Revelações e rancores tornam mais sombrio o aniversário do 11 de setembro
Quando uma pequena multidão se reunir no memorial do 11 de setembro nesta sexta-feira, no sul de Manhattan, pela primeira vez, um sétimo sino será ouvido. Os seis primeiros marcam a hora exata, há 25 anos, da queda dos 4 aviões e do desabamento das duas torres. Leia mais (09/09/2026 - 23h00)

É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo
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Quando uma pequena multidão se reunir no memorial do 11 de setembro nesta sexta-feira, no sul de Manhattan, pela primeira vez, um sétimo sino será ouvido. Os seis primeiros marcam a hora exata, há 25 anos, da queda dos 4 aviões e do desabamento das duas torres.
Cada toque de sino é sucedido pela leitura solene dos nomes das 2977 vítimas e o sétimo toque vai relembrar milhares de mortos por suicídio, câncer e outras doenças associadas ao ar tóxico na área dos escombros. Estima-se que mais 5.000 pessoas morreram de problemas de saúde decorrentes do trabalho de resgate e por morar na vizinhança dos escombros.
Nesta semana, o prefeito Zohran Mamdani determinou a liberação online de 170 mil documentos oficiais relacionados à qualidade do ar na região mantidos fora do alcance das vítimas e suas famílias que buscavam indenização e socorro médico.

As revelações não são o único episódio de sal na ferida aberta do pior ataque terrorista em solo americano. Pela primeira vez, um presidente em exercício do mandato se recusa a comparecer à cerimônia em Manhattan. O vice-presidente J. D. Vance vai se juntar aos ex-presidentes Clinton, Bush, Obama e Biden na homenagem que é marcada pelo silêncio —é proibido discursar.
Mas nem a dimensão do luto com a tragédia comove certos políticos ou induz à compostura. O ex-prefeito Rudolph Giuliani , que governava a cidade no dia do ataque e foi indultado pelo presidente Donald Trump pelo crime de tentar roubar a eleição de Joe Biden em 2020, lidera uma campanha na mídia para banir a presença do prefeito Mamdani na cerimônia. Acertou quem adivinhou que o argumento de Giuliani se resume ao fato de que Mamdani é muçulmano.
O atual prefeito reagiu dizendo apenas que toda a atenção da data deve se voltar para as vítimas. É óbvio que ele seria nacionalmente estraçalhado por críticos se faltasse ao evento. O cinismo de Giuliani tem espaço na opinião pública.

Uma pesquisa feita seis meses após o ataque, em 2002, revelou que 25% dos americanos acreditavam que a religião islâmica encorajava, mais do que outras, a violência. Uma nova pesquisa, neste ano, mostra que 51% dos adultos consultados expressam essa opinião.
A guerra ao terror, declarada por George W. Bush, em 2001, não tem fim à vista. Na Universidade Brown, o projeto "Custo da Guerra" estima que as incursões militares dos EUA no Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen e Paquistão, entre 2001 e 2023 mataram quase um milhão de pessoas —mais de 400 mil, entre elas, civis. No mesmo período, mais de 28 mil militares americanos na ativa e na reserva cometeram suicídio.
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As 100 mil pessoas que se juntaram ao abaixo-assinado para banir a presença de Zohran Mamdani no memorial não devem compreender que ele deve sua eleição em parte à reação política da comunidade muçulmana à onda de islamofobia que tomou conta da cidade e do país após o ataque. O popular prefeito —61% dos nova-iorquinos responderam em nova pesquisa que ele superou suas expectativas no cargo— tinha 9 anos quando foi retirado às pressas da escola depois do atentado e conta que cresceu convivendo com episódios de discriminação religiosa. Sua tia parou de usar o metrô, temendo ser atacada por cobrir a cabeça com o hijab.
A mesma nova pesquisa , feita pela Universidade de Suffolk, revelou que 74% dos nova-iorquinos querem ver Mamdani no memorial.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2026/09/revelacoes-e-rancores-tornam-mais-sombrio-o-aniversario-do-11-de-setembro.shtml.

Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, no local onde ficavam as torres atingidas no ataque terrorista - Spencer Platt - 3.set.26/Getty Images/via AFP · Spencer Platt - 3.set.26/Getty Images/via AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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