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    Retrospectiva de Juliana Rojas segue evolução de uma obra pautada pelo fantástico

    Juliana Rojas foi uma criança que se interessou pelo fantástico. Talvez fosse o estímulo à imaginação que as narrativas do gênero traziam, ou talvez fosse a abertura ao mistério, que resiste a "um mundo cada vez mais racional", como ela diz, em que "as coisas estão cada vez mais explicadas e mapeadas". Leia mais (09/23/2026 - 16h04)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 19:04
    Retrospectiva de Juliana Rojas segue evolução de uma obra pautada pelo fantástico
    Duas pessoas caminham em área externa de cidade à noite, com prédios iluminados ao fundo e lua cheia no céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Juliana Rojas foi uma criança que se interessou pelo fantástico. Talvez fosse o estímulo à imaginação que as narrativas do gênero traziam, ou talvez fosse a abertura ao mistério, que resiste a "um mundo cada vez mais racional", como ela diz, em que "as coisas estão cada vez mais explicadas e mapeadas".

    Cena do filme 'As Boas Maneiras', de Juliana Rojas - Rui Pocas/Divulgação · Rui Pocas/Divulgação
    Cena do filme 'As Boas Maneiras', de Juliana Rojas - Rui Pocas/Divulgação · Rui Pocas/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Agora, aos 45 anos, Rojas já acumula mais de duas décadas de cinema —tempo que passou honrando essa paixão pela fantasia.

    É nesse intervalo entre retrospectiva e obra em construção que se concentra a mostra dedicada à diretora pelo Festival Cineastas de São Paulo , que começa nesta quinta (24) e segue até 30 de setembro no Espaço Petrobras de Cinema . O evento tem parceria com a Folha e ingressos por R$ 20 a inteira.

    A programação reúne curtas, longas e episódios de séries, permitindo acompanhar desde seus primeiros trabalhos na faculdade de cinema até " Cidade; Campo ", seu longa mais recente, de 2024, premiado pela direção na mostra Encounters do Festival de Berlim .

    Veja cenas de filmes e séries dirigidos pela cineasta Juliana Rojas
    Veja cenas de filmes e séries dirigidos pela cineasta Juliana Rojas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Formada pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Rojas estreou na direção oficialmente em 2003, com "Notívago " , e iniciou uma longa parceria com Marco Dutra , com quem realizou nove filmes —entre eles "Um Lençol Branco " , de 2005, "As Sombras ", de 2009, "Trabalhar Cansa " , de 2011, e " As Boas Maneiras " , de 2017.

    A dupla ainda ganhou o prêmio de melhor curta na Semana da Crítica de Cannes em 2007, por "Um Ramo " . Em paralelo, Rojas construiu uma trajetória solo, que inclui o inusitado musical "Sinfonia da Necrópole " , de 2014, que se passa em um cemitério, e "Cidade; Campo " . Este último terá uma sessão gratuita na segunda (28), às 19h, seguida de debate com a diretora e Henrique Artuni , editor-adjunto da Ilustrada .

    A programação permite observar diferenças e ideias recorrentes na filmografia, cuja continuidade acompanha a transformação da diretora. "Isso que é legal de uma visão panorâmica, poder ver a consistência, mas ao mesmo tempo a progressão de um trabalho", afirma.

    'Cidade; Campo' de Juliana Rojas acompanha histórias femininas de migração
    'Cidade; Campo' de Juliana Rojas acompanha histórias femininas de migração — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O insólito aparece em sua obra não apenas como recurso de gênero, mas como uma maneira de abordar experiências difíceis de traduzir pelo realismo. Segundo a diretora, o interesse vem da infância e transforma medos e desejos em metáforas. "É poder falar de maneira metafórica sobre questões que são profundamente humanas", diz. "Ajuda a gente a elaborar muitas coisas que são complexas da nossa existência."

    É também uma forma de se contrapor a um mundo cada vez mais racionalizado. Para Rojas, histórias fantásticas abrem espaço ao que permanece sem explicação. "É um alívio você poder ter uma história que lide com o desconhecido", diz.

    A fantasia, porém, não afasta seus filmes da realidade. Personagens femininas, relações familiares e afetivas, maternidade e trabalho aparecem repetidamente na filmografia. São Paulo também ocupa um lugar central. Natural de Campinas , no interior paulista, Rojas chegou a São Paulo para estudar cinema e a retrata como lugar de oportunidades, precarização e dificuldade de sobrevivência.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Relações de trabalho e encontros passageiros também são recorrentes. A mistura de horror, musical e comédia explica, segundo ela, as diferentes relações do público com os filmes.

    Além dos longas, a retrospectiva reúne curtas e episódios das séries " Terrores Urbanos " e " Boca a Boca ", esta criada por Esmir Filho .

    O percurso também expõe mudanças e limites do próprio cinema brasileiro. Rojas reconhece avanços na presença feminina nas escolas de cinema e na produção de curtas, mas afirma que o acesso diminui conforme aumentam o orçamento e a escala das produções.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Quanto maior o tamanho da produção, mais difícil é para você, como mulher, acessar", diz. "É uma luta constante para evitar retrocessos, para manter o pouco que a gente conquistou."

    Para Rojas, a mistura de gêneros produz leituras distintas, mais interessantes com o tempo. "Trabalhar Cansa " , por exemplo, pode revelar ao público de hoje tanto questões que permanecem atuais quanto aspectos ligados ao período em que foi realizado.

    É essa possibilidade de uma obra ganhar novos sentidos ao encontrar novas gerações que a diretora considera um dos principais atrativos da retrospectiva. "É bem legal ver como um filme de décadas atrás repercute hoje num público que o assiste pela primeira vez."

    Curtas de 2003 a 2008 - 'Vestida', 'Um Ramo', 'O Lençol Branco', 'Nenhuma Carta para o Senhor Fernando', 'A Criada da Condessa', 'Notívago' Qui. (24), às 19h

    ‘Sinfonia da Necrópole’ Sex. (25), às 19h; ter. (29), às 17h

    Curtas de 2009 a 2017 - 'A Passagem do Cometa', 'Desculpa, Dona Madama', 'Nascemos Hoje, quando o Céu Estava Carregado de Ferro e Veneno', 'O Duplo', 'Pra Eu Dormir Tranquilo', 'As Sombras' Sáb. (26), às 11h

    ‘Trabalhar Cansa’ Sáb. (26), às 19h; qua. (30), às 17h

    ‘Cidade; Campo’ Seg. (28), às 19h; sessão gratuita seguida de debate com a diretora

    Série ‘Terrores Urbanos', episódios 3 e 4 Ter. (29), às 19h

    Série ‘Boca a Boca’, episódios 5 e 6 Qua. (30), às 19h, sessão gratuita

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/retrospectiva-de-juliana-rojas-segue-evolucao-de-uma-obra-pautada-pelo-fantastico.shtml.

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    Cena do filme 'As Boas Maneiras', de Juliana Rojas - Rui Pocas/Divulgação · Rui Pocas/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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