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    Redução de judicialização pode aumentar segurança, dizem especialistas em seminário da Folha

    A redução da judicialização pode aumentar a segurança jurídica, mas exige mudanças que envolvam não só o Judiciário como também o Estado e as empresas, e a adoção de outras formas de solução de conflitos, afirmaram especialistas reunidos pela Folha nesta segunda-feira (17). Leia mais (08/17/2026 - 18h17)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 21:17
    Redução de judicialização pode aumentar segurança, dizem especialistas em seminário da Folha
    Homem de terno azul escuro e gravata rosa fala ao microfone em púlpito transparente. Fundo exibe tela com elementos gráficos em azul e branco. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A redução da judicialização pode aumentar a segurança jurídica, mas exige mudanças que envolvam não só o Judiciário como também o Estado e as empresas, e a adoção de outras formas de solução de conflitos, afirmaram especialistas reunidos pela Folha nesta segunda-feira (17).

    O advogado Sérgio Renault, ex-secretário da Reforma do Judiciário no Ministério da Justiça, em evento promovido pela Folha. - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/Folhapress
    O advogado Sérgio Renault, ex-secretário da Reforma do Judiciário no Ministério da Justiça, em evento promovido pela Folha. - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A avaliação foi feita durante o segundo encontro do ciclo de seminários "O Judiciário em Debate: Integridade, Eficiência e Acesso à Justiça" , promovido pela Folha em parceria com a OAB-SP (seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil) e com o apoio da AASP - Associação dos Advogados.

    Ao abrir o painel sobre o papel do Judiciário no ambiente de negócios, o advogado Sérgio Renault , ex-secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, avaliou que a modernização do sistema judicial deve ser encarada como um processo permanente.

    No governo, Renault foi um dos protagonistas do processo que levou à criação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em 2004 e instituiu mecanismos como as súmulas vinculantes adotadas pelos tribunais superiores para uniformizar decisões de instâncias inferiores.

    Tricia Navarro, Najla Lamounier, Jorge Messias e Pierpaolo Cruz Bottini em debate promovido pela Folha. - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/Folhapress
    Tricia Navarro, Najla Lamounier, Jorge Messias e Pierpaolo Cruz Bottini em debate promovido pela Folha. - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O advogado Pierpaolo Cruz Bottini , que sucedeu Renault na Secretaria da Reforma do Judiciário, atuou como mediador do debate desta segunda.

    Renault apontou como principais entraves a demora para conclusão dos processos e a imprevisibilidade das decisões. Defendeu a adoção de mecanismos de conciliação e mediação, soluções fora dos tribunais e maior uso de precedentes vinculantes para desafogar os tribunais.

    "Precisamos reduzir a utilidade econômica da demora", disse Renault. "Quando o Judiciário funciona mal, ele encarece transações, desorganiza expectativas e permite que agentes econômicos mais sofisticados transformem o tempo processual em ativo financeiro."

    Segundo seminário de série da Folha sobre o Judiciário debate litigância excessiva e qualidade da prestação jurisdicional
    Segundo seminário de série da Folha sobre o Judiciário debate litigância excessiva e qualidade da prestação jurisdicional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No debate, o advogado-geral da União, Jorge Messias , avaliou que o excesso de processos tem múltiplas causas e rejeitou tratar o Judiciário como principal responsável pela situação. Citou a complexidade das normas tributárias e da regulação de vários setores como parte do problema.

    Segundo Messias, o Estado deve dar o exemplo. Ele afirmou que, nos últimos anos, a AGU promoveu a celebração de 1,7 milhão de acordos para encerrar disputas na área previdenciária e abriu mão de apresentar recursos em 3,8 milhões de ações no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

    Messias também defendeu a desjudicialização das execuções fiscais, processos usados para cobrança de dívidas de contribuintes. "A desjudicialização da vida é algo que precisa ser praticado", afirmou. Para ele, se o Estado consegue ampliar acordos e desistir de recursos, o setor privado também poderia seguir esse caminho.

    Quatro pessoas sentadas em cadeiras no palco participam de debate sobre Judiciário e ambiente de negócios, com painel digital ao fundo exibindo o tema. Público assiste em auditório escuro.
    Quatro pessoas sentadas em cadeiras no palco participam de debate sobre Judiciário e ambiente de negócios, com painel digital ao fundo exibindo o tema. Público assiste em auditório escuro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como exemplos de soluções negociadas, Messias citou o acordo homologado pelo STF em 2025 para ressarcimento de aposentados e pensionistas lesados por descontos indevidos de contribuições para associações e o acordo celebrado em 2024 para reparar danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG).

    A diretora jurídica da empresa, Najla Lamounier, que também participou do debate, disse que o acordo fechado com a União e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo permitiu encerrar quase 300 ações civis públicas e mais de 20 mil processos individuais.

    Segundo Lamounier, o acordo criou regras mais claras para tratar os danos sociais e ambientais e deu maior previsibilidade ao processo de reparação. Ela disse perceber no setor privado uma disposição crescente para buscar acordos para solucionar controvérsias sem recorrer à Justiça.

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    "Uma situação de conciliação e mediação muito bem feita é um ganha-ganha. É muito melhor do que uma decisão onde alguém vai perder", afirmou.

    A experiência de Mariana também foi mencionada pela juíza Tricia Navarro, que atua como juíza-auxiliar no STF e foi supervisora do Núcleo de Soluções Consensuais de Conflitos do tribunal (Nusol-STF).

    Navarro defendeu o que chamou de "Justiça multiportas", um modelo em que negociação, conciliação, mediação, arbitragem privada e decisão judicial são instrumentos usados conforme as características de cada conflito.

    "A adequação do conflito ao método é o que faz toda a diferença para a eficiência do resultado", afirmou, ressaltando que os processos de arbitragem não eliminam o poder do Judiciário de interferir se os árbitros não seguirem as regras.

    Nas considerações finais, Messias afirmou que "a judicialização precisa ser a última porta". Lamounier reforçou que a segurança jurídica depende do Judiciário, da iniciativa privada, do Executivo e do Legislativo. Navarro concluiu que "melhorar o sistema de Justiça é um desafio de todos".

    O último encontro do ciclo de seminários será realizado na próxima segunda-feira (24) , na sede da OAB-SP, que apresentará a proposta da entidade para reforma do Judiciário. O evento discutirá acesso à Justiça e eficiência.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2026/08/reducao-de-judicializacao-pode-aumentar-seguranca-dizem-especialistas-em-seminario-da-folha.shtml.

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    O advogado Sérgio Renault, ex-secretário da Reforma do Judiciário no Ministério da Justiça, em evento promovido pela Folha. - Jardiel Carvalho/Folhapress · Jardiel Carvalho/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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