Brasil

    Raríssimo, feito põe Piu no olimpo de recordistas mundiais brasileiros

    No atletismo, o esporte olímpico mais nobre, somente agora passamos a usar as duas mãos para enumerar os recordes

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 20:00
    Raríssimo, feito põe Piu no olimpo de recordistas mundiais brasileiros
    Foto: UOL

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Bandeira do Brasil com ele, Alison dos Santos festeja, estirado na pista do estádio Letzigrund, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 /
    Bandeira do Brasil com ele, Alison dos Santos festeja, estirado na pista do estádio Letzigrund, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Bandeira do Brasil com ele, Alison dos Santos festeja, estirado na pista do estádio Letzigrund, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / AFP

    Algo com todo jeito de ter sido inédito, ou quase, viu-se nesta quinta-feira (27) nos sites de veículos de comunicação de grande expressão no Brasil: manchete para o atletismo nacional.

    Alison dos Santos , o Piu, bateu o recorde mundial dos 400 metros com barreiras ao ganhar a prova da etapa de Zurique (Suíça) da Liga Diamante, que é o circuito mundial do atletismo.

    Alison dos Santos, o Piu, ao lado de placar que mostra seu recorde mundial nos 400 m com barreiras, em Zurique, na Suíça - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP
    Alison dos Santos, o Piu, ao lado de placar que mostra seu recorde mundial nos 400 m com barreiras, em Zurique, na Suíça - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Uma notícia inesperada, merecedora sim do melhor destaque possível na imprensa, por algumas horas que fossem, na ausência de um acontecimento bombástico –não havia nada naquele momento. Até demorou para "a ficha cair" nos veículos.

    Por que é tão importante assim para nós, brasileiros, Piu ter corrido a distância dos 400 m com barreiras em 45s80, baixando em 14 centésimos a melhor marca anterior, do norueguês Karsten Warholm, campeão olímpico com ela nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021?

    Antes da resposta, um parágrafo para informar que Warholm, que foi prata nos Jogos de Paris, dois anos atrás, estava na prova na Suíça, chegando em segundo lugar, muito atrás do brasileiro. Marcou 46s69, quase um segundo mais lento. Parece pouco, mas é uma distância enorme, um corpo de diferença.

    Piu salta obstáculo na prova da Liga Diamante em Zurique (Suíça) na qual estabeleceu o recorde mundial dos 400 m com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP
    Piu salta obstáculo na prova da Liga Diamante em Zurique (Suíça) na qual estabeleceu o recorde mundial dos 400 m com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Antes de Piu, colocavam-se nos dedos de uma mão os recordistas mundiais do Brasil no atletismo, que é o esporte mais nobre das Olimpíadas, o número um. Está presente desde os Jogos da Antiguidade, na Grécia Antiga –a era moderna instaurou-se em 1896.

    Adhemar Ferreira da Silva, duas vezes ouro em Olimpíadas (Helsinque-1952 e Melbourne-1956), considerado com folga o maior expoente do Brasil no atletismo, quebrou o recorde mundial do salto triplo cinco vezes, uma delas para triunfar na Finlândia 74 anos atrás.

    São também triplistas outros três recordistas brasileiros: Nelson Prudêncio (1968), João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (1975), e Esmeralda de Jesus (1986). O quinto dedo da mão pertence a Ronaldo da Costa, que registrou a melhor marca da maratona (42,195 km) em 1998. Essa conquista de Ronaldo é possível que tenha sido chamada principal de sites não esportivos, pois a era da internet já vigorava.

    Atleta deitado de costas na pista de atletismo, cobrindo o rosto com as mãos e envolto na bandeira do Brasil. Eleé Alison dos Santos. O chão é de material sintético vermelho com linhas brancas visíveis.
    Atleta deitado de costas na pista de atletismo, cobrindo o rosto com as mãos e envolto na bandeira do Brasil. Eleé Alison dos Santos. O chão é de material sintético vermelho com linhas brancas visíveis. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Passaram-se quase 28 anos para que a segunda mão pudesse dar a um dedo de recorde, graças a Piu. Com mais passadas que os triplistas e menos que o maratonista. Com a junção de corrida e saltos (dez barreiras de 91,4 cm de altura). Com o ineditismo de ser em uma prova de pista (o salto triplo é de campo, e a maratona, de rua).

    O que Piu fez, em termos mundiais, é uma façanha. O Brasil, historicamente o país do futebol, potência no vôlei e que atualmente orgulha-se das ginásticas (artística e rítmica), quase sempre foi figurante no atletismo, a estrela maior das Olimpíadas.

    Com suas mais de 40 modalidades, o atletismo personifica o lema olímpico ("mais rápido, mais alto, mais forte"), que tem uma lacuna: falta o "mais longe", onde se encaixariam os triplistas. Piu encaixa-se no "mais rápido". Atingiu, como pouquíssimos compatriotas, um olimpo.

    Atleta brasileiro Alison dos Santos está em pé ao lado do painel eletrônico que exibe novo recorde mundial nos 400m com barreiras, com tempo de 45,80 segundos, em estádio iluminado e com público ao fundo.
    Atleta brasileiro Alison dos Santos está em pé ao lado do painel eletrônico que exibe novo recorde mundial nos 400m com barreiras, com tempo de 45,80 segundos, em estádio iluminado e com público ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ressalte-se que Piu, apesar de parecer novidade, porque o atletismo nacional pouco aparece no noticiário – faltam vitórias, o que gera desinteresse da mídia–, não é.

    Aos 26 anos, o paulista de São Joaquim da Barra (382 km ao norte de São Paulo) soma duas medalhas olímpicas, em Tóquio e em Paris. Ambas de bronze.

    Com elas, já ocupava dedo da nossa segunda mão em outro ranking. Outros cinco brasileiros têm duas láureas em competições individuais em Jogos: os paulistas Adhemar (dois ouros), Prudêncio (uma prata, um bronze), João do Pulo (dois bronzes) e Thiago Braz (salto com vara, um ouro e um bronze), e o brasiliense Joaquim Cruz (800 m, um ouro e uma prata).

    Atleta masculino em uniforme roxo e tênis amarelos salta uma barreira azul durante prova de atletismo em estádio lotado. Ele é Alison dos Santos. Público atento ao fundo.
    Atleta masculino em uniforme roxo e tênis amarelos salta uma barreira azul durante prova de atletismo em estádio lotado. Ele é Alison dos Santos. Público atento ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Piu –apelido recebido aos 14 anos por se assemelhar fisicamente a outro atleta que treinava no mesmo lugar e que era assim chamado– já é. Pode ser mais?

    No horizonte próximo, o primeiro desafio é mostrar que o recorde não foi um acaso. Correr e pular como nunca, prova após prova, para estabelecer marca atrás de marca. Edwin Moses, lenda dos EUA, nos anos 1970 e 1980, cravou quatro vezes o melhor tempo do mundo nos 400 m com barreiras.

    O segundo desafio será nas Olimpíadas de 2028, em Los Angeles. A busca pela medalha (ouro, de preferência, e idealmente com recorde) que ainda não tem e que o tornaria, de quebra, o brasileiro com mais pódios olímpicos no atletismo.

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    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/rarissimo-feito-poe-piu-no-olimpo-de-recordistas-mundiais-brasileiros.shtml.

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    Bandeira do Brasil com ele, Alison dos Santos festeja, estirado na pista do estádio Letzigrund, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras - Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / AFP · Fabrice Coffrini - 27.ago.2026 / — Foto: UOL

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