Resultado da eleição redefine fila de cotados ao STF com Flávio Bolsonaro ou Lula
O próximo presidente terá o poder de remodelar a composição do STF (Supremo Tribunal Federal), com ao menos quatro nomeações para a corte. A fila para as cadeiras ganhou novos contornos com o resultado do primeiro turno, a guinada do Senado à direita e a pressão por impeachment de ministros. Leia mais (10/09/2026 - 23h00)

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O próximo presidente terá o poder de remodelar a composição do STF (Supremo Tribunal Federal), com ao menos quatro nomeações para a corte. A fila para as cadeiras ganhou novos contornos com o resultado do primeiro turno, a guinada do Senado à direita e a pressão por impeachment de ministros.

A configuração política pode abrir uma margem para Flávio Bolsonaro ( PL ) indicar quadros da própria confiança, alinhados ao bolsonarismo e cotados que ficaram para trás durante o governo do pai, Jair Bolsonaro (PL), na avaliação de aliados. No caso de Lula ( PT ), um Senado à direita poderia limitar a margem de escolha e dificultar a aprovação de nomes com quem ele tenha relação direta.
No entorno do senador, circulam perfis como o do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Jorge Oliveira, de advogados próximos e de pessoas ligadas ao governador Tarcísio de Freitas ( Republicanos ). Do lado do presidente, o governador interino do Rio, Ricardo Couto, chegou a ser avaliado, e Lula defende a criação de um conselho para mudar o processo de escolha dos ministros.
O próximo presidente poderá indicar quatro nomes para o STF, nas vagas de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes , além da cadeira de Luís Roberto Barroso, que continua aberta. O número pode aumentar se a agenda bolsonarista de promover impeachment de ministros da corte se concretizar.

Tanto a indicação como a derrubada de integrantes do Supremo passam pelo Senado, onde o PL alcançou a maior bancada . Outros 21 congressistas de diferentes legendas defendem o impeachment.
Caso Flávio seja eleito, ele terá um ambiente mais confortável do que Lula. A indicação de um ministro depende de 41 votos favoráveis, enquanto o impeachment exige maioria de 54 senadores.
Considerando as quatro vagas e as duas já indicadas por Jair Bolsonaro (PL) —André Mendonça e Kassio Nunes Marques—, o clã Bolsonaro pode alcançar maioria na corte até 2030, ainda no cenário de Flávio eleito para o Planalto. O tribunal é formado por 11 ministros.

Aliados de Flávio afirmam que, na condição de advogado e político desde os 21 anos, ele tem uma série de contatos que poderiam ocupar uma vaga no STF.
Integrantes da campanha afirmam que a discussão sobre nomes considerados para o Supremo não está na mesa e é uma preocupação distante.
Ainda assim, alguns nomes são citados na bolsa de apostas. É o caso do ministro Jorge Oliveira, do TCU, aliado fiel da família Bolsonaro que é um dos principais cotados para o STF num eventual governo Flávio.

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Ele chegou ao tribunal de contas em 2020, indicado por Jair Bolsonaro. Ex-auxiliar do presidente no Planalto, Oliveira proferiu decisões a favor de Bolsonaro, como na discussão a respeito dos presentes recebidos por chefes de Estado.
Oliveira também tentou beneficiar militares quando o TCU iniciou a discussão da chamada pensão por "morte ficta" , benefício pago aos familiares mesmo antes da morte do militar. Enquanto a maioria do TCU sugeriu acabar com o benefício, ele votou para que a Casa Civil regulamentasse o dispositivo.

