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    Rendimentos de títulos públicos globais sobem com guerra no Irã e ampliam pressão fiscal no G7

    A alta dos rendimentos dos títulos globais desde o início da guerra dos Estados Unidos com o Irã , em fevereiro, elevou em dezenas de bilhões de dólares o custo dos empréstimos para as maiores economias desenvolvidas do mundo, segundo levantamento do FT. Leia mais (08/31/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 09:00
    Rendimentos de títulos públicos globais sobem com guerra no Irã e ampliam pressão fiscal no G7
    Homem de cabelos grisalhos usa headset e apoia a cabeça com a mão direita enquanto observa telas de computador em ambiente escuro. Vários monitores exibem dados e gráficos, e há reflexo da imagem em uma superfície próxima. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A alta dos rendimentos dos títulos globais desde o início da guerra dos Estados Unidos com o Irã , em fevereiro, elevou em dezenas de bilhões de dólares o custo dos empréstimos para as maiores economias desenvolvidas do mundo, segundo levantamento do FT.

    Operador trabalha na NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York - MICHAEL M. SANTIAGO/Getty Images via AFP · MICHAEL M. SANTIAGO/Getty Images via AFP
    Operador trabalha na NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York - MICHAEL M. SANTIAGO/Getty Images via AFP · MICHAEL M. SANTIAGO/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os países do G7 já incorporaram US$ 16 bilhões em custos adicionais de financiamento da dívida soberana devido à alta dos rendimentos dos títulos desde o início da guerra, de acordo com análise feita com base em dados de emissão de títulos dos governos. Se a alta persistir, eles poderão pagar cerca de US$ 34 bilhões a mais em custos de financiamento até o fim do primeiro trimestre do próximo ano.

    Hoje, praticamente todas as emissões de títulos públicos, em todos os prazos de vencimento e em todos os países do G7, são negociadas a taxas mais altas do que em fevereiro, elevando o montante que os governos precisam pagar para emitir novas dívidas.

    Os Estados Unidos respondem pela maior parte do aumento dos custos até o momento —estimada em US$ 10,6 bilhões—, já que são, de longe, a maior economia do G7 e o maior mercado de títulos soberanos do mundo. O país deverá pagar outros US$ 21,7 bilhões em custos adicionais de juros caso a alta dos rendimentos persista até o fim do primeiro trimestre de 2027.

    Os cinco homens que pautam a economia de Donald Trump
    Os cinco homens que pautam a economia de Donald Trump — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os rendimentos dos títulos dos EUA subiram acentuadamente nas últimas semanas, à medida que aumentam as preocupações dos investidores com o crescente peso da dívida pública do país e com a capacidade das autoridades de conter a disparada da inflação provocada pela guerra do presidente Donald Trump no Irã.

    A alta dos rendimentos persistiu apesar das tentativas do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de mantê-los baixos por meio do aumento das compras governamentais de títulos de prazo mais longo .

    Países como Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão, grandes importadores de energia, também são afetados, em razão do aumento das expectativas de inflação após a crise de abastecimento energético provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

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    Os demais países do G7 arcaram com pouco mais de um terço do aumento total até agora, segundo os cálculos do FT.

    O cálculo de US$ 16 bilhões compara os custos efetivos de captação com as taxas anteriores à guerra. A estimativa de US$ 34 bilhões foi elaborada com base nos planos de emissão divulgados pelo Tesouro de cada país, a fim de projetar as futuras necessidades de captação de recursos, bem como no padrão de emissão de cada país em diferentes prazos de vencimento.

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    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora os aumentos sejam relativamente pequenos em comparação com o total dos compromissos de gastos públicos, eles ameaçam exercer pressão adicional sobre as contas públicas, que já estão sobrecarregadas.

    Mohit Kumar, economista-chefe para a Europa da Jefferies, alertou: "A alta das taxas é um dos maiores riscos para os mercados acionário e de crédito. Estamos entrando em uma zona na qual novas altas das taxas seriam negativas tanto para as ações quanto para o crédito".

