Brasil

    Rendimentos dos títulos dos EUA atingem maior patamar desde 2007 com conflito no Irã

    Os títulos públicos dos EUA recuaram nesta terça-feira (15), levando os rendimentos dos Treasuries de dez anos, referência do mercado, ao maior nível desde 2007, à medida que a alta dos preços do petróleo inquietava os investidores antes de importantes reuniões de bancos centrais nos EUA e no Japão . Leia mais (09/15/2026 - 07h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 10:00
    Rendimentos dos títulos dos EUA atingem maior patamar desde 2007 com conflito no Irã
    Homem de cabelos grisalhos e óculos usa terno azul escuro, camisa branca e gravata azul, posicionado diante de microfone com fundo desfocado. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Os títulos públicos dos EUA recuaram nesta terça-feira (15), levando os rendimentos dos Treasuries de dez anos, referência do mercado, ao maior nível desde 2007, à medida que a alta dos preços do petróleo inquietava os investidores antes de importantes reuniões de bancos centrais nos EUA e no Japão .

    Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, participa de convenção do Partido Republicano, em Dallas (EUA) - Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP · Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP
    Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, participa de convenção do Partido Republicano, em Dallas (EUA) - Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP · Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os rendimentos dos Treasuries dos EUA de 10 anos ampliaram os ganhos na terça-feira, alcançando 5,0210% após ter batido os 5% durante a madrugada. O rendimento dos títulos públicos japoneses de dez anos, referência do mercado, voltou a superar 3%, alcançando uma nova máxima em 30 anos, de 3,025%.

    O fato de o rendimento dos Treasuries de 10 anos superar 5% chama a atenção porque essa é uma taxa de referência não apenas para os empréstimos nos Estados Unidos , mas para praticamente todos os demais ativos dos mercados financeiros.

    A alta para até 5,0328% abalou os mercados acionários da Ásia, e os operadores aguardavam declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em audiência no Congresso. Ele tentou, mas teve dificuldades para conter as vendas ampliando as recompras de dívida.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os rendimentos sobem quando os preços dos títulos caem, e têm avançado em meio a uma combinação de preocupações com a inflação e o aumento acelerado das dívidas soberanas.

    A onda de vendas é significativa porque eleva os custos de financiamento dos governos, deixando-os com despesas maiores de juros e menos recursos para gastar em programas sociais, de defesa e de outras áreas.

    Os rendimentos dos títulos de dez anos da Austrália saltaram a 5,41%. Na Alemanha, o rendimento dos dos títulos de dez anos permaneceu próximo do maior nível desde 2009, a 3,55%, enquanto os rendimentos dos títulos franceses de dez anos rondavam a máxima em 18 anos.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A alta foi impulsionada por novos ataques dos houthis , grupo do Iêmen aliado do Irã, contra a Arábia Saudita na segunda-feira (14), o que levou o preço do petróleo a atingir mais de US$ 109 durante o dia. Além disso, uma reunião que ocorreria nessa segunda entre o Irã e países do golfo Pérsico foi adiada .

    "Os mercados provavelmente continuarão atentos ao risco de que a alta dos preços do petróleo bruto aumente as pressões inflacionárias e, por sua vez, leve os juros a níveis mais elevados", afirmou Yokoo Akihiko, analista do Mitsubishi UFJ Bank.

    Com o atual quadro, os especialistas estipulam em 90% a chance de o FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) decidir que o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) aumente a taxa de juros pela primeira vez desde meados de 2023. A reunião começa nesta terça-feira e o resultado será anunciado no dia seguinte.

    Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões

    "Embora a inflação continue desacelerando, as recentes surpresas para cima indicam que o ritmo de desinflação tem sido mais lento e menos convincente do que o Fed provavelmente exige", indicaram analistas do Morgan Stanley, que preveem uma alta de 0,25 ponto percentual da taxa, que atualmente está entre 3,5% e 3,75%.

    Já no Japão, a expectativa predominante é de que o Banco do Japão eleve sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual ao fim de sua reunião de dois dias, na sexta-feira (18), e sinalize novos apertos monetários. As autoridades buscam dar sustentação ao iene depois que uma intervenção ajudou a afastar a moeda de uma mínima em 40 anos.

    As ações asiáticas ampliaram as perdas da sessão anterior depois que importantes nomes do setor de inteligência artificial pediram uma desaceleração no desenvolvimento da IA. O índice MSCI, mais amplo de ações da Ásia-Pacífico fora do Japão, recuava 0,8%, puxado pela queda de 1,18% da Bolsa de Seul. Taiwan perdeu 0,43%, enquanto Tóquio recuou 0,32%, após oscilar entre ganhos e perdas.

    Nos mercados de câmbio, o índice do dólar USD, que mede a moeda norte-americana em relação a uma cesta de divisas, subiu 0,11%, para 99,60.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/rendimentos-dos-titulos-dos-eua-atingem-maior-patamar-desde-2007-com-conflito-no-ira.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, participa de convenção do Partido Republicano, em Dallas (EUA) - Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP · Kevin Dietsch - 09.set.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)