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    Rio-2016 recebeu R$ 149 mi de doação de parceiros do COI para pagar dívidas

    O comitê organizador Rio-2016 só encerrou suas atividades após ter recebido R$ 149 milhões em doações de parceiros do COI (Comitê Olímpico Internacional) para quitar dívidas pendentes das Olimpíadas . Leia mais (08/10/2026 - 17h58)

    Folha de S.Paulo
    10 de agosto de 2026 às 20:58
    Rio-2016 recebeu R$ 149 mi de doação de parceiros do COI para pagar dívidas
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O comitê organizador Rio-2016 só encerrou suas atividades após ter recebido R$ 149 milhões em doações de parceiros do COI (Comitê Olímpico Internacional) para quitar dívidas pendentes das Olimpíadas .

    Escritorio do Comite Organizador das Olimpiadas Rio 2016 no centro do Rio de Janeiro em 2017, após o encerramento dos Jogos - Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress · Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress
    Escritorio do Comite Organizador das Olimpiadas Rio 2016 no centro do Rio de Janeiro em 2017, após o encerramento dos Jogos - Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress · Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A ajuda financeira foi repassada entre 2019 e 2023, e a fonte dos recursos não foi divulgada. A entidade também precisou que o COB (Comitê Olímpico do Brasil) e o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) renunciassem a verbas de publicidade dos Jogos para encerrar suas atividades, em dezembro de 2023.

    Em nota, o COI afirmou que contribuiu com US$ 1,53 bilhões (R$ 5 bilhões, em valores de 2016) para realização dos Jogos de 2016, como parte do compromisso que estabelece com todos os comitês organizadores.

    "Além do apoio do COI, os Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) e as federações internacionais dos esportes olímpicos de verão deram uma contribuição excepcional para a realização bem-sucedida dos Jogos Olímpicos Rio 2016, apesar de uma crise econômica sem precedentes no Brasil. Os organizadores do Rio 2016 encerraram com sucesso as operações e as contas do comitê organizador", afirmou o COI.

    Encerramento da Rio-2016
    Encerramento da Rio-2016 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As dívidas do comitê organizador foram o principal impasse que se arrastou após os Jogos. A entidade atribuiu à falta de repasse de verbas públicas o buraco que exigiu a mobilização do COI para que o rombo não marcasse a realização da primeira edição olímpica na América do Sul.

    Além do COB e do CPB, faziam parte dos credores da entidade fornecedores dos Jogos e funcionários com ações trabalhistas. A dívida total, em 2017, era estimada em US$ 104 milhões (R$ 341 milhões, em valores da época). A principal credora era a GL Events, responsável por montar estruturas provisórias e de hospitalidade em várias regiões de competições, como Parque Olímpico e Complexo de Deodoro.

    O responsável por negociar o encerramento das contas da Rio-2016 foi Ricardo Trade, escolhido como CEO da entidade em 2017, após os Jogos, para tentar solucionar as dívidas. Ele não havia participado do comitê durante a organização das Olimpíadas, tendo atuado apenas na candidatura, até 2009.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Trade é econômico nas palavras sobre sua atuação. Diz que não assumiu a tarefa para obter visibilidade, mas apenas para impedir que as dívidas prejudicassem a imagem de um evento que, para ele, foi muito bem organizado. "Ter encerrado dessa forma foi importante."

    O executivo disse que não sabe quais parceiros olímpicos contribuíram com o pagamento das dívidas.

    "O COI tinha seus parceiros. Pode ser o COI ou algum patrocinador. Não sou testemunha disso. Mas, com os parceiros olímpicos, ajudou a solucionar", disse ele.

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O valor de R$ 149 milhões de "doações do movimento olímpico" consta nas demonstrações contábeis da Rio-2016 dos anos de 2017 a 2023, disponibilizadas pelo COB à Folha .

    O COI havia se negado a auxiliar a Rio-2016 após a prisão de Carlos Arthur Nuzman, que era presidente do COB e acumulava o comando do comitê organizador.

    O dirigente foi preso em outubro de 2017 sob acusação de ter participado da compra de votos no COI para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos. Ele negou as acusações, e a ação penal contra ele foi encerrada por determinação do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    As negociações com o COI foram retomadas a partir de 2018.

    Os documentos atribuem o rombo principalmente ao não compromisso dos governos federal, estadual e municipal em contribuir com o orçamento da entidade, como previsto no dossiê de candidatura.

    O relatório diz que o município deixou de repassar ou assumir serviços avaliados em cerca de R$ 320 milhões. Patrocínios de empresas estatais para a realização dos Jogos Paralímpicos foram, segundo a Rio-2016, R$ 26 milhões menores do que o prometido.

    O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), que comandou o município durante a preparação dos Jogos, afirmou ver "como um elogio as informações do relatório".

    "Foi um esforço permanente não repassar recursos públicos para o comitê. Nós assumimos muitas responsabilidades. Que bom que o COI colocou a mão no bolso para ajudar a pagar essa conta", disse ele.

    Quando o Rio conquistou o direito de sediar os Jogos, o plano era que 25% do orçamento fosse bancado pelos cofres públicos. Durante a preparação, ficou decidido que, em vez do repasse de recursos, os governos assumiriam serviços da organização —o que, segundo o comitê extinto, não foi cumprido como planejado.

    Um dos motivos para a mudança foi a intenção do TCU (Tribunal de Contas da União) de analisar os gastos do comitê —inclusive salários de executivos. O comitê defendeu a retirada do artigo da lei federal que previa o socorro da União em caso de deficit.

    De acordo com a última versão da matriz de responsabilidade dos Jogos, divulgada em junho de 2017, o comitê gastou R$ 9,2 bilhões.

    O encerramento da Rio-2016 só foi possível após COB e CPB terem renunciado a R$ 23 milhões referentes ao repasse de verba de publicidade dos Jogos. As duas entidades ficaram proibidas pelo COI de obter patrocínios individuais a fim de não concorrer com os apoios ao comitê organizador. Em troca, receberam uma participação dos acordos da entidade. A prática é comum em edições olímpicas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/rio-2016-recebeu-r-149-mi-de-doacao-de-parceiros-do-coi-para-pagar-dividas.shtml.

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    Escritorio do Comite Organizador das Olimpiadas Rio 2016 no centro do Rio de Janeiro em 2017, após o encerramento dos Jogos - Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress · Lalo de Almeida - 3.ago.17/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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