Renault revisita a própria história e recorre até ao Twingo para ser competitiva diante do avanço chinês
O estande da Renault na edição 2026 do Salão do Automóvel de Paris traz nomes e modelos que remetem a carros lançados nas quatro últimas décadas do século 20. Não se trata apenas de memória afetiva. Leia mais (10/12/2026 - 13h49)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Paris O estande da Renault na edição 2026 do Salão do Automóvel de Paris traz nomes e modelos que remetem a carros lançados nas quatro últimas décadas do século 20. Não se trata apenas de memória afetiva.

Em meio ao avanço chinês , resta à indústria europeia se apoiar sobre as quatro rodas que carregam a própria trajetória centenária. A história é uma das poucas coisas que a jovem manufatura oriental não consegue dominar.
"Utilizamos o passado somente como uma base para preparar o futuro", diz Ivan Segal, vice-presidente global de vendas da Renault. "Muitos consumidores se lembram do primeiro carro que tiveram, de viagens em família ou de momentos importantes de suas vidas. Essa conexão emocional é um diferencial que podemos utilizar."
O executivo afirma que a montadora francesa está crescendo na Europa, apesar dos novos concorrentes. Entre janeiro e setembro, a marca teve um avanço de 0,2 ponto percentual na participação de mercado no continente, chegando a uma fatia de 6,3%.

"Temos uma invasão de marcas chinesas, que estão chegando ao mundo inteiro. A primeira coisa que fizemos foi buscar as nossas soluções para sermos competitivos", afirma Segal.
Tais soluções, contudo, trazem muito do conhecimento oriental. A Renault mantém um centro de desenvolvimento na China, com 150 funcionários.
"Um exemplo é o desenvolvimento do novo Twingo , realizado em aproximadamente dois anos. Antes, um projeto semelhante poderia levar quatro anos. Aprendemos com a velocidade chinesa e aplicamos esses conhecimentos aos nossos processos", diz o executivo.

Recém-lançado na Europa, o novo compacto é uma releitura de sua primeira geração, que chegou ao mercado em 1993. O modelo tem motorização elétrica e alcance próximo a 250 km no uso urbano, conforme o padrão europeu. Seu preço equivale a R$ 110 mil na França, o que o torna um concorrente direto do BYD Dolphin Mini.
Ainda apresentados como carros conceituais, a minivan e-Space e o Renault 5 Turbo 3E são protótipos que remetem a carros históricos da década de 1980. Há até uma versão moderna do Renault 8 Gordini, um sedã esportivo clássico lançado originalmente em 1964.
Em comum, todas essas releituras têm motorização elétrica. Segal afirma que a montadora cresceu aproximadamente 75% nas vendas de automóveis a bateria na Europa no acumulado do ano em relação a 2025. O Twingo e o compacto 5 E-Tech —que é mais uma atualização de um modelo histórico da marca— estão puxando as vendas, mas o principal fator é o cenário geopolítico.

Aparentemente, as incertezas sobre o preço dos combustíveis devido ao conflito no Irã têm pesado mais do que as preocupações com o fornecimento de energia em meio à guerra da Ucrânia.
"Estamos observando uma aceleração muito significativa da demanda por veículos elétricos na Europa. O contexto internacional e a evolução dos preços dos combustíveis contribuem para esse movimento, mas também existe uma questão econômica muito racional para o consumidor", diz o vice-presidente de vendas da Renault.
"Quando o cliente compara o custo de utilização de um automóvel a combustão com o de um veículo elétrico, em muitos casos conclui que o elétrico é mais vantajoso". Para outros mercados, a empresa investe em diferentes soluções eletrificadas por meio de parcerias.

É o caso do Brasil, onde a marca francesa se associou à chinesa Geely . A união gerou um investimento adicional de R$ 2 bilhões na fábrica de São José dos Pinhais (PR). No total, a planta passa por um ciclo de R$ 5,8 bilhões em aportes, que deve ser encerrado no próximo ano.
Além da montagem dos chineses EX2 e EX5 no país, haverá um futuro modelo híbrido com a marca Renault construído sobre a plataforma da Geely. Inédito, deverá atender a diferentes mercados na América Latina.
Enquanto a novidade não estreia, a Renault do Brasil procura impulsionar a comercialização de modelos recentes, como os SUVs Kardian e Boreal. O compacto Kwid também foi atualizado recentemente, enquanto a picape Niagara chegará às lojas no início de 2027.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/renault-revisita-a-propria-historia-e-recorre-ate-ao-twingo-para-ser-competitiva-diante-do-avanco-chines.shtml.

Nova geração do Renault Twingo é exibida na edição 2026 do Salão do Automóvel de Paris - Eduardo Sodré/Folhapress · Eduardo Sodré/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

