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    Redes sociais viram nova fronteira do tráfico de espécies silvestres

    Estudo internacional encontrou mais de 33 mil exemplares de espécies protegidas anunciados online; Facebook, Instagram, TikTok e YouTube estão entre as plataformas usadas pelo comércio ilegal O post Redes sociais viram nova fronteira do tráfico de espécies silvestres apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    10 de setembro de 2026 às 18:56
    Redes sociais viram nova fronteira do tráfico de espécies silvestres
    Foto: Olhar Digital

    O tráfico ilegal de espécies silvestres encontrou um novo território de atuação: a internet . Um estudo internacional liderado pela Universidade de Helsinque (Finlândia) mostra como redes sociais e marketplaces estão sendo usados para comercializar animais , plantas e fungos, incluindo espécies ameaçadas de extinção.

    Publicado na revista Nature Reviews Biodiversity , o trabalho aponta que o comércio ilegal aparece em plataformas, como Facebook, Instagram , TikTok, YouTube, eBay, Google , Alibaba e Shopee. Em um monitoramento realizado durante seis semanas em 2025, os pesquisadores encontraram mais de 1,6 mil primatas anunciados para venda em Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.

    O problema, porém, é muito maior. Em outro monitoramento de seis semanas, realizado em 280 plataformas , foram identificados 33.006 exemplares de espécies protegidas pela Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) .

    Continente africano é o mais citado no estudo – Imagem: Runawayphill/Shutterstock
    Continente africano é o mais citado no estudo – Imagem: Runawayphill/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Do total, 54% eram animais vivos, enquanto os outros 46% correspondiam a partes de animais ou produtos derivados.

    Entre os grupos encontrados no comércio online estão aves, serpentes, rãs, orquídeas e cactos. Segundo os pesquisadores, algumas das espécies comercializadas já estão sob risco elevado de extinção, enquanto outras sequer haviam sido consideradas anteriormente como particularmente ameaçadas pelo tráfico ilegal.

    O continente africano apresenta alguns exemplos de como o comércio ilegal de espécies está se adaptando ao ambiente digital.

    Mapa da África em preto e dourado
    Mapa da África em preto e dourado — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Entre 2010 e 2021, cerca de 800 mil papagaios-cinzentos-africanos foram comercializados internacionalmente. Além disso, o monitoramento de contas de exportadores no Facebook no Togo identificou mais de 200 espécies diferentes colocadas à venda.

    Na África do Sul, o comércio ilegal de plantas também mudou rapidamente. O gênero de suculentas Conophytum , procurado por colecionadores internacionais desde 2019, provocou um aumento no número de pessoas coletando essas plantas no bioma do Karoo Suculento.

    A expansão da coleta acabou saturando o mercado ilegal e fez o preço da planta cair aproximadamente para um centésimo do valor original em apenas três anos. A queda no preço, no entanto, não encerrou a pressão sobre a biodiversidade. Segundo os pesquisadores, a coleta passou a migrar para outras plantas e também para répteis.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para os autores do estudo, ferramentas tecnológicas e ações de fiscalização são importantes, mas não suficientes para conter o problema. Os pesquisadores defendem uma estratégia que envolva comunidades locais, empresas de tecnologia, órgãos reguladores e organizações não governamentais.

    Entre as medidas propostas estão o uso de inteligência artificial (IA) para reforçar a vigilância e o endurecimento da moderação das plataformas. A cooperação internacional e mecanismos, como a Cites e a Lei dos Serviços Digitais da União Europeia, também são apontados como importantes para enfrentar o tráfico.

    A pesquisadora Annette Hübschle, da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul), destaca ainda a importância de incorporar o conhecimento das comunidades locais e a experiência do Sul Global às estratégias de combate ao comércio ilegal de espécies.

    Continente africano é o mais citado no estudo – Imagem: Runawayphill/Shutterstock
    Continente africano é o mais citado no estudo – Imagem: Runawayphill/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para Di Minin, o problema é “complexo, mas não insuperável” e exige cooperação entre diferentes setores e políticas que considerem a dimensão digital do tráfico de espécies silvestres.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/10/internet-e-redes-sociais/redes-sociais-viram-nova-fronteira-do-trafico-de-especies-silvestres/.

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    Continente africano é o mais citado no estudo – Imagem: Runawayphill/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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