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    Rendimentos de títulos do Tesouro americano atingem maior patamar desde 2007

    Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, dispararam nesta quarta-feira (23) e atingiram o nível mais alto desde 2007. As altas também foram as maiores desde o anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump em abril de 2025, que provocou forte volatilidade nos mercados.

    UOL
    23 de setembro de 2026 às 20:00
    Rendimentos de títulos do Tesouro americano atingem maior patamar desde 2007
    A imagem mostra várias notas de dólar dispostas em uma superfície azul. As notas incluem valores de 20 e 100 dólares, com os rostos de figuras históricas visíveis. As notas estão ligeiramente sobrepostas, criando uma composição que destaca — Foto: UOL

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    Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos , dispararam nesta quarta-feira (23) e atingiram o nível mais alto desde 2007. As altas também foram as maiores desde o anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump em abril de 2025, que provocou forte volatilidade nos mercados.

    Notas de dólar - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress
    Notas de dólar - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na máxima do dia, o rendimento do Treasury de 10 anos, referência para as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos no longo prazo, avançou a 5,13%, maior nível desde junho de 2007. As rentabilidades dos Treasury de 2 anos foram a 4,94%, patamar mais elevado desde maio de 2024, e dos de 30 anos foram a 5,41%, patamar mais elevado desde junho de 2007.

    O movimento ocorre em meio à alta do petróleo e à perspectiva de avanços tímidos nas negociações no Oriente Médio . Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha o nível de atividade econômica nos setores de indústria e serviço, avançou a 58,4 em setembro, ante expectativa de queda para 55,3, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

    "As empresas dos EUA continuam em plena expansão", disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.

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    O movimento amplia a forte alta dos rendimentos desde o início da guerra com o Irã . As pressões inflacionárias, os temores em relação ao déficit e a economia robusta levaram os investidores a exigir um prêmio maior para comprar títulos da dívida pública americana.

    A alta dos rendimentos também significa que os preços dos títulos estão caindo. Isso ocorre porque preço e rendimento caminham em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior para comprar os papéis, os preços recuam; quando a demanda aumenta e os preços sobem, os rendimentos caem.

    Além dos Treasuries, as Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam 0,64%, 0,65% e 1,06%, respectivamente, por volta das 16h.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Havia expectativa de desaceleração tanto na indústria quanto nos serviços, após números já fortes nos meses anteriores. No entanto, o resultado mostrou justamente o contrário: a atividade não apenas continuou em expansão, como acelerou em relação às leituras recentes [...] Uma atividade mais resiliente aumenta a preocupação com pressões inflacionárias e, consequentemente, reduz o espaço para uma queda mais rápida dos juros", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

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    A pressão sobre os mercados também tem origem no Oriente Médio. A perspectiva de estagnação nas negociações aumenta a aversão global ao risco.

    Os sinais, porém, são mistos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner conversaram por meio de mediadores na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Foi o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde o fracasso de um acordo provisório de cessar-fogo em julho.

    Também há a possibilidade de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump , e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. Em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta, contudo, Pezeshkian acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ter uma "mentalidade de intimidação" e afirmou que o Irã não se renderá na guerra.

    Enquanto isso, o tráfego pelo estreito de Hormuz segue paralisado. Na segunda-feira, os EUA anunciaram que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas nesta quarta . Teerã prometeu retaliar caso países vizinhos cooperem com os Estados Unidos e suspendam os voos iranianos.

    A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.

    Segundo a ferramenta FedWatch, a combinação desses fatores aumentou as expectativas de alta dos juros pelo banco central americano em outubro. Na terça-feira, a probabilidade de elevação da taxa para a faixa entre 4% e 4,25% estava em 55%. Nesta quarta-feira, subiu para 71%.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/rendimentos-de-titulos-do-tesouro-americano-atingem-maior-patamar-desde-2007.shtml.

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