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    Refugiados venezuelanos entram no esporte paralímpico do Brasil e ganham medalhas

    Refugiados venezuelanos com deficiência que entram no Brasil por meio da fronteira com Roraima, no norte do país, estão recebendo a oportunidade de se tornar atletas e disputar competições paradesportivas. Alguns deles têm tido rendimentos tão bons que já ganham medalhas e participam de eventos nacionais. Leia mais (08/09/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 13:00
    Refugiados venezuelanos entram no esporte paralímpico do Brasil e ganham medalhas
    Homem com boné azul segura e observa atentamente uma medalha prateada pendurada em fita vermelha. Fundo desfocado sugere ambiente externo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Refugiados venezuelanos com deficiência que entram no Brasil por meio da fronteira com Roraima, no norte do país, estão recebendo a oportunidade de se tornar atletas e disputar competições paradesportivas. Alguns deles têm tido rendimentos tão bons que já ganham medalhas e participam de eventos nacionais.

    Gabriel José Rojas, refugiado venezuelano com deficiência, que disputou o Meeting Paralímpico de São Paulo; ele ficou com a prata no lançamento de dardo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress
    Gabriel José Rojas, refugiado venezuelano com deficiência, que disputou o Meeting Paralímpico de São Paulo; ele ficou com a prata no lançamento de dardo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na última semana, seis desses atletas viajaram a São Paulo convidados para participar de uma etapa do Meeting Paralímpico, no Centro Paralímpico Brasileiro . Cinco conseguiram resultados de pódio, com oito medalhas, sendo três de ouro, e já chamam a atenção para futuras competições.

    Atualmente, o Centro de Referência Paralímpico de Roraima trabalha com 26 refugiados da Venezuela , que se dedicam, principalmente, ao atletismo. Ao todo, desde 2021, cerca de 50 pessoas receberam apoio esportivo em Boa Vista. Todos eram oriundos de abrigos humanitários.

    "Em 2021, firmamos parceria com a Operação Acolhida, do Ministério da Cidadania, porque tínhamos uma massiva migração de refugiados venezuelanos e logo notamos que havia pessoas com deficiência que precisavam de um apoio mais específico", afirma Vinicius Denardin Cardoso, supervisor do Centro de Referência do CPB em Roraima.

    Refugiados venezuelanos com deficiência recebem apoio no Brasil e passam a ganhar medalhas em competições nacionais
    Refugiados venezuelanos com deficiência recebem apoio no Brasil e passam a ganhar medalhas em competições nacionais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O centro, que atende 204 atletas ao todo, oferece iniciação e aperfeiçoamento esportivo em dez modalidades, como atletismo, basquete em cadeira de rodas, goalball e tênis de mesa. Os esportistas estrangeiros recebem suporte para treinar e se desenvolver de forma contínua, permitindo que cheguem a competir em nível nacional.

    Os treinos são conduzidos por uma equipe de 16 professores, 5 contratados diretamente pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e 11 pela Universidade Estadual de Roraima.

    Um grupo de saúde, composto por médico, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta, também dá suporte aos refugiados, que recebem atenção em suas reabilitações e auxílio para questões emocionais diante das mudanças de vida.

    Novos talentos de esportes paralímpicos podem ajudar meta do Brasil de ultrapassar a China
    Novos talentos de esportes paralímpicos podem ajudar meta do Brasil de ultrapassar a China — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O início foi muito conturbado. A gente percebia até mesmo algumas situações da xenofobia. Toda a população sentiu o quantitativo na saúde, na educação, nos serviços públicos, mas as coisas mudaram. O que a gente percebe hoje com os refugiados com deficiência é quanto o esporte tem sido transformador na sociabilidade deles, quanto a integração com os meninos brasileiros do basquete, principalmente, tem contribuído para que eles se sintam integrados no Brasil", diz Cardoso.

    Martin José Durval chegou a Boa Vista há dois anos. Na Venezuela, ele teve uma trajetória esportiva marcante na juventude, tendo sido campeão de beisebol na adolescência, chegando perto de se profissionalizar. Ele se formou em medicina veterinária, e há cinco anos perdeu as pernas em um acidente.

    No Meeting de São Paulo, ele ganhou duas medalhas no lançamento de dardo, totalizando assim dez em sua carreira no Brasil. Durval também se dedica ao basquete em cadeira de rodas. "Estou dando o meu máximo. Sou muito agradecido a todos os brasileiros, irmãos brasileiros que de verdade me apoiaram bastante aqui no esporte."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao entrarem no país, os refugiados conseguem emitir um CPF e passam a ter acesso a programas federais. Essa integração permite que eles pleiteiem apoio financeiro esportivo nacional: dois atletas venezuelanos de 16 anos, que iniciaram na base do projeto em 2022, hoje recebem o benefício do Bolsa Atleta, do governo federal, na categoria estudantil.

    Para que consigam disputar uma edição dos Jogos Paralímpicos pelo Brasil, porém, eles devem passar por um processo de naturalização.

    "Tenho metas aqui, já tenho um propósito aqui e estou planejando ficar por um bom tempo. Vou ganhar medalha para o Brasil", declara Ruben Alcocer, que é cadeirante há 22 anos e pratica atletismo.

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com o supervisor Vinicius Denardin, é possível que mais pessoas com deficiência venezuelanas cheguem ao centro após os recentes terremotos. "Temos conversado com o governo federal para tentar ampliar os horários de atendimento. Estamos nos preparando para dar suporte a quem precisar."

    A unidade paralímpica de Roraima também já fez acolhimento a atletas com deficiência de Cuba, Camarões, Haiti e Guiana. O Brasil é hoje uma das maiores potências mundiais do esporte paralímpico. A Venezuela tem participações mais modestas nos Jogos. Ganhou seis medalhas na edição de Paris, em 2024.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/refugiados-venezuelanos-entram-no-esporte-paralimpico-do-brasil-e-ganham-medalhas.shtml.

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    Gabriel José Rojas, refugiado venezuelano com deficiência, que disputou o Meeting Paralímpico de São Paulo; ele ficou com a prata no lançamento de dardo - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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