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    Relação entre mãe e filha e violência de gênero movem debate sobre Elena Ferrante

    Leitoras da Comunidade Todas no WhatsApp se reuniram na última segunda (3) para debater a leitura da obra "Um Amor Incômodo", de Elena Ferrante . O encontro contou com a presença de Rebeca Bolite, editora executiva da Intrínseca. Leia mais (08/07/2026 - 19h11)

    Folha de S.Paulo
    7 de agosto de 2026 às 22:11
    Relação entre mãe e filha e violência de gênero movem debate sobre Elena Ferrante
    Ilustração mostra uma mulher de cabelo curto e preto vestindo vestido vermelho, vista de costas e refletida em um espelho. Ela está sentada em uma cadeira de madeira clara. O nome da autora Elena Ferrante e o título do livro 'Um Amor Incômo — Foto: Folha de S.Paulo

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    Leitoras da Comunidade Todas no WhatsApp se reuniram na última segunda (3) para debater a leitura da obra "Um Amor Incômodo", de Elena Ferrante . O encontro contou com a presença de Rebeca Bolite, editora executiva da Intrínseca.

    Um Amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante - Divulgação Intrínseca · Divulgação Intrínseca
    Um Amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante - Divulgação Intrínseca · Divulgação Intrínseca — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente em italiano em 1992, o romance de estreia de Elena Ferrante acompanha Délia após a morte de Amália, sua mãe. Ao retornar às lembranças da infância e reconstruir a história familiar, a protagonista revisita a relação e as violências que as cercam.

    Rebeca diz considerar a escrita de Ferrante extremamente rica por permitir leituras em múltiplas camadas —funcionando tanto como entretenimento quanto como um thriller, realismo mágico ou romance profundo sobre a constituição humana.

    "Aconteceu alguma coisa nessa relação [entre mãe e filha] que nunca encaixou. Elas não se gostam, mas é esse amor de família em que muitas vezes você não gosta da pessoa, mas é família, é um laço consanguíneo, você não tem muito o que fazer", explica Rebeca. "Conforme você vai lendo, entende que os traumas da infância fizeram Délia estabelecer essa relação de fachada e pouco profunda com tudo."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A leitora Ana Trigo comenta que percebeu uma relação delicada e complicada entre mãe e filha. "Eu fiquei pensando se em algum momento ela também não quis ser a mãe dela."

    As diferentes formas de violência masculina que cercam as personagens também foram discutidas pelas leitoras. Embora tenha sido publicado há mais de 30 anos, o romance foi considerado atual pelas participantes do encontro.

    A relação entre as personagens e o espaço em que vivem também passa pela linguagem. A tradução brasileira, assinada por Marcelo Lino, optou por não reproduzir o dialeto napolitano por meio de gírias ou regionalismos brasileiros.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo Rebeca, a escolha busca evitar anacronismos e preservar as particularidades do texto original. A questão da linguagem, assim como as diferenças sociais e culturais de Nápoles, também aparece na tetralogia napolitana de Ferrante, iniciada com "A Amiga Genial".

    Rebeca interpreta que o verdadeiro "amor incômodo" do título se refere a essas violências e à relação das mulheres com os homens que cercam suas vidas, e não ao amor materno.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2026/08/relacao-entre-mae-e-filha-e-violencia-de-genero-movem-debate-sobre-elena-ferrante.shtml.

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    Um Amor Incômodo, romance de estreia de Elena Ferrante - Divulgação Intrínseca · Divulgação Intrínseca — Foto: Folha de S.Paulo

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