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    Rastreio de contatos de ebola no Congo é insuficiente enquanto surto se espalha, diz chefe do CDC da África

    As autoridades de saúde que combatem o surto de ebola na República Democrática do Congo identificaram apenas cerca de 30 mil pessoas que podem ter sido expostas ao vírus , uma fração das mais de 400 mil que deveriam ser encontradas por meio do rastreamento de contatos, disse à Reuters um alto funcionário africano da área da saúde. Leia mais (09/26/2026 - 13h03)

    Folha de S.Paulo
    26 de setembro de 2026 às 16:03
    Rastreio de contatos de ebola no Congo é insuficiente enquanto surto se espalha, diz chefe do CDC da África
    Dois homens em pé atrás de um púlpito durante coletiva em Kinshasa. Ao fundo, tela exibe imagem de soldado e grupo de pessoas com cartazes. — Foto: Folha de S.Paulo

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    As autoridades de saúde que combatem o surto de ebola na República Democrática do Congo identificaram apenas cerca de 30 mil pessoas que podem ter sido expostas ao vírus , uma fração das mais de 400 mil que deveriam ser encontradas por meio do rastreamento de contatos, disse à Reuters um alto funcionário africano da área da saúde.

    Jean Kaseya, diretor-geral do CDC África, durante uma entrevista coletiva sobre a resposta ao ebola realizada nos estúdios da emissora estatal RTNC, em Kinshasa, República Democrática do Congo - Arsene Mpiana/Reuters · Arsene Mpiana/Reuters
    Jean Kaseya, diretor-geral do CDC África, durante uma entrevista coletiva sobre a resposta ao ebola realizada nos estúdios da emissora estatal RTNC, em Kinshasa, República Democrática do Congo - Arsene Mpiana/Reuters · Arsene Mpiana/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África ), afirmou que essa defasagem mostra que o surto continua arraigado nas comunidades , apesar dos sinais de avanço.

    Mais de 80% dos novos casos confirmados estavam sendo detectados entre pessoas que ainda não constavam das listas de contatos, o que indica que a transmissão continua ocorrendo fora do alcance dos esforços de vigilância.

    Para cada caso confirmado de ebola , as autoridades de saúde esperariam identificar cerca de 60 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com a pessoa infectada, disse Kaseya à Reuters na sexta-feira (25), à margem da Assembleia Geral da ONU , em Nova York.

    Surto de ebola no Congo é um dos piores já registrado, diz CDC da África
    Surto de ebola no Congo é um dos piores já registrado, diz CDC da África — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com cerca de 7.000 casos confirmados, isso corresponderia a aproximadamente 420 mil contatos. "Mas, atualmente, temos apenas 30 mil pessoas na lista de contatos", disse Kaseya.

    "Quando o surto está disseminado nas comunidades, não podemos falar em controle", acrescentou.

    O surto de ebola foi detectado em maio e já é o segundo maior já registrado , atrás apenas do ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou na sexta-feira que o surto havia se espalhado para outras duas zonas de saúde: Bulu, na província de Sud Ubangi, e Dungu, na província de Haut-Uele, perto da fronteira com o Sudão do Sul. Com isso, o número de zonas de saúde afetadas chegou a 63, distribuídas por sete províncias.

    Na semana passada, autoridades das Nações Unidas e do governo congolês disseram haver sinais de desaceleração da transmissão em algumas das áreas mais afetadas de Ituri, epicentro do surto.

    A primeira-ministra congolesa, Judith Suminwa Tuluka, classificou o surto na quarta-feira como um grande teste para o país e afirmou que as ações de resposta haviam começado a produzir resultados concretos.

    "Vemos alguma melhora, mas o surto ainda é grave", disse Kaseya.

    Mesmo que o Congo ainda registrasse 50, 60 ou 70 novos casos por dia, Kaseya afirmou que ficaria menos preocupado se fossem pessoas já identificadas e monitoradas como contatos, pois isso significaria que as autoridades de saúde saberiam onde a transmissão estava ocorrendo.

    Kaseya não quis prever quando o surto seria controlado, dizendo que queria ver uma vigilância substancialmente melhor e outros avanços antes de estabelecer um cronograma para a resposta.

    "Se há um jogo que eu não queria jogar desde que declaramos este surto, era o de prever quando conseguiríamos controlá-lo", afirmou.

    Kaseya disse que, se os novos casos confirmados fossem identificados por meio das listas de contatos, não ocorressem mortes nas comunidades e não houvesse novas infecções entre profissionais de saúde, ele poderia estar em condições de prever se o surto poderia ser totalmente controlado em quatro semanas.

    Mas, por enquanto, afirmou, a alta proporção de casos descobertos fora das listas de contatos continua sendo uma evidência de transmissão comunitária descontrolada.

    O CDC da África informou que quase US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 15 bi) foram prometidos para a resposta ao ebola em uma reunião convocada pelos Estados Unidos em Nova York na quinta-feira (24), incluindo US$ 886 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bi) do governo norte-americano.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/rastreio-de-contatos-de-ebola-no-congo-e-insuficiente-enquanto-surto-se-espalha-diz-chefe-do-cdc-da-africa.shtml.

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    Jean Kaseya, diretor-geral do CDC África, durante uma entrevista coletiva sobre a resposta ao ebola realizada nos estúdios da emissora estatal RTNC, em Kinshasa, República Democrática do Congo - Arsene Mpiana/Reuters · Arsene Mpiana/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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