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    Réplica de casa dos anos 1920 reluz no topo de prédio no Bexiga, em SP

    Apaixonado pelo bairro do Bexiga , no centro de São Paulo, onde trabalha desde os 18 anos, primeiro na lanchonete do pai e depois na sua própria vidraçaria, o empresário José Joaquim Miguel teve uma ideia original: construir a reprodução de uma residência de 1920 no topo do prédio de cinco andares onde mantém seu negócio, a Ideia Glass, distribuidora de ferragens para box de banheiro. Chamada de Casa Amarela, ela fica bem em frente à praça Dom Orione e pode ser vista por quem passa pela rua Treze de Maio. Leia mais (08/28/2026 - 13h15)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 16:15
    Réplica de casa dos anos 1920 reluz no topo de prédio no Bexiga, em SP
    A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel — Foto: Folha de S.Paulo

    As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga

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    A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apaixonado pelo bairro do Bexiga , no centro de São Paulo, onde trabalha desde os 18 anos, primeiro na lanchonete do pai e depois na sua própria vidraçaria, o empresário José Joaquim Miguel teve uma ideia original: construir a reprodução de uma residência de 1920 no topo do prédio de cinco andares onde mantém seu negócio, a Ideia Glass, distribuidora de ferragens para box de banheiro. Chamada de Casa Amarela, ela fica bem em frente à praça Dom Orione e pode ser vista por quem passa pela rua Treze de Maio.

    Inaugurada em 2015, a casa é um elemento decorativo da paisagem urbana, sem qualquer uso prático. Possui um único ambiente, que abriga um pequeno museu com peças antigas, como balanças e bilboquês doados por moradores da vizinhança, livros e fotografias. Foi toda construída com material da época: Miguel obteve janelas, porta, telhas, tijolos, madeiramento do telhado e esquadrias no próprio Bexiga e com um amigo que havia feito a demolição de uma vila no bairro do Pari.

    Para realizar seu sonho, Miguel investiu R$ 80 mil na época, o que seria cerca de R$ 140 mil atualmente. Houve um cuidadoso trabalho de pesquisa para reproduzir o estilo arquitetônico das casas centenárias do Bexiga. Ele contou com a ajuda de estudantes do Centro Universitário Belas Artes . Também tirou muitas fotos e consultou documentos para dar verossimilhança ao projeto.

    Casa fica no topo de uma prédio de cinco andares e é cercada de fachadas de vidro espelhado - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    Casa fica no topo de uma prédio de cinco andares e é cercada de fachadas de vidro espelhado - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No alto da fachada da casa há um brasão da família Miguel, de origem portuguesa, e um pequeno oratório com a imagem de Nossa Senhora da Aparecida. Diante da construção, há um gradil com portão de ferro trabalhado conforme o padrão dos anos 1920, além de um canteiro. O conjunto transmite autenticidade e respeito ao patrimônio histórico e à identidade do bairro.

    "Embora esteja em cima de um prédio moderno de vidros espelhados, a casa resgata a memória de um lugar que desempenha um papel fundamental na formação cultural e arquitetônica de São Paulo", diz Miguel. "Amo o Bexiga e sempre gostei muito de coisas antigas. Tenho certeza de que ela traz um benefício para a cidade e atrai a curiosidade de quem anda lá embaixo, como os frequentadores da feira de domingo na praça Dom Orione."

    Depois de construir a casa, o empresário planejou também colocar um carro no terraço. Costumava dizer que, sem esse veículo, o projeto não estaria completo. Inicialmente adquiriu um DKW 1965. Concluiu, porém, que o automóvel era novo demais para ficar estacionado diante do imóvel. Passou a procurar um modelo mais antigo e conseguiu adquirir um Ford A de 1931 com quatro portas de um fazendeiro do Paraguai. Restaurou o carro, que foi pintado de verde, e o ergueu até o topo do prédio em 2021.

    Colocação de um Ford modelo A de 1931 na frente da casa foi a última etapa do projeto de Miguel - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    Colocação de um Ford modelo A de 1931 na frente da casa foi a última etapa do projeto de Miguel - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Hoje o projeto está concluído e Miguel conseguiu o que queria: trazer de volta a atmosfera das residências paulistanas do início do século 20 e ajudar a preservar as lembranças do Bexiga para as futuras gerações. O local não está aberto para visitação do público, mas já foi locação de um filme e inspirou um livro infantil.

    O plano de seu proprietário, assim que arrumar o museu, é fazer visitas guiadas periódicas para estudantes e grupos fechados. Segundo o empresário, mais do que uma construção cenográfica, a Casa Amarela representa um compromisso com a preservação da memória urbana.

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    Vista da Casa Amarela da rua 13 de Maio
    Vista da Casa Amarela da rua 13 de Maio — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Modelo Ford de 1931
    Modelo Ford de 1931 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/08/replica-de-casa-dos-anos-1920-reluz-no-topo-de-predio-no-bexiga-em-sp.shtml.

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    A Casa Amarela do bairro do Bexiga é uma obra idealizada pelo empresário José Joaquim Miguel - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo

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