    Se as taxas subirem e o crucial rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de dez anos ultrapassar 5%, "deveremos observar uma reação negativa nos mercados acionários", acrescentou, uma vez que rendimentos mais elevados dos títulos reduziriam a atratividade relativa das ações , enquanto custos maiores de financiamento comprimiriam os lucros.

    "Os déficits estão aumentando em todo o mundo à medida que vemos políticas expansionistas por parte dos governos. Além disso, provavelmente veremos políticas populistas conforme nos aproximamos das eleições de meio de mandato nos EUA e de diversas eleições parlamentares na Europa."

    Ele acrescentou que reduzir drasticamente os déficits seria "ainda mais difícil" em um ambiente de taxas mais altas.

    Economistas alertaram que vários fatores provavelmente exercerão pressão adicional de alta sobre os rendimentos.

    "Além dos riscos inflacionários, há riscos reais para a estabilidade política nos EUA, na França, no Japão, de forma intermitente no Reino Unido e, possivelmente, na Alemanha", afirmou Adam Posen, presidente do Peterson Institute. "Some-se a isso a geopolítica, e esse é [outro] risco concreto."

    Posen acrescentou: "O aumento dos gastos com defesa, das necessidades demográficas, dos investimentos em infraestrutura e dos gastos verdes fora dos EUA exerce pressão de alta sobre as taxas reais".

    A expansão da infraestrutura de IA também pode estar deslocando investimentos em outros instrumentos, como a dívida soberana, exercendo pressão de alta sobre os rendimentos. Rendimentos mais elevados dos títulos públicos também podem refletir expectativas maiores de crescimento por parte dos investidores.

    James Knightley, economista-chefe global do ING, afirmou que a alta dos custos de financiamento "não é apenas uma questão de sustentabilidade fiscal; nos EUA, ela já está freando a atividade econômica por meio do aumento dos custos de crédito para famílias e empresas".

    "O mercado imobiliário dos EUA já está estagnado, e a inclinação mais acentuada da curva de rendimentos significa que devemos nos preparar para taxas hipotecárias acima de 7%", afirmou.

    Ele acrescentou que as perspectivas de crescimento sólido sustentavam os preços de ativos mais arriscados, como as ações, reduzindo a demanda por ativos de proteção, como os títulos do Tesouro americano, ao mesmo tempo que estes sofriam pressão de preocupações fiscais e do elevado volume de emissões corporativas, sobretudo das chamadas hiperescaladoras de IA.

    Michel Martinez, economista-chefe para a Europa do Société Générale, afirmou que a tendência refletia "uma reprecificação de um mundo no qual o capital é menos abundante".

    "A captação dos governos compete cada vez mais pela poupança com o boom de investimentos impulsionado pela IA e com outras necessidades estruturais de gastos, incluindo defesa, transição energética e reindustrialização", afirmou.

    Mas, segundo ele, os rendimentos não estavam elevados em relação ao crescimento nominal do PIB nos EUA, na Alemanha e no Japão.

    Gianluca Salford, chefe de estratégia de juros europeus do Morgan Stanley, afirmou que a tendência aproximava o cenário "do mundo ao qual estávamos acostumados" antes do ambiente de baixo crescimento, baixa inflação e juros baixos da década de 2010.

    "Há alguns desafios, mas não me parece óbvio imaginar que este seja um fenômeno estrutural", afirmou. "Por si só, isso não me parece algo impossível de administrar... Às vezes, é preciso uma pequena crise. Mas os países frequentemente fazem a coisa certa para permanecer no caminho adequado porque, em essência, não há alternativa plausível."

    Reportagem adicional de Claire Jones, em Washington

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/rendimentos-de-titulos-publicos-globais-sobem-com-guerra-no-ira-e-ampliam-pressao-fiscal-no-g7.shtml.

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