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    Retirada preventiva das tubas reduz a incidência de câncer de ovário

    Caríssima leitora, a coluna de hoje é dedicada a você que está na menopausa ou que já deu à luz os filhos que desejava. No dia em que precisar de uma cirurgia abdominal ou ginecológica, converse com o cirurgião sobre a possibilidade de retirar as tubas de Falópio . Leia mais (08/12/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 19:00
    Retirada preventiva das tubas reduz a incidência de câncer de ovário
    Vemos em perspectiva as trompas de falopio estilizadas. Nela uma ambulância corre para socorrer uma das trompas contaminada. — Foto: Folha de S.Paulo

    Médico cancerologista, autor de “Estação Carandiru”

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    Ilustração de Líbero para coluna de Drauzio Varella de 13 de agosto de 2026 - Líbero · Líbero
    Ilustração de Líbero para coluna de Drauzio Varella de 13 de agosto de 2026 - Líbero · Líbero — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caríssima leitora, a coluna de hoje é dedicada a você que está na menopausa ou que já deu à luz os filhos que desejava. No dia em que precisar de uma cirurgia abdominal ou ginecológica, converse com o cirurgião sobre a possibilidade de retirar as tubas de Falópio .

    É tecnicamente simples, dura de cinco a dez minutos e não antecipa a menopausa, porque não interfere com a função ovariana. Qual a vantagem? Reduz o risco de câncer de ovário em cerca de 80%.

    Câncer de ovário é doença relativamente rara, mas é um dos mais graves, porque costuma ser diagnosticado quando já está espalhado pelas cavidades pélvica e abdominal. Assisti a cirurgias com disseminação tão extensa que dava a impressão de que tinham jogado talco sobre as alças intestinais. Às vezes, os pequenos nódulos esbranquiçados estavam implantados até na superfície abdominal do diafragma.

    Informações sobre menopausa
    Informações sobre menopausa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar dos avanços da cirurgia e da quimioterapia, cerca de metade das pacientes vão a óbito nos cinco primeiros anos.

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    O diagnóstico quase sempre é tardio, porque os sintomas iniciais são vagos. Cólicas, flatulência, alterações do hábito intestinal e aumento do volume do baixo ventre, que são queixas comuns na vida feminina.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os exames preventivos periódicos —como ultrassom, toque, exames de sangue—, tão importantes na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de útero, não demonstraram a mesma eficácia no câncer de ovário.

    No ano 2000, Jurgen Pick, um estudante holandês fazendo PhD nos Estados Unidos, examinou as peças operatórias de mulheres submetidas à retirada dos ovários, por terem herdado os genes BRCA1 ou BRCA2 que aumentam de tal forma o risco de câncer, que muitas vezes há indicação de retirada preventiva das mamas e dos ovários.

    Nesses casos, as tubas de Falópio saem junto com os ovários, porque dependem deles para receber irrigação sanguínea. Mas a recíproca não é verdadeira. Sem as tubas, os ovários funcionam normalmente.

    Pick verificou que muitas daquelas mulheres não tinham câncer nos ovários, mas já apresentavam lesões pré-malignas nas tubas, semelhantes às encontradas em tumores ovarianos iniciais. Ele concluiu que o câncer de ovário quase sempre tem seu início nas tubas.

    Em fevereiro deste ano, foi publicado no JAMA Network Online um estudo populacional retrospectivo realizado no Canadá, que comparou mais de 40 mil mulheres submetidas à salpingectomia com mais de 45 mil operadas com preservação das tubas. Naquelas em que as tubas tinham sido retiradas, o número de casos de câncer de ovário caiu 78%.

    Duas semanas atrás, Gina Kolata, jornalista especializada em medicina , publicou uma reportagem no The New York Times com o título " Most Ovarian Cancer Isn’t. And That Fact Can Save Lives " —ou a maioria dos cânceres de ovário não é, e este fato pode salvar vidas.

    Os especialistas ouvidos por ela foram unânimes em recomendar a retirada rotineira das tubas no decorrer de outras cirurgias, em mulheres que já encerraram a vida reprodutiva.

    Ela cita a doutora Rebecca Stone, oncoginecologista da Johns Hopkins: "Câncer de ovário é um nome equivocado. Quase todos os cânceres de ovário —e praticamente todos os casos fatais— são cânceres das tubas". Segundo a cirurgiã, o problema é que a maioria dos médicos e das mulheres desconhece o papel da salpingectomia.

    A American Cancer Society, o American College of Surgeons, a European Society of Gynaecological Oncology e, no Brasil, a Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Febrasgo, publicaram recomendações explícitas para que os médicos ofereçam a salpingectomia na fase pré-operatória das cirurgias abdominais, para as mulheres que já finalizaram a vida reprodutiva. A American Cancer Society pretende lançar uma campanha pública de divulgação no próximo ano.

    Então, você —leitora que não quer mais filhos— precisa correr à ginecologista para propor a salpingectomia? A menos que haja casos em familiares próximas ou uma condição genética desfavorável, não tem necessidade: câncer de ovário é doença rara, acomete pouco mais de 1% das mulheres.

    Mas, se for fazer uma operação com acesso à cavidade abdominal, não deixe de conversar com o cirurgião. Agora, se você for submetida à laqueadura com finalidade contraceptiva, a salpingectomia é o procedimento de escolha —não faz sentido deixar fragmentos das tubas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2026/08/retirada-preventiva-das-tubas-reduz-a-incidencia-de-cancer-de-ovario.shtml.

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    Ilustração de Líbero para coluna de Drauzio Varella de 13 de agosto de 2026 - Líbero · Líbero — Foto: Folha de S.Paulo

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