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    Revista despublica estudo sobre Covid citado por grupos antivacina

    Artigo que citava mortes em excesso durante a pandemia foi criticado por interpretação inadequada e uso seletivo de dados, segundo a revista

    Metrópoles
    18 de agosto de 2026 às 17:45
    Revista despublica estudo sobre Covid citado por grupos antivacina
    Foto: Metrópoles

    Um estudo sobre mortalidade durante a pandemia de Covid-19 , que chegou a ser usado por grupos céticos em relação às vacinas, foi retirado pela revista científica BMJ Public Health após questionamentos sobre a qualidade da análise e a presença de informações incorretas.

    Publicado em 2024, o trabalho analisava dados de 47 países e apontava mais de três milhões de mortes em excesso entre 2020 e 2022. Embora não atribuísse diretamente essas mortes às vacinas, o texto sugeria possíveis efeitos adversos ligados à imunização, o que acabou sendo usado fora de contexto em debates públicos.

    Após a publicação, pesquisadores e instituições apontaram problemas na forma como os dados foram interpretados. Um mês depois, a própria revista iniciou uma investigação. O Centro Princesa Máxima, na Holanda, onde parte dos autores atuava, também abriu uma análise independente sobre a integridade do trabalho.

    Magnific
    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “No geral, a revista conclui que a discussão sobre as causas de mortalidade é desequilibrada, carece de rigor e inclui informações incorretas”, afirmou o BMJ na nota de retratação publicada em 11 de agosto. Leia também Saúde Anvisa atualiza vacinas contra Covid para enfrentar novas variantes Minas Gerais Nikolas repercute teorias antivacina após Fauci se calar sobre Covid Brasil Vacina brasileira contra Covid entra na fase final de estudos Saúde Covid: vacinas causam menos risco de miocardite que vírus, diz estudo Embora o estudo não tenha atribuído diretamente as mortes às vacinas ou às medidas de contenção, os autores mencionaram “ eventos adversos suspeitos”, o que acabou sendo usado por críticos como argumento contra a vacinação .

    Segundo o relatório do centro holandês, o artigo deu peso excessivo à hipótese de que vacinas e restrições poderiam explicar o excesso de mortes , sem examinar outras causas de forma adequada.

    A análise também apontou seleção de dados para sustentar essa interpretação e exclusão de informações que iam em sentido contrário. Em outro trecho, o centro destacou que o excesso de mortalidade já era conhecido e que o estudo não trouxe explicações consistentes para o fenômeno.

    A vacinação contra a Covid-19 é a forma mais segura e eficaz de prevenir formas graves da doença
    A vacinação contra a Covid-19 é a forma mais segura e eficaz de prevenir formas graves da doença — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As conclusões foram questionadas logo após a publicação, mas ganharam visibilidade em discursos contrários às políticas adotadas na pandemia.

    A autora principal, Saskia Mostert, chegou a defender o estudo em junho deste ano durante audiência em uma subcomissão do Congresso dos Estados Unidos. Na ocasião, afirmou que ela e os coautores enfrentaram uma reação intensa após a divulgação do artigo e disse que tentou revisar o conteúdo para responder às críticas.

    A revista, no entanto, avaliou que as mudanças propostas não resolveriam os problemas identificados. O BMJ também apontou dificuldades de contato durante a investigação e citou inconsistências sobre a condução do estudo, incluindo dúvidas sobre a participação dos autores na análise dos dados.

    Ilustração do vírus da Covid-19-Metrópoles
    Ilustração do vírus da Covid-19-Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/revista-despublica-estudo-sobre-covid-citado-por-grupos-antivacina.

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