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    Regina Caldeira faz do braille um caminho de autonomia e leitura

    Quando Regina Fátima Caldeira lê braille , pode assistir porque trata-se de um espetáculo. Suas mãos passam rapidamente pelo papel, e parece um milagre que nesse gesto ritmado e suave tantas letras, palavras e frases estejam se formando em sua cabeça. Para Regininha, como é carinhosamente conhecida, é uma relação mágica, e foi graças ao braille que ela pôde se tornar uma criança "como todas as outras". Leia mais (09/18/2026 - 16h30)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 19:30
    Regina Caldeira faz do braille um caminho de autonomia e leitura
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Quando Regina Fátima Caldeira lê braille , pode assistir porque trata-se de um espetáculo. Suas mãos passam rapidamente pelo papel, e parece um milagre que nesse gesto ritmado e suave tantas letras, palavras e frases estejam se formando em sua cabeça. Para Regininha, como é carinhosamente conhecida, é uma relação mágica, e foi graças ao braille que ela pôde se tornar uma criança "como todas as outras".

    Cegos fazem passeio de bicicleta pelas ruas de São Paulo
    Cegos fazem passeio de bicicleta pelas ruas de São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Regina nasceu com glaucoma , mas sua mãe só percebeu algo errado aos três meses, quando a filha virava a cabeça em dias de sol, incomodada pela luz. Foram muitos os médicos e promessas para que não perdesse a visão. As amigas da mãe a vestiam de anjo com cetim, asa e uma coroa que apertava seu corpo de menina e a levavam na procissão de Sexta-Feira Santa na espera de que ela se curasse. Mas Regina não gosta de promessas, é uma relação muito mercantilista com Deus e até hoje tem aversão ao toque do cetim nos dedos.

    Aos seis anos, ela e a mãe viram Dorina Nowill na TV, contando como havia cantado "Tico Tico No Fubá" para os policiais da fronteira nos EUA. Foi o primeiro contato com alguém cego que tinha uma vida "normal". Regina ainda não tinha consciência da sua deficiência, talvez porque tenha nascido com ela, talvez porque, apesar de tudo, a mãe não a superprotegia e ela era uma criança que subia em árvore e brincava na rua.

    Aos sete anos, sentiu um jato de areia nos olhos, uma dor tão terrível que ela lembra de cravar as unhas na parede para aliviá-la. No hospital, o médico constatou que o olho direito havia supurado e só restava extraí-lo. Apesar do susto, depois da cirurgia os anos de dor finalmente cessaram e ela lembra do alívio que foi dormir profundamente pela primeira vez. Com o tempo, perdeu o que restava da visão do olho esquerdo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na época, tinha aprendido parte do alfabeto num tabuleiro de letras coloridas que a mãe tinha dado. Mas queria mais, queria ler, escrever e ir para a escola.

    Aos oito, diante da insistência da filha, dona Lurdes saiu cedo de casa e disse que só voltava quando encontrasse uma solução. Foi parar na Fundação do Livro do Cego no Brasil, hoje Fundação Dorina Nowill. Quando Regininha subiu a rampa de lá pela primeira vez, soube na hora que havia encontrado seu lugar.

    Uma professora começou a ir a sua casa prepará-la para o braille, mas o diretor da escola estadual em que deveria entrar não quis deixá-la fazer o curso. Havia uma lei de 1953, que a própria Dorina aprovara, e garantia o direito de crianças cegas em escolas regulares, mas ainda assim, o diretor não quis ceder.

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Diante da insistência, deixou que ela fizesse o curso como ouvinte e, se provasse sua capacidade, se matricularia no ano seguinte, perdendo assim, o ano letivo.

    Sua alegria ao falar do primeiro dia de aula é comovente. E foi a fundação que produziu sua primeira cartilha, "Caminho Suave" , que, fora a letra Z, ela já lia inteira. Sempre que passava pela imprensa Braille, pegava um livro. O barulhinho da prensa imprimindo livros era seu barulho predileto e até hoje tem vontade de chorar quando ouve. Lia e relia o mesmo livro sem parar, até chegar um novo. "Era desespero de leitura" que tinha.

    No dia do exame final, o diretor esperou na porta enquanto a professora especializada transcrevia para tinta a prova que tinha feito em braille. A nota foi 98 e ela se matriculou oficialmente no segundo ano. Já formada, conseguiu uma vaga de telefonista na fundação.

    Todo dia, Dorina ia até ela e passava mais de 20 nomes para quem deveria ligar. Ela anotava com a reglete numa eficiência assustadora. Um dia, Dorina perguntou como ela decorava tantos nomes e ficou chocada ao saber que ela os escrevia. Ela conseguiu que Regina fizesse um estágio na Espanha e, aos poucos, foi assumindo cargos importantes, formou-se em letras e hoje é referência internacional no campo do braille.

    Regina é entusiasta da tecnologia , mas defende a importância da alfabetização da criança cega pelo braille, pois só por meio dele pode ter o mesmo desenvolvimento cognitivo da criança que enxerga. Os adultos podem até abrir mão do braille, mas ela gosta de ter autonomia e privacidade para ler seu extrato bancário ou escolher o prato no restaurante.

    Trabalhar lendo é um sonho realizado, só de "O Tempo e o Vento" foram 72 volumes revisados. O que mais ama no trabalho é que o braille, assim como a escrita, não para de evoluir.

    Regina luta por inclusão, não por privilégios. Para ela, todos devem se preparar para usufruir de seus direitos e cumprir com seus deveres.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/regina-caldeira-faz-do-braille-um-caminho-de-autonomia-e-leitura.shtml.

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