Política

    Repsol Sinopec vê risco a investimentos com imposto sobre dividendos

    Deputy CFO da companhia afirma que carga tributária do Brasil já é alta e que acionistas podem direcionar capital a outros mercados

    Poder360
    24 de setembro de 2026 às 21:14
    Repsol Sinopec vê risco a investimentos com imposto sobre dividendos
    Foto: Poder360

    Deputy CFO da companhia afirma que carga tributária do Brasil já é alta e que acionistas podem direcionar capital a outros mercados

    A tributação de dividendos no Brasil pode comprometer novos investimentos da Repsol Sinopec no país, segundo a deputy CFO (vice-diretora financeira) da companhia, Gilberta Lucchesi. A declaração foi dada nesta 5ª feira (24.set.2026), durante a ROG.e , evento de energia promovido pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), no Rio de Janeiro.

    “ No Brasil, temos uma taxa de imposto interna de 34%. Então, ter essa taxa de imposto interna de 34% mais 10% de imposto sobre dividendos pode comprometer os investimentos futuros ”, afirmou.

    Gilberta Lucchesi falou no ROG.e no Rio de Janeiro
    Gilberta Lucchesi falou no ROG.e no Rio de Janeiro — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A Repsol Sinopec Brasil é uma empresa de exploração e produção de petróleo e gás formada, desde 2010, por uma joint venture entre a espanhola Repsol, que detém 60% da companhia, e a chinesa Sinopec, com os 40% restantes.

    Lucchesi disse não ser contrária à tributação dos dividendos, mas argumentou que a incidência precisa ser considerada em conjunto com a carga já aplicada sobre as empresas. Segundo ela, acionistas de grupos internacionais podem direcionar recursos a outros países caso avaliem que a rentabilidade dos projetos brasileiros foi reduzida. A tributação de 10% sobre dividendos remetidos ao exterior passou a valer em janeiro de 2026.

    A executiva também citou outras mudanças tributárias recentes que, segundo ela, aumentam a incerteza para projetos de longo prazo, entre elas o imposto sobre a exportação de petróleo. A alíquota de 12% sobre as vendas externas de óleo bruto foi prorrogada pelo Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) por mais 60 dias a partir de 8 de setembro.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Apesar das críticas ao ambiente tributário, Lucchesi ressaltou o volume de recursos já comprometidos pela Repsol Sinopec no Brasil. Citou o projeto de gás Raia, na Bacia de Campos, cujo investimento total é de cerca de US$ 9,2 bilhões. Segundo a executiva, a fatia correspondente à companhia representa aproximadamente US$ 3,2 bilhões. A Repsol tem participação de 35% no empreendimento.

    Raia é operado pela norueguesa Equinor , que também detém 35%, enquanto a Petrobras tem os 30% restantes. A produção está marcada para começar em 2028. Lucchesi usou o projeto para exemplificar o horizonte longo dos investimentos no setor: a área foi adquirida em rodada de licitação em 2005, as descobertas foram feitas em 2010 e a decisão final de investimento foi tomada em 2023. Para ela, ciclos dessa duração reforçam a necessidade de estabilidade jurídica e previsibilidade tributária.

    O jornalista viajou ao Rio a convite do IBP.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/repsol-sinopec-ve-risco-a-investimentos-com-imposto-sobre-dividendos/.

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    Gilberta Lucchesi falou no ROG.e no Rio de Janeiro — Foto: Poder360

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