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    Quem protege os brasileiros dos protetores da democracia?

    Afinal, quem guarda os guardiões? Esta pergunta retórica filosófica com 2000 anos ganha atualidade no Brasil de hoje, perante umas eleições renhidas e uma crise institucional nunca vista na Justiça. Leia mais (09/20/2026 - 08h30)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 11:30
    Quem protege os brasileiros dos protetores da democracia?
    Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal sentados em bancada durante sessão. Ao fundo, bandeira do Brasil. Documentos e microfones estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, comentarista de TV e radialista em Portugal, é formada em direito e autora de livros como 'Carta a um Jovem Decente'

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    Da esquerda para direita, os ministros do STF Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão no plenário do tribunal sobre a abertura de investigações a respeito de integrantes da corte -
    Da esquerda para direita, os ministros do STF Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão no plenário do tribunal sobre a abertura de investigações a respeito de integrantes da corte - — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Afinal, quem guarda os guardiões? Esta pergunta retórica filosófica com 2000 anos ganha atualidade no Brasil de hoje, perante umas eleições renhidas e uma crise institucional nunca vista na Justiça.

    Se estas eleições brasileiras fossem um filme, seriam uma ação eletrizante.

    Estão reunidos todos os ingredientes para um enredo tenso: uma corrida praticamente empatada e com elevadas taxas de indecisos e de rejeição ; um candidato sob investigação por suspeitas de crimes graves; o anúncio de medidas escandalosamente eleitoreiras em cima do pleito; a ameaça latente de uma interferência externa; e a somar a tudo isto, uma gravíssima crise institucional que abala a Justiça, garante do Estado de Direito. Era difícil ficar mais alucinante.

    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos
    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esta grande confusão leva-nos à famosa pergunta de Juvenal, um pensador satírico da Roma antiga. Quem vigia os vigilantes que é suposto garantirem a lei e a ordem num regime democrático? Quem nos protege dos supostos protetores?

    O Supremo barraco que está montado no Supremo Tribunal Federal faz tremer a imagem de independência destes guardiões da justiça, que são essenciais na arquitetura de qualquer democracia.

    E o que é mais impressionante no Brasil é que, comparado com outros tribunais superiores noutros países, o STF é especialmente poderoso. Porque concentra nele funções que, noutras jurisdições, estão muitas vezes separadas por três instâncias diferentes: fiscalizador das questões de constitucionalidade, entidade de recurso superior e tribunal penal para pessoas com foro privilegiado , nomeadamente políticos. Tal como acontece nos EUA, o tribunal supremo brasileiro é uma instituição muito personalizada, politizada e mediática.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Basta dizer que, em Portugal e na maioria dos países europeus, poucos conhecem de cor os nomes dos juízes dos supremos, enquanto no Brasil são verdadeiras estrelas —amados por uns, odiados por outros.

    Os mandatos vitalícios, a escolha politizada por indicação do Presidente, a transmissão dos julgamentos pela TV e a ausência de um código de ética vinculativo… tudo isto fez de alguns destes ministros do STF entidades superpoderosas, quase justiceiras, protagonistas agitadores na vida política.

    É evidente que este desenho institucional se transformou num problema que precisa de ser repensado. É que uma democracia sem uma justiça credível e independente pode até ter eleições, mas dificilmente terá verdadeira liberdade.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mafalda-anjos/2026/09/quem-protege-os-brasileiros-dos-protetores-da-democracia.shtml.

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    Da esquerda para direita, os ministros do STF Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão no plenário do tribunal sobre a abertura de investigações a respeito de integrantes da corte - — Foto: Folha de S.Paulo

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