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    Resultados ruins no Pisa deveriam mobilizar mais que polêmicas na educação

    Os meus amigos e eu compartilhamos no WhatsApp uma figurinha com a palavra "Pisa", em referência à avaliação internacional que mede como estudantes de 15 anos usam conhecimentos de leitura, matemática e ciências . Ela é enviada quando se encontra um erro de interpretação numa discussão sobre política ou economia: uma correlação usada para explicar causalidade, uma conclusão que contradiz os dados ou ainda um erro grosseiro na interpretação de um texto. Leia mais (09/15/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 11:00
    Resultados ruins no Pisa deveriam mobilizar mais que polêmicas na educação
    Grupo grande de estudantes com uniformes brancos sobe escada verde em corredor escolar. Ambiente interno com iluminação natural e paredes verdes. — Foto: Folha de S.Paulo

    Economista pela UFPE e especialista em gestão pública no Insper. Estudou economia comportamental na Warwick University (Reino Unido) e é associada do Livres

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Estudantes circulam pelos corredores e escadas da Escola Estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress
    Estudantes circulam pelos corredores e escadas da Escola Estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Os meus amigos e eu compartilhamos no WhatsApp uma figurinha com a palavra "Pisa", em referência à avaliação internacional que mede como estudantes de 15 anos usam conhecimentos de leitura, matemática e ciências . Ela é enviada quando se encontra um erro de interpretação numa discussão sobre política ou economia: uma correlação usada para explicar causalidade, uma conclusão que contradiz os dados ou ainda um erro grosseiro na interpretação de um texto.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora usada em tom de brincadeira, a figurinha serve para lembrar que compreender textos e interpretar dados são habilidades que nem todos tiveram a oportunidade de desenvolver na escola. Afinal, no Brasil, 51% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico em leitura, que inclui identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada. Em matemática, foram 72%, aquém do patamar necessário para comparar a distância entre dois trajetos ou converter preços para outra moeda, segundo o Pisa 2025, divulgado neste mês.

    Diante desses resultados, chama a minha atenção a diferença entre a mobilização provocada por algumas polêmicas e a cobrança sobre o que os estudantes aprendem. Um livro didático, uma apresentação ou uma disputa sobre o uso do banheiro mobiliza o debate nacional. Esses assuntos podem merecer discussão, mas parece que nos acostumamos a debater o que uma criança deveria ler sem exigir, com a mesma disposição, que ela consiga compreender o que lê.

    Há organizações dedicadas a mudar esse quadro , produzindo diagnósticos, propondo políticas e cobrando providências das autoridades. Contudo, esse esforço ainda convive com uma aprendizagem que avança lentamente. Em leitura, passamos de 407 pontos em 2015 para 408 em 2025 , praticamente uma década no mesmo lugar.

    A participação de famílias de classe média e média alta, que têm mais recursos e acesso a quem decide, poderia intensificar a pressão por mudanças. Como argumenta Zeina Latif, o distanciamento desses grupos em relação ao ensino público, quando seus filhos estudam na rede privada, enfraquece a mobilização em favor da qualidade do ensino público.

    Esse envolvimento também precisa chegar às urnas, impondo um custo eleitoral a quem explora polêmicas escolares, mas pouco faz pelo ensino. Governantes e parlamentares devem responder pelas condições das escolas e pelos resultados de suas políticas, inclusive quando estes exigem trabalho para além do mandato.

    Para avaliá-los, porém, precisamos ter clareza sobre os problemas e os recursos necessários para enfrentá-los. O percentual do PIB destinado à educação, isoladamente, não permite afirmar se o financiamento é suficiente: comparações entre países devem considerar o gasto por estudante, a etapa de ensino e o poder de compra, como argumenta Bráulio Borges no Blog do Ibre . Tanto a defesa de mais recursos quanto a exigência de seu melhor uso devem indicar quais dificuldades se pretende resolver.

    Se uma avaliação indica que os alunos leem, mas não compreendem um parágrafo, por exemplo, o diagnóstico deve orientar a formação docente e as atividades de leitura. Para isso, os professores precisam de materiais e de tempo para planejamento e acompanhamento, para verificar se as crianças aprenderam. Cabe aos gestores garantir essas condições e corrigir as medidas que não produzam os avanços esperados.

    Portanto, nesta eleição, vale dedicar mais atenção ao que os candidatos fizeram pela educação e às propostas para os alunos que chegam à adolescência sem compreender um texto. Inclusive questionar como seriam financiadas e acompanhar seus resultados, para que essas respostas pesem na escolha do voto tanto quanto suas posições sobre as polêmicas escolares.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deborah-bizarria/2026/09/resultados-ruins-no-pisa-deveriam-mobilizar-mais-que-polemicas-na-educacao.shtml.

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    Estudantes circulam pelos corredores e escadas da Escola Estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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