Redes sociais viciam? Meta volta aos tribunais
Meta enfrenta julgamento nos EUA por acusar recursos do Instagram e Facebook de tornar redes viciantes para jovens e menores O post Redes sociais viciam? Meta volta aos tribunais apareceu primeiro em Olhar Digital .

A Meta , dona do Instagram e do Facebook , volta aos tribunais dos Estados Unidos por acusações de ter desenvolvido as plataformas para torná-las viciantes entre crianças e adolescentes. O julgamento começa em 18 de agosto e pode resultar em novas restrições e multas de até US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões).
A ação é movida por procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey e está entre os principais processos contra redes sociais em andamento no país.
A seleção do júri começa na quarta-feira (12), em um tribunal federal de Oakland, perto de São Francisco. O julgamento deve durar cerca de seis semanas, com veredicto previsto para o início de outubro.

Os quatro estados acusam a Meta de criar recursos para fazer com que menores passem mais tempo no Instagram e no Facebook. Entre as funcionalidades questionadas estão:
Os procuradores-gerais também pedem mudanças no funcionamento das plataformas para menores e multas que podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões). Segundo a acusação, o cálculo considera várias possíveis infrações.
A disputa começou no fim de 2021, quando Frances Haugen, ex-funcionária da Meta, vazou milhares de páginas de pesquisas internas. O material ficou conhecido como “Arquivos do Facebook”.

Segundo a acusação, os documentos mostraram que a empresa estudava os impactos do Instagram na saúde mental de adolescentes , enquanto minimizava publicamente esses riscos.
As revelações levaram dezenas de estados a abrir uma investigação conjunta. Dois anos depois, cerca de 30 procuradores-gerais entraram com uma ação contra a Meta. Quatro estados foram selecionados para o julgamento de Oakland.
Se a Meta for derrotada, o resultado poderá abrir caminho para um acordo mais amplo com os demais estados, em um movimento comparado ao que ocorreu no passado com a indústria do tabaco.

Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas que a acusação pretende interrogar até o fim de setembro. Será a segunda vez em seis meses que o executivo prestará depoimento, após participar de um julgamento em Los Angeles no qual seu testemunho foi considerado pouco convincente pelo júri.
A Meta já foi condenada duas vezes neste ano. Em março, um júri de Los Angeles responsabilizou a empresa e o YouTube pela dependência de uma adolescente e determinou uma indenização de US$ 6 milhões (R$ 30,5 milhões). No Novo México, a Meta foi condenada posteriormente a pagar quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em multas e indenizações, além de cumprir novas restrições para contas de menores.
A empresa anunciou que recorrerá das decisões e afirmou ter “confiança” em seu histórico de “proteção dos adolescentes no ambiente on-line”.

A Meta também argumentará que a saúde mental dos jovens “não pode ser atribuída a um único aplicativo” e que algumas funcionalidades são protegidas pela liberdade de expressão prevista na Constituição americana.
No julgamento de Oakland, o júri terá apenas função consultiva. Caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers determinar eventuais sanções e medidas corretivas. Pais de adolescentes afetados poderão depor, enquanto o processo poderá ser acompanhado ao vivo pelo YouTube.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.






Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/10/internet-e-redes-sociais/meta-volta-aos-tribunais-apos-acusacoes-sobre-uso-por-adolescentes/.

Rolagem infinita, curtidas e notificações à noite estão entre os recursos questionados no processo contra a Meta. – Imagem: Primakov / Shutterstock — Foto: Olhar Digital
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