Quem foi Renato Kehl, médico eugenista que dá nome a rua em Limeira e defendia 'aperfeiçoamento racial'
Quem foi Renato Kehl, médico eugenista que dá nome a rua em Limeira e defendia 'aperfeiçoamento racial' Brasiliana Fotográfica/Academia Nacional de Medicina “Cidadão benemérito” e exemplo de “trabalho, honestidade e dedicação”. Foi assim que o médico Renato Kehl, um dos principais divulgadores da eugenia no Brasil, foi descrito pelo decreto municipal que deu seu nome a uma rua no Parque Hippólyto, em Limeira (SP), cidade onde nasceu. 🔎 Renato Ferraz Kehl foi um dos eugenistas mais radicais da América do Sul e defendia o “aperfeiçoamento racial” da população, com medidas como controle da imigr
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Quem foi Renato Kehl, médico eugenista que dá nome a rua em Limeira e defendia 'aperfeiçoamento racial' — Foto: Brasiliana Fotográfica/Academia Nacional de Medicina
“Cidadão benemérito” e exemplo de “trabalho, honestidade e dedicação”. Foi assim que o médico Renato Kehl, um dos principais divulgadores da eugenia no Brasil , foi descrito pelo decreto municipal que deu seu nome a uma rua no Parque Hippólyto, em Limeira (SP), cidade onde nasceu.
🔎 Renato Ferraz Kehl foi um dos eugenistas mais radicais da América do Sul e defendia o “aperfeiçoamento racial” da população, com medidas como controle da imigração, esterilização de pessoas com etnias que ele considerava "inferiores" e restrições a casamentos entre diferentes raças.

Para o historiador Vanderlei Sebastião de Souza, professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), as opiniões de Kehl entram em choque com princípios fundamentais dos direitos humanos, celebrados nesta quarta-feira (12) com o Dia Nacional dos Direitos Humanos.
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"Figuras históricas que tiveram envolvimento com crimes ou com ideias violentas, discriminatórias precisam sempre ser estudadas justamente para que a sociedade conheça o tamanho da violência dessas ideias. Em vez de homenagear, o que devemos fazer é promover debates críticos e públicos que tragam isso à luz", opinou o historiador.
A nomeação ocorreu em 1982, quando todas as ruas daquele bairro deixaram de ser conhecidas por números e passaram a receber nomes próprios. No mesmo decreto, outros cidadãos notáveis também foram homenageados com Kehl, como o Presidente Juscelino Kubitschek.
No entanto, segundo a Câmara de Limeira, a discussão sobre a mudança do nome da Rua Renato Kehl está em análise pela Comissão de Direitos Humanos desde agosto de 2025. Atualmente, os vereadores trabalham na elaboração de uma proposta formal para alterar a denominação da via.
Sobre a possibilidade da mudança, a Prefeitura de Limeira informou que está aberta a discutir o assunto com historiadores e serviços postais. Segundo a administração, uma eventual mudança no nome da Rua Dr. Renato Kehl envolve questões jurídicas e práticas.
Na capital paulista, há também a Rua Doutor Renato Ferraz Kehl, na região da Chácara Cocaia. O g1 procurou a Prefeitura de São Paulo (SP) e a Câmara de São Paulo, que não responderam até a última atualização desta reportagem.
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A eugenia foi um movimento que ganhou força no fim do século 19 e início do século 20. Carregada de preconceitos, defendia teorias racistas, que classificavam algumas etnias como superiores e inferiores. Também discriminava povos não europeus e defendia políticas de “purificação”.
Assim como em vários lugares do mundo, as ideias eram apresentadas para a população e não eram vistas como absurdas ou extremas. Pelo contrário: para muitos, eram consideradas respaldadas pelo conhecimento científico.
No Brasil, havia duas correntes de eugenistas: os moderados , acreditavam que era possível melhorar as condições da população por meio de medidas como saneamento básico; e os radicais , como Kehl, que queriam controlar a reprodução e defendiam intervenções biológicas diretas .
Segundo Vanderlei, o movimento eugenista perdeu força depois da Segunda Guerra Mundial. Isso ocorreu porque o nazismo levou essas ideias ao extremo, criando políticas de perseguição e extermínio em campos de concentração. Diante da tragédia, o mundo repensou a eugenia .
Em 1948, a Organização das Nações Unidas aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecendo que todas as pessoas possuem direitos e liberdades fundamentais, sem distinção de raça, religião ou qualquer outra característica.
"As agressões aos direitos humanos, o racismo e mesmo visões eugênicas sobre o mundo continuam existindo. A gente não pode dizer que a eugenia desapareceu do cenário mundial. O próprio Renato Kehl morreu em 1974 e ainda nos anos 1950 e 1970 continuou escrevendo sobre eugenia. Mesmo quando o mundo já condenava essa ciência", disse Vanderlei.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/08/12/quem-foi-renato-kehl-medico-eugenista-que-da-nome-a-rua-em-limeira-e-defendia-aperfeicoamento-racial.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
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