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    Reino Unido e Alemanha estão entre países mais expostos ao poder econômico da China

    As maiores economias da Europa estão desproporcionalmente expostas a uma possível coerção econômica de Pequim, apesar dos esforços recentes para reduzir sua dependência da China, segundo uma nova modelagem sobre a influência global do país.

    UOL
    24 de setembro de 2026 às 18:00
    Reino Unido e Alemanha estão entre países mais expostos ao poder econômico da China
    Foto: UOL

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    As maiores economias da Europa estão desproporcionalmente expostas a uma possível coerção econômica de Pequim, apesar dos esforços recentes para reduzir sua dependência da China , segundo uma nova modelagem sobre a influência global do país.

    Funcionários trabalham na linha de produção de uma fábrica chinesa de veículos elétricos em Hefei, província de Anhui, na China - Florence Lo - 10.set.26/Reuters · Florence Lo - 10.set.26/Reuters
    Funcionários trabalham na linha de produção de uma fábrica chinesa de veículos elétricos em Hefei, província de Anhui, na China - Florence Lo - 10.set.26/Reuters · Florence Lo - 10.set.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As três maiores economias europeias — França , Alemanha e Reino Unido — estão entre os sete países mais expostos ao poder chinês no mundo, de acordo com um índice elaborado pela Universidade Nacional de Taiwan. Os pesquisadores constataram, de modo geral, que democracias são mais vulneráveis à influência chinesa do que regimes autocráticos.

    O índice utilizou simulações computacionais para avaliar indicadores importantes de influência, incluindo comércio, investimentos e vínculos militares e diplomáticos, a fim de elaborar uma classificação sistemática da exposição dos países à China.

    A classificação contrariou teorias comuns de que o controle mais profundo da China estaria sobre países mais pobres da Ásia , África e América do Sul, onde empresas chinesas fizeram grandes investimentos em setores extrativos e na indústria, disse George Yin, pesquisador sênior do Centro de Estudos sobre a China da universidade.

    Os 50 anos da morte de Mao
    Os 50 anos da morte de Mao — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Essas descobertas contradizem a expectativa de que a exposição ao poder chinês seria significativamente menor na Europa do que na região do Indo-Pacífico, dada a distância geográfica da Europa em relação ao alcance militar chinês", afirmou.

    Analistas disseram que o índice, publicado em conjunto pelos think tanks GPPi (Instituto Global de Políticas Públicas), de Berlim, e Merics (Instituto Mercator para Estudos da China), também evidenciou o grau de influência potencial que Pequim acumulou sobre democracias ocidentais na última década.

    Thorsten Benner, diretor do GPPi, afirmou que o estudo transmite uma mensagem clara aos governos ocidentais enquanto eles buscam ampliar sua resiliência econômica.

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    "Aprendam a usar sua própria influência sobre Pequim e estejam dispostos a pagar um preço por isso ao defender seus interesses —caso contrário, o resultado será a submissão a uma ordem econômica centrada na China", disse.

    A Coreia do Sul ficou em primeiro lugar no ranking global, enquanto a Rússia foi o país mais exposto da Europa, principalmente devido a um forte aumento das exportações para a China. A participação das exportações russas para o país no PIB passou de 1,6% em 2013 para um pico de 5,4% em 2023.

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    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Pequim considera seu papel em cadeias de suprimentos globais estratégicas uma importante fonte de influência internacional, que pode ajudá-la a se proteger de coerções econômicas dos Estados Unidos e de outras economias avançadas que impuseram um número crescente de controles de exportação nos últimos anos.

    A China demonstrou recentemente sua própria disposição de usar esse poder de coerção. Em 2025, restrições às exportações de componentes essenciais, como ímãs, levaram várias fábricas de automóveis dos Estados Unidos e da União Europeia à beira da paralisação.

    A medida ocorreu em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar temporariamente as tarifas sobre produtos chineses para 145% . Os dois países negociaram uma trégua na guerra comercial em novembro do ano passado. Na quarta-feira (23), concordaram em estendê-la até janeiro , enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, desembarcava nos Estados Unidos para uma reunião de alto nível com Trump.

    A União Europeia também enfrenta Pequim por causa de seu déficit comercial de 1 bilhão de euros (R$ 5,88 bilhões) por dia com a China, que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou na semana passada como "insustentável".

    O índice classifica 184 países ao combinar diferentes indicadores da influência chinesa, incluindo investimento estrangeiro direto, comércio, poder militar e instrumentos de soft power, como os Institutos Confúcio e pandas em zoológicos.

    A classificação, produzida por meio de um modelo computacional que, segundo os pesquisadores, foi desenvolvido para evitar vieses não intencionais, traça um quadro relativo do poder chinês desde 2013, ano em que Xi Jinping chegou ao poder e iniciou uma diplomacia chinesa mais assertiva. O modelo atribui peso significativo ao investimento estrangeiro direto.

    O estudo constatou que os esforços da Europa para reduzir sua exposição aos pontos de estrangulamento controlados pela China tiveram apenas um impacto "modesto" desde que a União Europeia classificou o país como rival estratégico, em 2019.

    Reino Unido, Noruega , Suíça e Suécia reduziram sua exposição relativa à China nos últimos anos. A Suécia, por exemplo, fechou todos os seus Institutos Confúcio em 2020, após uma disputa diplomática com Pequim. Outros países europeus, porém, incluindo Irlanda e Espanha, aumentaram sua dependência em razão de um forte crescimento dos investimentos chineses em suas economias.

    As importações chinesas para a Espanha, classificada como a quinta economia mais exposta da Europa, quase dobraram desde 2013. No mesmo período, a Irlanda registrou um forte aumento dos investimentos chineses nos setores farmacêutico e de tecnologia, com o estoque de investimentos estrangeiros chineses chegando a quase US$ 20 bilhões (R$ 103,4 bilhões) em 2025.

    A consultoria EY-Parthenon estimou no início deste ano que União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido teriam de investir, juntos, US$ 23,6 trilhões (R$ 122,25 trilhões) até 2050 para encerrar sua dependência da China em setores estratégicos, como indústria e tecnologia.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/reino-unido-e-alemanha-estao-entre-paises-mais-expostos-ao-poder-economico-da-china.shtml.

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    Funcionários trabalham na linha de produção de uma fábrica chinesa de veículos elétricos em Hefei, província de Anhui, na China - Florence Lo - 10.set.26/Reuters · Florence Lo - 10.set.26/Reuters — Foto: UOL

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