Receio com fim da 6×1 são alta dos custos e atraso de obras, diz CBIC
Eduardo Aroeira aponta que setor precisaria de mais de 300 mil trabalhadores e que famílias perderiam acesso ao Minha Casa Minha Vida

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou os despachos para encaminhar às comissões do Senado propostas de interesse do governo, entre elas a PEC do fim da jornada 6x1.
A medida deve seguir diretamente para a CCJ e, posteriormente, ao Plenário, após a definição dos relatores. O avanço da proposta acende um alerta no setor da construção civil.
Eduardo Aroeira, da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), avalia que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é legítima, mas questiona o momento e a forma como ela está sendo conduzida.

"É importante ressaltar que não se discute a importância da qualidade de vida do trabalhador. O que se discute é o momento em que se é proposto isso", afirmou. Para ele, por ser proposta em ano eleitoral, a discussão corre o risco de perder profundidade em razão de motivações políticas.
Aroeira detalhou os efeitos práticos que a aprovação da PEC, nos moldes em que saiu da Câmara dos Deputados, teria sobre o setor. Segundo ele, a mudança exigiria a contratação imediata de mais de 300 mil trabalhadores, em um segmento que já enfrenta séria escassez de mão de obra.
"Nos últimos 12 meses, o aumento da mão de obra nas nossas obras supera mais que o dobro do IPCA" , disse, destacando que já existe pressão inflacionária no setor antes mesmo de qualquer alteração na escala de trabalho.

Ele acrescentou que a redução da jornada geraria uma demanda adicional de 208 horas por trabalhador, o que representaria mais de 600 milhões de horas a serem repostas.
"A nossa grande preocupação serão basicamente duas: o aumento de custos e também possíveis atrasos de obra" , resumiu.
O representante da CBIC também projetou impactos sobre programas habitacionais e de infraestrutura. De acordo com estudos da entidade, cerca de 30 mil famílias a menos por ano teriam acesso ao programa Minha Casa Minha Vida — o que, em cinco anos, corresponderia a quase meio milhão de pessoas.

Na área de infraestrutura, os estudos apontam que cerca de R$ 2 bilhões extras por ano precisariam ser investidos.
"Quem serão os mais prejudicados? Principalmente as regiões mais necessitadas, que são a região Norte e Nordeste, que têm o maior déficit de saneamento, água e esgoto", alertou Aroeira.
Questionado sobre a possibilidade de a automação compensar a necessidade de novas contratações, Aroeira reconheceu que o setor já investe em mecanização, mas ponderou que o processo é lento e exige recursos elevados.

Com a taxa Selic no patamar atual, as pequenas e médias empresas — que representam 98% das empresas do setor — ficam impossibilitadas de investir em novas tecnologias.
"A mão de obra precisa ser treinada, os equipamentos precisam ser importados, as normas técnicas brasileiras precisam ser adaptadas a essas novas tecnologias, e isso não acontece da noite para o dia", explicou.
Para ele, a redução da jornada precisa ser debatida em conjunto com o aumento de produtividade e com flexibilidade para cada setor, de modo que os custos não sejam repassados à sociedade.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/receio-com-fim-da-6x1-sao-alta-dos-custos-e-atraso-de-obras-diz-cbic/.

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