Brasil

    Ressentimentos individuais alimentam o autoritarismo

    Fiquei aterrorizada com essa conversa sobre "mudar a Constituição" com vistas a "redemocratizar o Brasil". O assombro se fundamenta na certeza de que nossa estrutura institucional estabelecida atualmente garante, em regra, o respeito à Lei Maior do país. Salvo melhor juízo, há 41 anos este país é uma democracia. Leia mais (10/11/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de outubro de 2026 às 15:00
    Ressentimentos individuais alimentam o autoritarismo
    Homem de meia-idade veste terno escuro e camisa branca, com metade do rosto iluminada e a outra metade em sombra, em ambiente escuro com outras pessoas desfocadas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista especializada em comunicação pública e vice-presidente de gestão e parcerias da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante evento com governadores e senadores - Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress · Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress
    O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante evento com governadores e senadores - Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress · Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fiquei aterrorizada com essa conversa sobre "mudar a Constituição" com vistas a "redemocratizar o Brasil". O assombro se fundamenta na certeza de que nossa estrutura institucional estabelecida atualmente garante, em regra, o respeito à Lei Maior do país. Salvo melhor juízo, há 41 anos este país é uma democracia.

    As instituições de controle, apesar das imperfeições próprias da ação humana, estão em pleno funcionamento. A ponto de conseguirem conter uma tentativa de golpe de Estado e punir os envolvidos na maior investida antidemocrática que o país enfrentou desde a década de 1980.

    A Constituição é um conjunto de normas que organizam o Estado e a divisão de poder, determinando limites de ação e direitos e deveres da população. A Carta de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, representa um marco nacional na consolidação do Estado Democrático de Direito após 21 anos de ditadura militar.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ela introduziu inovações e avanços inéditos em termos de direitos civis, direitos sociais e direitos das minorias. E essas garantias fazem da nossa Carta Magna um diploma legal importantíssimo para a proteção dos direitos humanos.

    Num cenário de ascensão política de segmentos da direita e da extrema direita, falar em mudança da Constituição é coisa que apavora quem preza pela manutenção de conquistas civilizatórias num país tão desigual em múltiplos aspectos, como é o nosso.

    Lembrei do filme "Anniversary", dirigido pelo cineasta polonês Jan Komasa, que explora a maneira como ressentimentos individuais alimentam o autoritarismo, contaminando a sociedade e corroendo laços afetivos e de solidariedade.

    Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados

    Tudo em decorrência de um governo radical instalado a partir da tese de um livro chamado "A Mudança: o Novo Contrato Social", que prevê a abolição do sistema pluripartidário em favor de um regime autoritário de partido único.

    Trata-se, claro, de uma obra de ficção, mas a semelhança com a realidade global é sinistra. E não é uma questão de esquerda ou direita, mas de autoritarismo.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-cristina-rosa/2026/10/ressentimentos-individuais-alimentam-o-autoritarismo.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante evento com governadores e senadores - Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress · Gabriela Biló - 8.out.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)