicas, ajudando a incorporar características locais às discussões globais sobre a plataforma.
A Roblox também anunciou uma série de atualizações tecnológicas focadas no reforço da segurança, moderação e proteção de sua comunidade global. Dentre elas, incrementos no sistema de verificação de idade —em janeiro, reportagem da Folha mostrou que o mecanismo tinha brechas que permitiam a adultos se passarem por crianças, por exemplo.
Diferente dos métodos tradicionais que exigem apenas o envio de documento ou selfie no momento do cadastro, o novo equipamento da Roblox adota uma aferição contínua baseada em inteligência artificial comportamental.
O modelo analisa dados de forma anônima para avaliar padrões de comportamento ao longo do tempo (o tipo de experiência jogada, a frequência de navegação, horários de atividade e dinâmicas de consumo de conteúdo).
Se o sistema identificar que o comportamento diverge da idade declarada —por exemplo, uma criança usando a conta de um irmão mais velho—, travas de segurança e restrições de chat e ambientes serão ativadas automaticamente.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/roblox-tera-conselho-de-adolescentes-para-discutir-plataforma-no-brasil.shtml.

Criança acessa jogo por meio da plataforma Roblox - Jean-Christophe Verhaegen/AFP · Jean-Christophe Verhaegen/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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