Brasil

    Recuperação judicial da Casas Bahia preocupa investidores de renda fixa

    Crise da varejista expõe impacto dos juros elevados sobre empresas endividadas

    CNN Brasil
    18 de agosto de 2026 às 16:33
    Recuperação judicial da Casas Bahia preocupa investidores de renda fixa
    Foto: CNN Brasil

    O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia colocou mais uma vez o mercado de crédito privado no radar dos investidores. Além disso, o prejuízo foi de cerca de R$ 10 bilhões no segundo trimestre , 18 vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

    No documento enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) o grupo afirma que foi afetado pelo ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados, restrição de crédito e pelo aumento do custo financeiro.

    As Casas Bahia já haviam recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024. Agora, a empresa optou pela recuperação judicial, que envolve a participação do Judiciário na negociação com os credores.

    Casas Bahia fechou quase 300 lojas e pediu recuperação judicial • Foto: Divulgação/Via Varejo · • Foto: Divulgação/Via Varejo
    Casas Bahia fechou quase 300 lojas e pediu recuperação judicial • Foto: Divulgação/Via Varejo · • Foto: Divulgação/Via Varejo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Porém, para quem investe a principal questão é o que acontece com os títulos de dívida emitidos pela empresa e quais efeitos uma crise desse tipo provoca no restante do mercado.

    A recuperação judicial é especialmente relevante para quem possui algum crédito da companhia. Debêntures e outros títulos de dívida emitidos pela empresa podem sofrer forte desvalorização, enquanto os pagamentos aos credores ficam sujeitos às condições que serão definidas no processo de recuperação.

    Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, explica que o impacto para o investidor pode aparecer imediatamente na carteira.

    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia
    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Para quem possui algum crédito da Casas Bahia, as corretoras imediatamente passam a precificar esse crédito a zero. Então, se o investidor tem R$ 100 mil em debêntures da Casas Bahia, esse valor vai aparecer como zero na corretora. Depois, caso alguma parte do dinheiro seja recuperada, o valor volta a ser contabilizado como crédito”, afirma.

    Essa situação provoca uma forte desvalorização do papel antes mesmo de haver uma definição sobre quanto será recuperado pelos credores. Isso ocorre porque o mercado passa a atribuir um risco muito maior ao crédito da empresa.

    Além disso, a companhia fica praticamente impedida de utilizar o mercado de capitais da mesma forma para levantar novos recursos.

    Casas Bahia: Clientes podem ser prejudicados por pedido de recuperação?
    Casas Bahia: Clientes podem ser prejudicados por pedido de recuperação? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “A empresa passa a não conseguir se financiar, não consegue emitir títulos de dívida e suspendem as negociações”, acrescenta Fontes.

    O investidor, portanto, pode enfrentar dois problemas ao mesmo tempo: a incerteza sobre quanto receberá de volta e a dificuldade de vender o título pelo valor que tinha antes da crise.

    O impacto não fica necessariamente restrito a quem comprou diretamente um título da Casas Bahia. Fundos de crédito privado, por exemplo, podem ter em suas carteiras papéis de diferentes empresas.

    Ação do Magazine Luiza dispara cerca de 7% em dia de queda de Casas Bahia
    Ação do Magazine Luiza dispara cerca de 7% em dia de queda de Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Quando a percepção de risco no mercado aumenta, os preços desses títulos podem cair, provocando perdas por marcação a mercado.

    A recuperação judicial também mostra que o risco não termina quando o título é comprado. Uma mudança na percepção sobre a saúde financeira do emissor pode provocar forte queda no preço do papel e afetar também fundos que investem em crédito privado.

    “Essa crise no setor de crédito privado por conta de juro alto e economia desacelerada acaba batendo diretamente no bolso do investidor de crédito privado, que inclusive foi um dos produtos mais colocados na carteira dos clientes nesses últimos dois anos”, complementa a apresentadora.

    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia
    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

    O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

    Casas Bahia: Clientes podem ser prejudicados por pedido de recuperação?
    Casas Bahia: Clientes podem ser prejudicados por pedido de recuperação? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Ação do Magazine Luiza dispara cerca de 7% em dia de queda de Casas Bahia
    Ação do Magazine Luiza dispara cerca de 7% em dia de queda de Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/recuperacao-judicial-da-casas-bahia-preocupa-investidores-de-renda-fixa/.

    Imagem 1
    1 / 7

    Casas Bahia fechou quase 300 lojas e pediu recuperação judicial • Foto: Divulgação/Via Varejo · • Foto: Divulgação/Via Varejo — Foto: CNN Brasil

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)