Quem é Milton Leite, ex-vereador de São Paulo alvo de operação que investiga PCC
Figura influente na zona sul, político do União foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização

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O ex-vereador Milton Leite (União), alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura infiltração da facção PCC no transporte paulistano, é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade.

Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 —quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.
Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.
Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.
O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.
A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria "o dono de fato" da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff nega a acusação.

O nome do político havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa.
Na ocasião, em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.
O inquérito apontava supostas relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa de ônibus municipal Transwolff, que teve o contrato cancelado após a Operação Fim da Linha , do Ministério Público, como mostrou a Folha .

Em fevereiro, Leite afirmou que não conhecia o sargento e que ele nunca trabalhou em sua escolta
Segundo depoimentos de policiais, a escolta pessoal de dirigentes da empresa era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira , que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014.
Em interrogatório no dia 4 de fevereiro, um dos policiais presos em operação da Corregedoria —o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario— disse que acreditava que o capitão Alexandre havia sido indicado para coordenar a segurança de dirigentes da Transwolff por Milton Leite.

Relatório da Corregedoria também cita "estreitas ligações" do vereador com o capitão Alexandre, pelo período em que ele trabalhou no Legislativo municipal. Questionado na data, Leite afirmou que nunca indicou PMs para prestação do serviço na empresa e disse que o manteve no cargo após ele ter permanecido ali por outras duas gestões da Câmara Municipal.
Em conversa com a Folha por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.
"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/quem-e-milton-leite-ex-vereador-de-sao-paulo-alvo-de-operacao-que-investiga-pcc.shtml.

O ex-vereador Milton Leite, durante entrevista em seu antigo gabinete na Câmara Municipal de São Paulo antes de encerrar seu mandato - Allison Sales - 27.nov.24/Folhapress · Allison Sales - 27.nov.24/Folhapress — Foto: UOL
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