Ressurgimento de Bolsonaro expõe a fraqueza de Lula, diz jornal econômico mais importante do mundo
No rastro de uma série de reportagens no exterior repercutindo os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil, o Financial Times -jornal inglês que é considerado o mais importante do mundo na área econômica- publicou um editorial sobre o que vê como iminência de retorno da família Bolsonaro ao poder em Brasília. Leia mais (10/06/2026 - 11h14)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
No rastro de uma série de reportagens no exterior repercutindo os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil, o Financial Times —jornal inglês que é considerado o mais importante do mundo na área econômica— publicou um editorial sobre o que vê como iminência de retorno da família Bolsonaro ao poder em Brasília.

O texto parte de uma comparação entre a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado —com elogios ao Brasil "por sua disposição em defender a democracia e se proteger dos aspectos mais perigosos do populismo de extrema direita"— e a falha, na visão do jornal, que os Estados Unidos cometeram ao não punir Donald Trump por sua tentativa de reverter os resultados da eleição de 2020, da qual saiu derrotado por Joe Biden.
"No entanto, assim como Trump desafiou as probabilidades para conquistar um segundo mandato como presidente dos EUA, a família Bolsonaro tem grandes chances de protagonizar seu próprio retorno notável", diz o texto, acrescentando que, caso o retorno da família Bolsonaro se concretize, "coroaria uma trajetória notável de candidatos alinhados a Trump na América Latina ".
A região deu uma guinada à direita nos últimos anos, com a eleição de líderes como Javier Milei , na Argentina ; Daniel Noboa , no Equador ; Santiago Peña, no Paraguai ; José Antonio Kast , no Chile ; Rodrigo Paz , na Bolívia ; e, mais recentemente, Abelardo de la Espriella , na Colômbia .

Nayib Bukele , em El Salvador , também se tornou um dos principais expoentes da direita latino-americana e um aliado de Trump, com uma estratégia de segurança para derrubar os índices de violência que chamou atenção no mundo todo, entre críticas e elogios.
O senador Flávio Bolsonaro ( PL ), vale lembrar, superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) com 47,03% dos votos válidos (excluíndo nulos, brancos e abstenções), ante os 45,16% registrados pelo petista, no primeiro turno.
"Se eleito, Flávio Bolsonaro corre o risco de desencadear uma nova crise institucional caso leve adiante sua promessa de libertar o pai da prisão sem o apoio decisivo do Congresso", avalia o Financial Times.

Para o jornal, porém, o fôlego que os Bolsonaro conseguiram recuperar após a derrota para Lula nas eleições de 2022 não está nas realizações de Flávio, mas nas falhas de Lula , que teriam se tornado mais evidentes nesta campanha.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
A primeira delas, segundo o periódico britânico, é a segurança pública: "Lula tem enfrentado dificuldades para convencer os eleitores de que possui uma resposta eficaz para a ascensão das facções do narcotráfico; muitos setores da esquerda passam a impressão de não considerar essa questão uma prioridade".

A segunda é o campo econômico, que, apesar de "indicadores de destaque apresentarem bom desempenho, incluindo taxas de desemprego em níveis historicamente baixos", é um percalço enfrentado pela campanha do petista ao Palácio do Planalto.
"Uma política fiscal frouxa contribuiu para taxas de juros elevadíssimas, que penalizam os 82% das famílias brasileiras que possuem dívidas pessoais", diz o texto.
O editorial afirma ainda que Lula " acaba sendo responsabilizado pelas falhas de terceiros ", citando o escândalo recente que envolveu ministros do STF (Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes , que capitaneou a condenação de Jair Bolsonaro, e o banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master , que está preso por suspeita de fraudar mais de R$ 12 bilhões do sistema financeiro nacional.

"Lula não teve ligação direta com o escândalo —ao contrário de Flávio, que solicitou financiamento ao banqueiro para um filme sobre seu pai—, mas a forte rejeição pública diante da percepção de corrupção nas elites o prejudicou consideravelmente", finaliza o editorial.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante


Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/ressurgimento-de-bolsonaro-expoe-a-fraqueza-de-lula-diz-jornal-economico-mais-importante-do-mundo.shtml.

Flávio Bolsonaro comemora vitória sobre Lula no primeiro turno das eleições de 2026 em evento em Brasília - Ton Molina - 4.out.26/Getty Images via BBC · Ton Molina - 4.out.26/Getty Images via BBC — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