Embora tenha tido um tom crítico em relação à gestão Lula, principalmente em pautas fiscais, Oliveira é avaliado no tribunal como um ministro ponderado.
Lula, por outro lado, pode ser obrigado a recalcular os caminhos que levaram ao STF pessoas de confiança como Flávio Dino e Cristiano Zanin. O advogado-geral da União, Jorge Messias , foi barrado pelo Senado antes mesmo da renovação eleitoral que ampliou a força da direita no Congresso Nacional.
O petista já disse publicamente que insistiria no nome do aliado , mas auxiliares agora consideram esse quadro improvável, mesmo que o chefe do governo consiga a reeleição. Messias dificilmente seria aprovado pelo Senado e ficou desgastado com setores governistas por manter proximidade com André Mendonça, que tomou decisões que contrariaram o grupo lulista.
O presidente da República passou a avaliar indicar para a corte o atual governador do Rio de Janeiro , Ricardo Couto . Ele assumiu o cargo porque ocupava a presidência do Tribunal de Justiça do estado quando o agora ex-governador Claudio Castro (PL) renunciou . As conversas são anteriores ao primeiro turno da eleição.
Operadores jurídicos próximos a Lula avaliam que o petista não terá condições de indicar pessoas próximas a ele para a corte, sob pena de novas derrotas no Senado.
Essa perspectiva explica em parte a ideia de Lula para a criação de uma espécie de conselho para auxiliar na escolha de nomes para o Supremo . Dessa forma, os escolhidos não sairiam carimbados só com a marca do chefe do governo, reduzindo a dificuldade de apresentar os nomes ao Senado.
Um interlocutor de Flávio na área jurídica afirma que um perfil desejável seria o do ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) Douglas Alencar, que é amigo do filho de Bolsonaro e magistrado de carreira. Na corte também são citados Morgana de Almeida Richa, indicada ao cargo por Bolsonaro, e Guilherme Caputo Bastos, vice-presidente do tribunal.
No TST, também há opções como o ministro Ives Gandra Martins Filho, filho do jurista Ives Gandra Martins — uma referência entre bolsonaristas . Ele defende a anistia de condenados pelos atos do 8 de Janeiro , e a interpretação dele do artigo 142 da Constituição embasou a defesa de uma intervenção militar.
Os advogados de Flávio na campanha , Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, são listados como pessoas de confiança.
Bucchianeri atua na frente eleitoral e foi ministra substituta do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições de 2022. A advogada foi nomeada à vaga por Bolsonaro após obter apoio da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos.
Como ministra, ela votou para liberar conteúdos que vinculassem Lula ao PCC, mas acabou vencida no plenário . Antes disso, ela defendeu o petista em ação eleitoral em que o então ex-presidente tentava reverter sua inelegibilidade.
Reinaldet está à frente da área penal. Ele ficou conhecido nacionalmente ao firmar acordos de delação premiada na Lava Jato, como o do doleiro Alberto Youssef e o do ex-ministro Antonio Palocci.
Há também nomes ligados a Tarcísio de Freitas . A secretária estadual de Infraestrutura, Natália Resende , é um exemplo e conta com a simpatia de André Mendonça. Outra pessoa de confiança do governador é a procuradora-geral do Estado, Inês Coimbra, primeira mulher negra a ocupar o posto.
Também é próximo de Mendonça o conselheiro do TCE-SP Maxwell Borges de Moura Vieira, nomeado por Tarcísio.
O juiz federal William Douglas, por sua vez, é próximo de diversos líderes evangélicos —ele é pastor pentecostal, ordenado pela Igreja Batista Getsêmani. Em 2020, Flávio tentou emplacar junto ao seu pai a indicação de Douglas para o STF.
Segundo relatos feitos à Folha na época, o juiz teria auxiliado Flávio a se aproximar de igrejas evangélicas durante a campanha eleitoral de 2018 para o Senado.
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A desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Marianna Fux, filha do ministro Luiz Fux , também é cotada, segundo o portal ICL Notícias.
A juíza federal Maria do Carmo Cardoso, conhecida na família Bolsonaro como Tia Carminha, chegou a fazer publicações, em 2022, a favor dos acampamentos em frente a quartéis militares. Ela é amiga de Flávio e foi a madrinha da escolha de Bolsonaro por Kassio Nunes Marques no STF.
Maria do Carmo é considerada uma espécie de conselheira jurídica do clã. Em seu governo, Jair Bolsonaro nomeou para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a advogada Lenisa Rodrigues Prado, filha da juíza.
Outro nome que circulou durante a campanha foi o do presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP). Essa opção surgiu na época em que Flávio negociava o apoio do partido no primeiro turno, mas o dirigente negou essa negociação, e o partido ficou neutro. Nesta quarta (7), o Republicanos declarou apoio oficialmente ao senador no segundo turno.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/resultado-da-eleicao-redefine-fila-de-cotados-ao-stf-com-flavio-bolsonaro-ou-lula.shtml.

O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) durante evento do partido com eleitos no primeiro turno, em Brasília - Sergio Lima /AFP · Sergio Lima /AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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