Brasil

    Restringir as redes sociais é democrático?

    Dias Toffoli suspende a candidatura de Renan Santos até que sua equipe forneça as devidas informações ao TSE por algumas omissões no registro da candidatura. Supondo que a equipe forneça tudo no prazo exigido de 24 horas e a Justiça as analise rapidamente, é uma decisão que não deve durar mais do que alguns dias. Só que alguns dias -a 35 dias das eleições - podem fazer toda a diferença. Por que não aplicar uma multa salgada? Leia mais (08/31/2026 - 21h21)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 00:21
    Restringir as redes sociais é democrático?
    Homem à direita aponta para cartaz com foto de homem sério e texto 'Eles não querem que você veja isso!' durante coletiva de imprensa. Dois homens estão ao fundo, e vários microfones estão à frente. — Foto: Folha de S.Paulo

    Economista, mestre em filosofia pela USP

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O candidato Renan Santos fala, em entrevista coletiva em São Paulo, sobre medida de Dias Toffoli, nesta segunda-feira (31) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress
    O candidato Renan Santos fala, em entrevista coletiva em São Paulo, sobre medida de Dias Toffoli, nesta segunda-feira (31) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Dias Toffoli suspende a candidatura de Renan Santos até que sua equipe forneça as devidas informações ao TSE por algumas omissões no registro da candidatura. Supondo que a equipe forneça tudo no prazo exigido de 24 horas e a Justiça as analise rapidamente, é uma decisão que não deve durar mais do que alguns dias. Só que alguns dias —a 35 dias das eleições — podem fazer toda a diferença. Por que não aplicar uma multa salgada?

    Renan demorou 12 dias para informar todos os seus perfis de campanha. O registro original da candidatura tinha sido feito no dia 7 de agosto com dois perfis, e uma retificação com 16 perfis adicionais foi feita em 19 de agosto.

    Isso importa porque a lei eleitoral proíbe que plataformas sugiram, para o público em geral, conteúdo postado pelas contas dos candidatos. Contas não registradas não ficariam sujeitas à restrição. Essa restrição se baseia na suspeita de que o algoritmo impõe suas preferências ideológicas aos usuários. As sugestões podem refletir as preferências políticas dos controladores da plataforma, o que não seria democrático.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso nunca foi minimamente comprovado. Mas, como os algoritmos são opacos, pairaria sempre a possibilidade dessa preferência ideológica da plataforma. Para evitar isso, a Justiça determinou que o algoritmo não sugira posts de candidato nenhum. Faz sentido, mas há um efeito colateral: é mais uma medida que tende a beneficiar quem já tem mais recursos.

    Na prática, essa regra favorece candidatos mais conhecidos —que já tinham mais seguidores antes— e com mais recursos para gastar em propaganda paga nas redes, o que continua permitido. O candidato relativamente desconhecido que contava com sua capacidade de fazer posts que engajam e, por isso, são sugeridos pelo algoritmo, sai seriamente prejudicado. É o caso de Renan. A demora em informar todos os seus perfis desde o início pode ter sido um jeito de burlar essa restrição, argumenta Toffoli.

    Também nestes dias que correm, um novo candidato parece ter tomado as redes —e as pesquisas— de assalto. Depois do esvaziado debate na Band, Augusto Cury ganhou 2 milhões de novos seguidores em dois dias. Diversos influenciadores com discursos estranhamente similares —mesmas citações, mesmas palavras-chave— publicaram apoio público a ele. Contas com toda a cara de serem inautênticas também postam comentários de apoio. Ele já pontua dois dígitos nas pesquisas.

    Será crescimento real ou ação de robôs nas redes? Uma coisa não exclui a outra. Cury pode ter, num primeiro momento, pago para influenciadores e robôs difundirem seu nome e sua mensagem. A partir daí, seu nome pode ter ressoado junto aos eleitores e se firmado como alternativa serena ao ódio da polarização. Seja como for, se pagou mesmo, cometeu violação eleitoral. Estará ele também com sua candidatura em risco?

    Nossa lei eleitoral permite que uma candidatura tenha cinco minutos diários em horário nobre em todos os canais da televisão aberta enquanto outras têm zero. Já nas redes, tudo que poderia furar a vantagem do status quo é dificultado. E um ministro decide, monocraticamente, quem pode ou não pode fazer campanha, antes de qualquer decisão final. Curiosa democracia!

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joel-pinheiro-da-fonseca/2026/08/restringir-as-redes-sociais-e-democratico.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    O candidato Renan Santos fala, em entrevista coletiva em São Paulo, sobre medida de Dias Toffoli, nesta segunda-feira (31) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)