Quem toma Mounjaro pode beber? médica alerta sobre efeitos da combinação
Tizepatida já causa náuseas e vômitos, e bebida alcoólica pode intensificar esses sintomas, além de favorecer a desidratação no paciente

O remédio e o álcool não costumam formar uma boa combinação, pois ambos são metabolizados pelo fígado e podem sobrecarregar o órgão, além de reduzirem a eficácia do tratamento e aumentarem os efeitos colaterais. Mas, será que o com o Moujaro isso é diferente? Com o aumento do consumo de canetas emagrecedoras no Brasil, essa dúvida persiste entre os usuários.
Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (12), a endocrinologista Marcele Quesada explicou que quem faz tratamento de tirzepatida deve ter cautela ao consumir bebidas alcoólicas, pois a combinação pode intensificar ainda mais os efeitos gastrointestinais.
Além disso, não há estudos clínicos robustos que determinem uma quantidade de álcool considerada segura durante o tratamento.

“O uso da tirzepatida já pode causar efeitos gastrointestinais, conforme informado na própria bula do medicamento: como náusea, diarreia, vômitos, constipação, dispepsia/indigestão e dor abdominal. O álcool pode piorar esses sintomas e também favorecer desidratação, principalmente quando há vômitos ou diarreia”, aponta.
Segundo Quedasa, a atenção também deve ser maior entre pessoas com diabetes que utilizam o medicamento. A tirzepatida, quando utilizada isoladamente, apresenta baixo risco de hipoglicemia. Esse perigo aumenta, porém, quando o produto é associado a medicamentos para diabéticos.
“Esse risco aumenta quando o paciente utiliza simultaneamente outras classes medicamentos para controle de glicemia, como insulina ou sulfonilureias. O álcool, especialmente quando consumido em jejum ou em quantidade elevada, também pode favorecer hipoglicemia”, aponta a endocrinologista.

Com outros medicamentos o álcool pode sim cortar o efeito do remédio. No entanto, a especialista explica que não há evidências de que uma quantidade moderada de álcool simplesmente anule o efeito da tirzepatida. O problema está, principalmente, nos efeitos metabólicos associados ao consumo excessivo.
“Pequenas quantidades de álcool, principalmente acompanhadas de alimentos, geralmente têm pouco impacto no controle glicêmico de longo prazo. Já o consumo excessivo pode aumentar a ingestão calórica, e isso favorece ganho de peso e provoca alterações da glicemia”, diz ela.
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A possibilidade de pancreatite – inflamação do pâncreas – também é uma preocupação entre usuários da tizerpatida, já que o consumo de álcool influencia no diagnóstico, mas a relação não deve ser apresentada de forma direta.
“Não é correto dizer que álcool + Mounjaro causa pancreatite. O mais correto é dizer que o consumo excessivo de álcool é um fator de risco independente. O que temos de evidências científicas é que grandes ensaios clínicos e meta-análises mostram que pancreatite com tirzepatida é rara”, aponta Marcele Quesada .
Apesar disso, a médica alerta que pessoas com histórico da doença precisam ter um cuidado maior no tratamento de Mounjaro: “Pacientes com histórico de pancreatite ou consumo elevado devem ser avaliados individualmente para uso da tirzepatida”, conclui.

A endocrinologista orienta evitar o consumo de álcool durante o tratamento, especialmente quando a pessoa apresenta sintomas gastrointestinais. Mas, se o paciente insistir na bebida alcóolica, é necessário seguir essas orientações:
O que se sabe sobre pancreatite associada a Mounjaro




Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/quem-toma-mounjaro-pode-beber-medica-alerta-sobre-efeitos-da-combinacao/.

Endocrinologista orienta evitar o consumo de álcool durante o tratamento • Dmytro Betsenko/Moment RF/Getty Images · • Dmytro Betsenko/Moment RF/Getty Images — Foto: CNN Brasil
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