R$ 3,2 bi: Petrobras domina leilões da ANP e faz aposta em Campos e novas fronteiras
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 22/02/2021 REUTERS/Ricardo Moraes " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2026-03-19T211424Z_1_LYNXMPEM2I1DP_RTROPTP_4_PETROBRAS-BRAZIL.jpg?fit=1280%2C816&quality=70&strip=all" />Estatal comprometeu cerca de R$ 3,22 bilhões e levou 21 blocos; analistas veem reforço do portfólio exploratório, mas impacto financeiro limitado no curto praz The post R$ 3,2 bi: Petrobras domina leilões da ANP e faz aposta em Campos e novas fronteiras appeared first on InfoMoney .

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 22/02/2021 REUTERS/Ricardo Moraes
A Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) saiu como a principal protagonista dos leilões de petróleo e gás realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta-feira (7), em uma ofensiva que reforçou principalmente a exposição da companhia à Bacia de Campos, ao mesmo tempo em que adicionou novas apostas no pré-sal e na Margem Equatorial.
Nos dois certames, o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão e o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, o governo levantou aproximadamente R$ 3,54 bilhões em bônus de assinatura.

Desse montante, a Petrobras comprometeu cerca de R$ 3,22 bilhões, ou aproximadamente 91% do total. O desembolso equivale a cerca de 0,44% do valor de mercado da estatal, segundo cálculos da XP.
No total, foram 21 blocos para a Petrobras, sendo 19 na rodada de concessão e outros dois na rodada de partilha. A XP avalia que as novas áreas acrescentam opcionalidade futura às companhias vencedoras, mas não representam alocação de capital material no curto prazo.
O Morgan Stanley também ressalta que o compromisso da estatal, de quase US$ 600 milhões apenas nos 12 blocos de Campos, aponta para uma renovação do interesse exploratório em uma bacia que perdeu espaço relativo para o pré-sal de Santos ao longo da última década.

Segundo os analistas, Campos continua sendo parte importante do portfólio de exploração da empresa, mesmo enquanto a companhia avança em novas fronteiras, como a Foz do Amazonas.
O principal movimento da Petrobras ocorreu no leilão sob regime de concessão. A companhia garantiu 19 blocos e comprometeu R$ 2,99 bilhões em bônus, equivalentes a 0,4% de seu valor de mercado. Foram 12 blocos na Bacia de Campos, com participação de 100%, e sete na Bacia do Ceará, na Margem Equatorial, em consórcio com a QatarEnergy, no qual a estatal tem 70%.
Quatro blocos de águas ultraprofundas em Campos concentraram nada menos que R$ 2,766 bilhões, ou cerca de 93% de todo o compromisso da empresa nessa rodada. Os valores oferecidos chegaram a representar cerca de 196 vezes a soma dos bônus mínimos desses quatro ativos. A competição, porém, foi limitada: o consórcio TotalEnergies/QatarEnergy foi o único adversário e apresentou ofertas bastante inferiores às da estatal.

Nos dois maiores lances, pelos blocos C-M-115 e C-M-161, a Petrobras ofereceu R$ 754 milhões por cada área, ante bônus mínimos de aproximadamente R$ 3,6 milhões. Nos blocos C-M-163 e C-M-216, foram outros R$ 629 milhões por área.
As áreas ficam aproximadamente 115 a 140 quilômetros de Roncador e fora do polígono do pré-sal, segundo a XP.
Para o Morgan Stanley, o desembolso mostra que Campos voltou a ganhar relevância na estratégia exploratória da companhia. Ao mesmo tempo, o banco avalia que os resultados mostram uma postura ainda seletiva em relação às áreas do pré-sal, sugerindo disciplina na alocação de capital.

A Petrobras também saiu vencedora em Azurita e Cruzeiro do Sul, os dois blocos pelos quais apresentou ofertas no leilão sob regime de partilha. A estatal ficará com participação de 100% em ambos e não enfrentou concorrência.
Em Azurita, na Bacia de Campos, a companhia ofereceu à União 30% do óleo-lucro, 17,5 pontos percentuais acima do mínimo de 12,5%. O bônus de assinatura foi de R$ 98,4 milhões. Já em Cruzeiro do Sul, no pré-sal da Bacia de Santos, a oferta foi de 15,27%, ante mínimo de 14,13%, com bônus de R$ 134 milhões. Juntos, os bônus somaram aproximadamente R$ 232 milhões, equivalentes a apenas 0,03% do valor de mercado da estatal.
Azurita fica próxima aos campos de Tartaruga Verde e Espadarte. Cruzeiro do Sul está ao lado de Tupi e Sépia, duas importantes áreas do pré-sal.

Cruzeiro do Sul chama atenção também pelo histórico. O ativo ficou sem propostas em duas ocasiões anteriores. Em 2019, foi oferecido com bônus de R$ 1,15 bilhão e percentual mínimo de óleo-lucro de 29,5%. Em 2022, as exigências foram reduzidas para R$ 134 milhões e 14,1%, respectivamente, mas ainda assim não houve interessados. Desta vez, mantidas essas condições, a Petrobras levou o bloco.
No agregado, os números ajudam a dimensionar o protagonismo da estatal. No leilão de concessão, 49 dos 308 blocos ofertados receberam propostas, gerando R$ 3 bilhões em bônus. A Bacia de Campos concentrou R$ 2,97 bilhões, ou 99% do total arrecadado nessa modalidade.
Já na partilha, sete dos 13 blocos ofertados foram arrematados, levantando R$ 530 milhões. A Bacia de Santos respondeu por R$ 337 milhões, ou 64% do total, enquanto Campos concentrou R$ 193 milhões.

O resultado oficial também mostra que o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha teve o maior número de blocos arrematados desde o início desse modelo de oferta permanente, superando as cinco áreas adquiridas em 2025.
Apesar dos valores expressivos em termos absolutos, XP e Morgan Stanley minimizam os impactos financeiros imediatos para a Petrobras. A leitura é de que os ativos ampliam o leque de oportunidades de exploração para os próximos anos, em vez de representar uma mudança significativa na trajetória de investimentos no curto prazo.
O movimento em Campos ganha importância estratégica uma vez que, para o Morgan Stanley, os quase US$ 600 milhões comprometidos nos 12 blocos da bacia mostram uma retomada do interesse exploratório da estatal na região. Paralelamente, a aquisição dos sete blocos no Ceará, ao lado da QatarEnergy, mantém aberta outra frente na Margem Equatorial.
Além da Petrobras, outro nome listado em Bolsa que ganhou destaque foi a PRIO ( PRIO3 ), que levou Magnetita e Hematita na Bacia de Campos. Os bônus somaram aproximadamente R$ 95 milhões, equivalentes a cerca de 0,2% do valor de mercado da companhia.
Os dois blocos ficam próximos de Wahoo e Frade. Segundo a XP, a PRIO afirmou que avaliará os recursos prospectivos das áreas e que, caso sejam confirmados com sucesso, eles poderão ser desenvolvidos por meio de uma conexão à FPSO Valente, no campo de Frade.
O Morgan Stanley também vê os dois blocos como fonte de opcionalidade de longo prazo, seja por uma eventual ampliação de recursos, seja por futura monetização, e considera limitadas as implicações para os investimentos da companhia no curto prazo.
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Foto: InfoMoney
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