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    Quem seguir? X é questionado por recomendar candidatos mesmo após atualizar filtro

    Organização afirma que plataforma deixou 1.442 perfis de candidatos fora do mecanismo de restrição e continuou recomendando contas mesmo após atualização O post Quem seguir? X é questionado por recomendar candidatos mesmo após atualizar filtro apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    1 de setembro de 2026 às 01:38
    Quem seguir? X é questionado por recomendar candidatos mesmo após atualizar filtro
    Foto: Olhar Digital

    O Sleeping Giants Brasil, movimento de ciberativismo, apresentou uma Notícia de Fato à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, no Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) , para pedir a apuração de possíveis irregularidades no funcionamento dos sistemas de recomendação do X durante as eleições de 2026.

    A iniciativa ocorre depois de a organização já ter acionado o Ministério Público Eleitoral para questionar a implementação , pela plataforma, de um mecanismo criado para impedir que perfis de candidatos sejam recomendados a usuários que não os seguem.

    O caso começou a ganhar repercussão depois que análises do Sleeping Giants Brasil e da Folha de S.Paulo identificaram que o filtro divulgado pelo X não abrangia todos os perfis de candidaturas registrados na Justiça Eleitoral. Em uma coleta realizada em 23 de agosto , o mecanismo reunia 665 contas, enquanto mais de 2.100 perfis de candidatos haviam sido declarados ao TSE. A diferença correspondia a pelo menos 1.442 contas que não estavam incluídas na restrição.

    TSE foi acionado – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock
    TSE foi acionado – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Na prática, candidatos incluídos no filtro tinham seus perfis e conteúdos retirados das recomendações para usuários que não os seguiam. Já as contas que ficaram de fora permaneciam potencialmente sujeitas à distribuição algorítmica.

    Para o Sleeping Giants Brasil, a situação poderia criar condições desiguais entre candidaturas submetidas à mesma legislação eleitoral.

    A correção, porém, não encerrou o problema apontado pelo Sleeping Giants Brasil. A organização realizou novos testes depois da atualização e afirma ter encontrado perfis de candidatos sendo sugeridos na funcionalidade “Quem seguir” .

    Logotipo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exibido na tela de um smartphone sobre um teclado de computador.
    Logotipo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exibido na tela de um smartphone sobre um teclado de computador. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em análise realizada em 27 de agosto, segundo o relatório citado pelo ICL Notícias , apareceram nas recomendações nomes, como Nikolas Ferreira, Sergio Moro e Tarcísio de Freitas. A organização também afirma que a conta de Nikolas foi recomendada repetidas vezes.

    Para a entidade, a função deve ser considerada um sistema de recomendação porque apresenta automaticamente contas aos usuários. “Não existe nenhum mecanismo mais óbvio de recomendação de contas do que o ‘Quem seguir’. Você está recomendando uma conta para ser seguida”, afirmou Humberto Ribeiro, cofundador e diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil.

    A organização afirma ter produzido quatro relatórios técnicos da Verifact para documentar os testes realizados na plataforma. O último deles registra uma sessão de navegação feita em 27 de agosto, já depois da atualização do filtro.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    As regras eleitorais brasileiras estabelecem restrições à atuação algorítmica das plataformas durante a campanha. A regulamentação do TSE para 2026 prevê, entre outras medidas, limitações relacionadas à recomendação, sugestão e priorização de candidaturas por sistemas de inteligência artificial (IA).

    A preocupação central é evitar que mecanismos automatizados das plataformas criem diferenças artificiais na exposição das candidaturas.

    No caso do X, a controvérsia está justamente em saber se a aplicação incompleta ou limitada do mecanismo poderia fazer com que determinados candidatos continuassem recebendo distribuição algorítmica enquanto outros fossem retirados das recomendações.

    TSE foi acionado – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock
    TSE foi acionado – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O próprio caso já chegou ao TSE por outra via. Em 26 de agosto, a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou a Corte, alegando possível favorecimento de candidaturas. No dia seguinte, o ministro André Mendonça determinou que o X prestasse esclarecimentos sobre o funcionamento do algoritmo e preservasse dados técnicos, listas e códigos relacionados ao mecanismo.

    Mendonça considerou que, caso a aplicação seletiva do filtro seja confirmada, ela poderia produzir uma assimetria relevante na circulação de conteúdos eleitorais entre candidaturas em situação jurídica equivalente. O ministro também determinou a preservação das informações para permitir a análise do funcionamento do sistema.

    Na nova iniciativa apresentada ao TSE, o Sleeping Giants Brasil pede que a Justiça Eleitoral investigue o funcionamento do filtro e os efeitos que a implementação incompleta poderia ter produzido durante o período eleitoral.

    A organização sustenta que a atualização posterior do mecanismo não elimina a necessidade de analisar o período anterior, quando centenas de contas declaradas ao TSE estavam fora da lista de restrição.

    O pedido também envolve a preservação de informações técnicas relacionadas ao funcionamento do sistema, incluindo logs, versões do filtro, registros de inclusão e exclusão de contas, alterações de código e métricas de exposição .

    A intenção é permitir que a Justiça Eleitoral determine quais contas foram incluídas ou excluídas do mecanismo, quando as alterações ocorreram e quais foram os possíveis efeitos sobre a distribuição dos conteúdos.

    A organização também defende que a fiscalização seja ampliada para outras grandes plataformas, como Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e Kwai .

    Segundo o Sleeping Giants Brasil, o problema no X pôde ser identificado com maior facilidade porque a plataforma publicou o código utilizado pelo mecanismo de filtragem. A entidade argumenta que outras redes não oferecem nível semelhante de transparência para permitir uma análise independente de seus sistemas de recomendação.

    A discussão ocorre enquanto a propaganda eleitoral já está em andamento. Para a organização, a capacidade de um algoritmo recomendar automaticamente determinadas candidaturas a usuários que ainda não as acompanham pode ter impacto direto sobre a exposição dessas campanhas.

    Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/31/internet-e-redes-sociais/quem-seguir-e-questionado-por-recomendar-candidatos-mesmo-apos-atualizar-filtro/.

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