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    Rabobank: Margens e oferta de insumos menores pressionam soja e milho

    Possibilidade de um El Niño forte e queda nas importações de ureia estão no radar e podem afetar produtividade e custos

    CNN Brasil
    26 de agosto de 2026 às 19:36
    Rabobank: Margens e oferta de insumos menores pressionam soja e milho
    Foto: CNN Brasil

    A produção brasileira de soja e milho passa por desafios frente à menor disponibilidade de insumos, recursos financeiros mais restritos e a ocorrência do iminente fenômeno climático El Niño. As perspectivas fazem parte da análise setorial de agosto do Rabobank.

    No caso da soja, o banco estima uma produção de 182 milhões de toneladas na safra 2025/26, com exportações que podem chegar a 114 milhões de toneladas. O esmagamento doméstico também deve alcançar recorde, de 63 milhões de toneladas, 4 milhões de toneladas acima do registrado no ciclo anterior.

    Apesar dos volumes elevados, a rentabilidade dos produtores permanece pressionada. Para a próxima temporada, o Rabobank prevê uma mudança no ritmo de expansão da cultura.

    Troca de soja e milho por insumos. • Imagem gerada por IA · • Imagem gerada por IA
    Troca de soja e milho por insumos. • Imagem gerada por IA · • Imagem gerada por IA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Depois de mais de duas décadas de crescimento contínuo, de acordo com o banco, a área plantada de soja no Brasil deve ficar estável, em um cenário marcado por menor rentabilidade, custos financeiros mais elevados, crédito mais restrito e maior cautela dos agricultores.

    Para a safra 2026/27, a projeção inicial do banco é de 178 milhões de toneladas, abaixo do recorde anterior. A redução projetada está relacionada à normalização da produtividade após dois anos de rendimentos consideráveis.

    O possível avanço do fenômeno climático El Niño e a volatilidade dos custos dos insumos também aparecem entre os principais riscos para a próxima temporada.

    Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE
    Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Outro fator de atenção para a soja é o cenário comercial entre Estados Unidos e China. Segundo o Rabobank, a menor demanda chinesa pela soja norte-americana tem favorecido o produto brasileiro e ajudado a sustentar os preços domésticos. Em Rondonópolis (MT), as cotações subiram 5% no início de agosto em relação ao mês anterior.

    Esse quadro, no entanto, pode mudar dependendo das negociações entre Washington e Pequim. Um eventual avanço nas relações comerciais pode aumentar as compras chinesas de soja dos Estados Unidos e reduzir a vantagem competitiva brasileira. A manutenção das tensões, por outro lado, tende a favorecer as exportações do Brasil.

    No mercado de milho, a principal transformação está no crescimento do consumo interno. O Rabobank projeta que a produção brasileira na safra 2025/26 permaneça praticamente estável, mas estima que o consumo doméstico continue renovando recordes. A demanda das cadeias de aves e suínos, principalmente para produção de ração, deve chegar a 72 milhões de toneladas em 2026, alta de quase 2% em relação ao ano anterior.

    IBGE eleva estimativa de safra de grãos para 350,4 milhões de toneladas
    IBGE eleva estimativa de safra de grãos para 350,4 milhões de toneladas — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O maior avanço, porém, vem da indústria de etanol de milho. Apenas no primeiro semestre, o setor consumiu 12,5 milhões de toneladas do cereal, 2 milhões de toneladas acima do registrado no mesmo período de 2025. Para todo o ano, o Rabobank estima uma demanda de aproximadamente 27 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 20% da produção nacional.

    O avanço da produção de etanol está alterando o balanço do mercado brasileiro. Com uma parcela cada vez maior da produção destinada ao consumo interno, o milho brasileiro perde competitividade relativa no mercado internacional. Por isso, o Rabobank projeta uma redução de aproximadamente 3 milhões de toneladas nas exportações em 2026 ante o ano anterior.

    A demanda doméstica também pode oferecer sustentação aos preços. Em Campinas, as cotações do milho em agosto estavam 2% acima das registradas no mesmo período de 2025, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. Para os próximos meses, o Rabobank vê suporte adicional vindo dos riscos climáticos e do crescimento estrutural do consumo interno.

    Safra de grãos 2025/26 é estimada em 358,6 milhões de t e pode ser recorde
    Safra de grãos 2025/26 é estimada em 358,6 milhões de t e pode ser recorde — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para as duas culturas, o clima aparece como um dos principais fatores de risco para a próxima temporada. O Rabobank destaca a possibilidade de um El Niño forte e seus potenciais efeitos sobre o calendário agrícola brasileiro.

    Para o milho safrinha, o risco está relacionado à possibilidade de atraso no plantio da soja. Um início tardio da safra de verão pode postergar a semeadura do milho de segunda safra, aumentando as incertezas sobre a disponibilidade do cereal em 2027.

    A disponibilidade de fertilizantes também preocupa. Entre janeiro e julho de 2026, as importações brasileiras de ureia somaram 2,33 milhões de toneladas, queda de cerca de 25% em relação aos 3,07 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2025. Mesmo com volumes mensais recordes entre agosto e dezembro, o Rabobank estima que as importações de ureia terminem o ano cerca de 5% abaixo das de 2025.

    Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE
    Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para o Rabobank, a combinação entre as margens da soja e do milho safrinha será importante para a recuperação financeira dos produtores rurais. Em ambos os casos, clima, custos de produção e disponibilidade de insumos serão determinantes para o desempenho da próxima safra.

    Enquanto a soja deve encerrar a safra atual com produção e exportações recordes, o próximo ciclo tende a ser marcado por maior cautela dos produtores. No milho, o avanço do etanol e das cadeias de proteína animal consolida uma demanda doméstica mais forte e reduz a dependência do mercado externo.

    O banco mantém sua projeção de 45,1 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao consumidor final no Brasil em 2026 e entende que a disponibilidade de fertilizantes ganha importância adicional diante da necessidade de recuperação financeira dos produtores rurais.

    IBGE eleva estimativa de safra de grãos para 350,4 milhões de toneladas
    IBGE eleva estimativa de safra de grãos para 350,4 milhões de toneladas — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Além da disponibilidade e dos preços dos fertilizantes, o Rabobank destaca a inadimplência do setor agropecuário como outro ponto de atenção. O nível elevado de endividamento dificulta a recuperação financeira dos produtores e pode influenciar o ritmo de aquisição de insumos para os próximos ciclos.

    Para a próxima safra, portanto, o mercado de fertilizantes reúne três fatores de pressão: importações atrasadas, custos elevados e situação financeira mais restrita dos produtores. A evolução das compras nos próximos meses será determinante para avaliar se o déficit acumulado em 2026 poderá ser reduzido antes do avanço do plantio.

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    Safra de grãos 2025/26 é estimada em 358,6 milhões de t e pode ser recorde
    Safra de grãos 2025/26 é estimada em 358,6 milhões de t e pode ser recorde — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/rabobank-margens-e-oferta-de-insumos-menores-pressionam-soja-e-milho/.

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