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    Renda fica estável após recorde no governo Lula; alta desde 2022 é de 13%

    A renda média do trabalho no Brasil deu sinais de acomodação nos últimos meses após bater recorde no governo Lula (PT), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 08:00
    Renda fica estável após recorde no governo Lula; alta desde 2022 é de 13%
    Uma pessoa está segurando notas de dinheiro, com destaque para uma nota de R$ 50, enquanto na mesa há uma pilha de moedas. O fundo é de uma cor azul. — Foto: UOL

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    A renda média do trabalho no Brasil deu sinais de acomodação nos últimos meses após bater recorde no governo Lula (PT), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Pessoa manuseia cédulas de real - Gabriel Cabral - 4.out.23/Folhapress · Gabriel Cabral - 4.out.23/Folhapress
    Pessoa manuseia cédulas de real - Gabriel Cabral - 4.out.23/Folhapress · Gabriel Cabral - 4.out.23/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para economistas, o desempenho recente pode ser um indício da desaceleração gradual esperada para o mercado de trabalho em meio ao cenário de juros elevados para conter a inflação .

    O rendimento médio renovou a máxima da série histórica do IBGE no trimestre até março deste ano, quando marcou R$ 3.795 por mês.

    Em seguida, ficou levemente abaixo desse patamar nos trimestres móveis encerrados em abril (R$ 3.776), maio (R$ 3.743) e junho (R$ 3.738).

    Desigualdade sobe em 2025, mas é a 2ª menor da série no Brasil
    Desigualdade sobe em 2025, mas é a 2ª menor da série no Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012. Consideram a renda real habitualmente recebida em todos os trabalhos –ajustada pela inflação.

    A média soma os recursos obtidos com atividades profissionais e divide o montante pelo número de pessoas ocupadas.

    "O ano de 2026 ainda é positivo para a renda, mas menos do que os últimos. É um cenário de desaceleração, de crescimentos menores. A perspectiva daqui para frente é de uma certa acomodação", diz o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para aumentar a renda, o governo Lula apostou em medidas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação. Ao longo do terceiro mandato do petista, o rendimento médio cresceu quase 13% na Pnad.

    A variação é resultado da comparação do dado mais recente, do trimestre até junho deste ano (R$ 3.738), com o verificado nos três últimos meses de 2022 (R$ 3.310), quando o país era governado por Jair Bolsonaro (PL).

    À época, o mercado de trabalho tentava se recuperar dos impactos da pandemia . O menor rendimento da série histórica foi observado no trimestre até dezembro de 2021 (R$ 3.061), durante a crise sanitária.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A retomada da renda nos últimos anos ocorreu em um contexto de desempenho positivo do PIB (Produto Interno Bruto) . Isso, dizem analistas, aumentou a demanda por trabalhadores e ajudou a elevar os ganhos salariais.

    O cenário é celebrado por apoiadores de Lula às vésperas das eleições de outubro , enquanto opositores chamam a atenção para a alta no endividamento das famílias e a preocupação com a trajetória das contas do governo .

    Para o economista André Valério, do banco Inter, a pressão da inflação a partir de março pode ter levado a renda para um patamar levemente abaixo do recorde na Pnad.

    "Isso passa um indicativo de que o trabalhador não teve força suficiente para recompor as perdas [inflacionárias]. É um princípio de sinal de perda de dinamismo do mercado de trabalho. A renda estava crescendo na comparação ano contra ano consistentemente."

    No trimestre até junho, o rendimento médio (R$ 3.738) aumentou 2,8% se comparado a igual período do ano passado (R$ 3.635).

    Essa variação, porém, foi menor do que as observadas no mesmo tipo de recorte nos trimestres até junho de 2025 (3,3%), de 2024 (5,7%) e de 2023 (6,2%).

    Bruno Imaizumi, da 4intelligence, também avalia que a pressão inflacionária contribuiu para a acomodação da renda nos últimos meses.

    Outro fator, segundo ele, foi a mudança na composição da população ocupada com trabalho. A entrada no mercado de profissionais que costumam ganhar menos, como trabalhadores por conta própria informais, é um dos movimentos que podem ter segurado o rendimento na média, aponta o economista.

    Na visão de Valério, a economia deve seguir em desaceleração nos próximos meses sob efeito dos juros altos, o que tende a impactar o mercado de trabalho. A previsão, contudo, não é de piora abrupta nos indicadores, diz ele.

    "Em relação à renda, a gente espera que continue mais ou menos nesse patamar que a gente tem visto, com essa perda de força na margem, mas ainda crescendo."

    Para o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), é preciso aguardar novas informações para entender se o mercado de trabalho começou, de fato, a ceder.

    Conforme o economista, os dados salariais recentes trazem essa possibilidade, mas ainda não representam uma certeza.

    Ele diz que os avanços da escolarização nas últimas décadas contribuíram para o aumento da renda em relação ao início da série histórica.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/renda-fica-estavel-apos-recorde-no-governo-lula-alta-desde-2022-e-de-13.shtml.

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