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    Regime da Venezuela decide abandonar plano para libertar Nicolás Maduro

    Delcy Rodríguez e seu círculo priorizam sobrevivência política e aproximação com Washington

    UOL
    22 de agosto de 2026 às 03:00
    Regime da Venezuela decide abandonar plano para libertar Nicolás Maduro
    Mural colorido mostra homem com faixa presidencial venezuelana à esquerda e grupo de pessoas à direita segurando faixa com texto 'Pueblo Presidente' e logo de consulta popular 2025. Fundo inclui casas coloridas e céu ao entardecer. — Foto: UOL

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    O regime da Venezuela não fez qualquer menção à libertação do ditador deposto Nicolás Maduro , preso nos Estados Unidos , durante quase duas semanas de negociações com a oposição neste mês —o sinal mais claro até agora de que as autoridades do país o abandonaram à Justiça americana.

    Um homem caminha em frente a um mural que retrata o ex-ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas - Federico Parra - 13.mai.26/AFP · Federico Parra - 13.mai.26/AFP
    Um homem caminha em frente a um mural que retrata o ex-ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas - Federico Parra - 13.mai.26/AFP · Federico Parra - 13.mai.26/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em janeiro, a líder interina, Delcy Rodríguez , classificou a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, como um caso de "agressão vil". Seu irmão Jorge Rodríguez , líder do Parlamento venezuelano, afirmou que eles "não descansarão" até que Maduro seja libertado da prisão no Brooklyn , onde responde a acusações relacionadas ao tráfico de drogas .

    Mas o regime de Delcy, apoiado pelos EUA, surpreendeu a oposição ao nem sequer apresentar essas exigências durante as cinco rodadas de negociação, encerradas na semana passada, segundo várias pessoas presentes ouvidas pelo jornal Financial Times.

    A Casa Branca apoia Delcy , ex-vice de Maduro, desde que militares americanos capturaram o ditador em uma operação noturna ousada em 3 de janeiro . Em troca, ela abriu os vastos recursos naturais do país a investidores estrangeiros, dando a empresas dos EUA acesso às reservas de petróleo venezuelanas .

    Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro
    Imagens da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A primeira rodada de negociações com a oposição tinha como objetivo chegar a um acordo sobre as medidas necessárias para uma nova eleição presidencial , mas produziu poucos resultados concretos.

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Os dois lados se concentraram em como financiar a recuperação após os terremotos devastadores de junho , exigindo a repatriação de cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em barras de ouro armazenadas nos cofres do Banco da Inglaterra . Também concordaram em começar a trabalhar na reforma do sistema judiciário.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Após o encerramento das negociações, o regime afirmou ter libertado 131 presos políticos , embora a organização de direitos humanos Foro Penal tenha dito que só conseguiu confirmar a soltura de 78.

    Mas um destino semelhante não parecia estar nos planos para Maduro, a quem Delcy, chavista de longa data, certa vez chamou de "presidente único e legítimo" da Venezuela, disseram analistas.

    No que diz respeito ao regime, "o destino dele já está selado", afirmou Edward Rodríguez, analista e consultor venezuelano. "Eles deixarão o processo seguir seu curso enquanto se concentram em sua única prioridade: sobreviver."

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Logo após a captura, Delcy Rodríguez foi categórica ao exigir a libertação de Maduro , enquanto consolidava o apoio dos setores linha-dura dos serviços de segurança. Desde então, porém, substituiu os principais líderes militares por aliados próprios, enquanto o poderoso chefe da segurança, Diosdado Cabello , também se aproximou de Washington .

    Placas e outdoors pedindo a libertação do casal foram instalados em cidades de toda a Venezuela em janeiro —muitos dos quais já foram retirados. Murais pró-Maduro pintados antes de sua prisão foram apagados. Restam em Caracas apenas alguns retratos gigantes do casal deposto.

    Delcy, cujos discursos sucintos marcam uma ruptura com as falas inflamadas e de tom populista de Maduro , raramente menciona seu antigo chefe em aparições públicas —inclusive na declaração que fez após o término das negociações, na semana passada.

    Mas Maduro, herdeiro escolhido a dedo do projeto socialista revolucionário do falecido líder Hugo Chávez , continua contando com o apoio dos chavistas mais fervorosos, como são conhecidos os seguidores do movimento.

    "Discordo dessas negociações porque não se pode permitir que Trump continue nos impondo coisas enquanto o acordo nem sequer menciona o presidente que foi sequestrado", afirmou Ricardo García, um chavista de base que, como muitos apoiadores fiéis, acredita que Maduro foi traído por integrantes de seu círculo próximo e entregue às forças americanas.

    As negociações também têm causado controvérsia entre a oposição, inclusive por deixarem de lado sua líder mais popular, a vencedora do Nobel María Corina Machado .

    Procurado, o regime venezuelano não respondeu a pedidos de comentários.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/regime-da-venezuela-decide-abandonar-plano-para-libertar-nicolas-maduro.shtml.

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    Um homem caminha em frente a um mural que retrata o ex-ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas - Federico Parra - 13.mai.26/AFP · Federico Parra - 13.mai.26/AFP — Foto: UOL

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