Brasil

    Resolução genérica sobre guerra marca cúpula dos Brics

    Com rivais Irã e Emirados à mesa, texto pede paz no Oriente Médio e critica tarifas, mas não cita os EUA

    UOL
    12 de setembro de 2026 às 14:00
    Resolução genérica sobre guerra marca cúpula dos Brics
    Vladimir Putin, Narendra Modi e Xi Jinping se cumprimentam de mãos dadas em ambiente interno com decoração de madeira e painel iluminado ao fundo. Dois homens observam a interação sorrindo. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Apesar dos pedidos do líder chinês Xi Jinping para que o Brics assuma um papel de protagonista na paz do Oriente Médio , o grupo integrado por Brasil e outros países adotou neste sábado (12) uma resolução apenas genérica acerca da paz na região conflagrada.

    Putin, Modi e Xi dão as mãos, sob o olhar de um intérprete, na cúpula do Brics em Nova Déli - Governo da Índia/via AFP · Governo da Índia/via AFP
    Putin, Modi e Xi dão as mãos, sob o olhar de um intérprete, na cúpula do Brics em Nova Déli - Governo da Índia/via AFP · Governo da Índia/via AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O texto final da 18ª reunião anual do grupo, realizada em Nova Déli ( Índia ), afirmou que seus membros expressam "profunda preocupação" com o conflito, pediu "máxima contenção" dos envolvidos e "uma abordagem multilateral" pela paz.

    Nenhuma palavra sobre os beligerantes: Estados Unidos , Israel e Irã , nem sobre os outros 13 países da região afetados pela guerra iniciada por Donald Trump em 28 de fevereiro e ainda inconclusa.

    Um dos motivos era a presença de dois deles à mesa: Irã e Emirados Árabes Unidos , principal alvo da retaliação de Teerã contra aliados americanos no golfo Pérsico. Nesse sentido, a existência de uma declaração unânime ainda que sem assinaturas foi uma vitória do anfitrião, o premiê Narendra Modi .

    Rio de Janeiro recebe cúpula de líderes do Brics
    Rio de Janeiro recebe cúpula de líderes do Brics — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian , também se encontrou com o enviado emirati, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, às margens da cúpula.

    O primeiro-ministro indiano também pôde mostrar uma nova fotografia com o russo Vladimir Putin e Xi, todos de mãos dadas, repetindo a dose do encontro entre os três em setembro de 2025 na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, na China.

    Naquele momento, a imagem simbolizava o desafio do trio às políticas dos EUA sob Trump. Agora, cada país tem tido uma abordagem própria em relação ao americano, baseada em seus interesses.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O texto também repetiu críticas já feitas antes pelo Brics a sanções unilaterais, uma mesura à fundadora do grupo Rússia , punida no Ocidente pela Guerra da Ucrânia , e às guerras tarifárias que marcam a segunda gestão Trump. Sem nomes citados.

    O tom pouco específico reflete as discrepâncias internas do Brics, que começou em 2009 com 4 membros e chega a 2026 com 10, 5 deles integrados na grande expansão promovida por Xi em 2023 para tentar elevar o status internacional da organização.

    Na prática, as divergências ficaram mais explícitas. Com efeito, após não ter sido acertada uma nova expansão em 2024 na Rússia, o encontro de 2025 no Brasil foi esvaziado. Nesta edição indiana, foi a vez de Lula (PT) não aparecer, no caso por causa da campanha eleitoral.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mesmo no questionamento da hegemonia ocidental, função primária do Brics, não há concordância. A Índia, por exemplo, não quer ver a rival China tornar-se sozinha o polo oposto aos EUA na Guerra Fria 2.0 em curso, e tem boa relação tanto com Washington como com Moscou.

    Nessa cúpula, o destaque ficou justamente pela presença de Xi pela primeira vez em sete anos na Índia.

    Ele já havia se encontrado antes com Modi, mas o premiê tem trabalhado para montar uma rede de aliados no Indo-Pacífico que possam, na teoria, ameaçar as rotas comerciais chinesas em caso de escalada de tensões.

    Os dois países, detentores de armas nucleares, tiveram escaramuças fronteiriças nos últimos anos, e a visita de Xi serve para reduzir tais tensões. No encontro com Modi, segundo as chancelarias de ambos os países, pediu união de forças para promover estabilidade estratégica global. Disputas territoriais foram abordadas de forma "construtiva", segundo Nova Déli.

    Além da questão indiana, o líder chinês também buscou avançar seu domínio presumido no Brics em discurso neste sábado. Nele, exortou o grupo a tornar-se mediador das guerras no Oriente Médio, um papel que na prática ele quer para a China.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    Na semana passada, Xi esteve no Egito, e declarou apoio ao pacto militar entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. A união é uma resultante inédita da agressividade do Irã, da falta de confiança no apoio dos EUA e do temor pelo crescimento do poderio de Israel.

    Ao fim, o chinês falou por si, a julgar pelo tom do comunicado final. Mas o recado foi dado.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/resolucao-generica-sobre-guerra-marca-cupula-dos-brics.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Putin, Modi e Xi dão as mãos, sob o olhar de um intérprete, na cúpula do Brics em Nova Déli - Governo da Índia/via AFP · Governo da Índia/via AFP — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)