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    Revólver entra em cadeia após PCC pagar R$ 300 por visita íntima

    Presos dizem que revólver calibre 38 foi levado por mulher durante visita irregular; plano previa render carcereiro e policiais do plantão

    Metrópoles
    17 de agosto de 2026 às 21:16
    Revólver entra em cadeia após PCC pagar R$ 300 por visita íntima
    Foto: Metrópoles

    Um revólver calibre 38 que seria usado na fuga de presos da Cadeia Pública de Carapicuíba entrou no cárcere durante uma visita íntima irregular, liberada após o pagamento de R$ 300. A versão é relatada pelos próprios detentos investigados pelo plano, que teria sido articulado por integrantes do Primeiro Comando da Capital ( PCC ).

    A cadeia funciona no mesmo prédio do 1º DP da cidade da Grande São Paulo. Por conta disso, o caso também é apurado pela Corregedoria da Polícia Civil, como afirmou à coluna, em nota, a Secretaria da Segurança Pública ( SSP ).

    No mesmo prédio da delegacia funciona a cadeia pública da cidade

    Revólver entra em cadeia após PCC pagar R$ 300 por visita íntima - destaque galeria
    Revólver entra em cadeia após PCC pagar R$ 300 por visita íntima - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Trio estava entre presos que supostamente tentariam fugir

    Júlio Cesar Moura Batista, o Peste, contou à Polícia Civil que Wagno Barbosa dos Santos, o Grande, pagou pelo encontro. “O Grande pagou R$ 300 para receber uma visita íntima”, afirmou.

    Segundo ele, a visitante levou o revólver escondido e Grande conseguiu colocá-lo dentro da cadeia “sem ninguém perceber”. Júlio disse ainda que a arma havia sido providenciada porque “haviam membros do PCC na cadeia que queriam fugir durante o final de semana”. Lucas Soares de Lima, o Quadrado, corroborou a versão e afirmou, também em depoimento, que Ozimael Fonseca Pontes, o Fera, seria o cabeça da articulação. Segundo ele, Fera chegou à cadeia dizendo que “fechava na disciplina de Barueri”, conseguiu acesso a um celular e fez “umas seis, sete chamadas pedindo um resgate”. Depois, “arrumou com o Grande para ele receber uma visita e trazer a arma para dentro”.

    Júlio César Moura Batista
    Júlio César Moura Batista — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A Polícia Civil já havia recebido uma denúncia anônima de que Quadrado e outros presos planejavam fugir entre 9 e 10 de agosto e poderiam atacar policiais do plantão. Sem saber exatamente como ocorreria a ação, pediu apoio à Guarda Civil Municipal. Duas viaturas foram enviadas para proteger o prédio durante a madrugada.

    Então, a iluminação de seis postes no entorno da delegacia foi desligada. Policiais também ouviram gritos vindos das celas. O carcereiro Ailton Soares de Oliveira afirmou que os presos estavam agitados e tentavam chamar sua atenção. Ele disse acreditar que pretendiam atraí-lo para uma emboscada. Diante da movimentação, o Grupo de Operações Especiais (GOE) foi acionado para entrar na cadeia.

    Na revista, foram apreendidos o revólver Taurus calibre 38, com numeração suprimida e cinco munições intactas, duas serras, dois celulares, quatro furadores artesanais, cinco facas serrilhadas, cinco carregadores, um fone de ouvido e um alicate. A arma estava escondida sob um cobertor na cama de Lucas James Oliveira Moura da Silva, o Capivara.

    Paulo Sérgio Soares de Almeida
    Paulo Sérgio Soares de Almeida — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Os relatos dos próprios presos apontam Fera e Quadrado como duas figuras centrais do plano. Quadrado disse que Fera reuniu Júlio César, Grande, Capivara e Paulo Sérgio Soares Almeida, o Paulinho, para discutir a fuga. Ao explicar por que o grupo pretendia sair, resumiu: “Temos quarenta anos para puxar”.

    Segundo Quadrado, Fera determinou que, “se o salve vim, todos têm que fugir” e afirmou que quem se recusasse poderia ser “decretado” — expressão usada no crime para indicar uma punição. O preso contou ainda que o grupo já providenciava um “cavalo”, como chamavam o veículo que aguardaria do lado de fora para a fuga. “Fera iria descer para a Baixada Santista”, declarou. Grande também atribuiu a Fera a arma e a organização da ação. “Fera mandou ele pegar a arma com uma menina em uma visita”, consta em seu relato. Segundo o preso, o plano era fugir de domingo para segunda-feira. “Renderiam o carcereiro e fugiriam”. Grande afirmou ainda que não recebeu dinheiro para buscar o revólver e que teria aceitado a tarefa apenas por “reputação”.

    Segundo Paulinho, a fuga foi marcada para domingo porque haveria menos policiais e porque o carcereiro escalado era considerado vulnerável pelo grupo. Chamou o funcionário de “tiozinho tranquilo”, que conversava com os presos e “não fica com a mão na arma, preparado”. O plano, afirmou, era “render o carcereiro e depois render os policiais do plantão”.

    Lucas Soares de Lima
    Lucas Soares de Lima — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Quadrado já estava preso por suspeita de envolvimento no assassinato do empresário Marcelo Magalhães de Almeida , de 31 anos. A investigação apontou que os dois mantinham um relacionamento e que Marcelo teria sido atraído para uma emboscada em Carapicuíba antes de ser roubado e morto.

    O plano de fuga terminou com novo flagrante contra Fera, Quadrado, Peste, Paulinho, Grande e Capivara. Três dias depois, a Polícia Civil abriu uma segunda versão do registro para encaminhar o caso ao núcleo corregedor da Delegacia Seccional de Carapicuíba, justamente após os relatos de que R$ 300 teriam sido pagos para permitir a visita íntima usada para levar a arma para dentro da cadeia.

    A Corregedoria Geral da Polícia Civil também acompanha o caso.

    Trio estava entre presos que supostamente tentariam fugir
    Trio estava entre presos que supostamente tentariam fugir — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A defesa dos presos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/revolver-entra-em-cadeia-apos-pcc-pagar-r-300-por-visita-intima.

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