Raro e agressivo, câncer de bexiga demanda diagnóstico ágil e precoce
Publicadas em julho, as novas diretrizes nacionais para o diagnóstico e o tratamento do câncer de bexiga buscam reduzir desigualdades no atendimento e orientar a prática médica no país em relação à doença, cujos casos devem chegar a 13.110 ao ano, no período entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Leia mais (08/20/2026 - 21h00)

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Publicadas em julho, as novas diretrizes nacionais para o diagnóstico e o tratamento do câncer de bexiga buscam reduzir desigualdades no atendimento e orientar a prática médica no país em relação à doença, cujos casos devem chegar a 13.110 ao ano, no período entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Entre as principais recomendações do novo documento estão estratégias para reduzir a recorrência desse tipo de câncer. É o caso do uso da BCG —imunoterapia aplicada diretamente na bexiga para estimular o sistema imunológico a combater células cancerígenas— em pacientes de risco intermediário e alto.
O texto também trata da incorporação de novas imunoterapias e terapias-alvo para casos avançados. O documento também propõe uma classificação mais precisa do risco de progressão da doença, permitindo individualizar o tratamento.
As recomendações foram elaboradas por especialistas das sociedades brasileiras de Patologia (SBP), de Urologia (SBU), de Oncologia Clínica (SBOC), de Radioterapia (SBRT), do CABEM Mais Vidas (projeto de atendimento multiprofissional a pacientes com câncer de bexiga ) e do Instituto Oncoguia.

"O câncer de bexiga é uma doença relativamente rara. Em geral, esse tumor acomete pessoas mais velhas, normalmente acima dos 50 anos e é fortemente ligado ao tabagismo . Por isso, muitos pacientes apresentam outras comorbidades e, muitas vezes, não estão na sua melhor condição clínica quando recebem o diagnóstico", relata a oncologista clínica Ana Paula Garcia Cardoso, do Einstein Hospital Israelita, que fez parte do comitê por trás das diretrizes.
Por ser um tumor agressivo e atingir uma população mais vulnerável, o câncer de bexiga exige definição rápida da estratégia terapêutica, reduzindo a margem para falhas ao longo do cuidado. "Apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda é relativamente comum encontrar pacientes sem um diagnóstico bem definido, com estadiamento inadequado ou sem acesso no momento oportuno aos exames e especialistas necessários para uma avaliação completa", conta Cardoso.
Outro desafio é a própria diversidade do sistema de saúde brasileiro. Em muitas regiões, profissionais lidam diariamente com limitações estruturais. Por isso, as diretrizes também oferecem caminhos práticos para a tomada de decisão em diferentes cenários assistenciais. "Quando falamos em câncer de bexiga, o diagnóstico correto, na hora certa, e o tratamento adequado podem fazer uma enorme diferença nos resultados e na qualidade de vida dos pacientes. Nosso objetivo é ajudar a tornar esse cuidado mais uniforme e acessível em todo o país", diz a oncologista.

Identificar a doença nas fases iniciais amplia as possibilidades terapêuticas e pode reduzir o risco de progressão do tumor. O principal sintoma é a hematúria, presença de sangue na urina, presente em 80% dos casos. "Pode ocorrer também ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e urgência miccional. Em estágios avançados, podem ocorrer dor lombar e perda de peso", alerta o urologista Tiago Silva, professor-assistente do grupo de uro-oncologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, algumas medidas ajudam a diminuir o risco de desenvolver câncer de bexiga. A principal delas é evitar o tabagismo, responsável por cerca de metade dos casos. Também é recomendado manter uma boa hidratação, evitar a exposição ocupacional a agentes químicos, como aminas aromáticas, e procurar avaliação médica diante de qualquer sintoma suspeito, especialmente a presença de sangue na urina.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/raro-e-agressivo-cancer-de-bexiga-demanda-diagnostico-agil-e-precoce.shtml.

Representação do sistema urinário humano - Magicmine/Adobe Stock · Magicmine/Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo
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