Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por ordem de Mendonça
O diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues, teve o afastamento do cargo determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Leia mais (09/08/2026 - 12h26)

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O diretor-geral da Polícia Federal , Andrei Rodrigues, teve o afastamento do cargo determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O STF formou maioria para manter a determinação de Mendonça . Gilmar Mendes pediu vista, movimento que aumenta em 90 dias o prazo para analisar o processo, mas isso não muda os efeitos da decisão de Mendonça, e Rodrigues segue afastado.
Rodrigues foi responsabilizado por um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Essa alegação de abuso de autoridade vem na esteira da publicação, por Mendonça, de apurações da PF que ligavam Moraes ao dono do Banco Master , Daniel Vorcaro .

O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". Mendonça se mostrou disposto a levar ao plenário a discussão sobre a abertura de uma investigação formal contra o colega.
Andrei foi o nome escolhido pelo presidente Lula ( PT ) para substituir a cúpula bolsonarista que ocupava a PF até 2023. Ele havia atuado como coordenador de segurança do petista e, antes disso, fez parte da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010. Era próximo do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.
Além disso, Andrei atuou na segurança de eventos como a Copa do Mundo em 2014 e nosJogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Nas ocasiões, ele foi secretário extraordinário de Segurança de Grandes Eventos.

Sua passagem pela PF foi marcada por atritos com outras instituições . Sob sua direção, a PF levantou investigações sobre integrantes de órgãos como Exército, Polícia Rodoviária Federal, GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência), além do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
No início do terceiro governo Lula, em 2023, Andrei comprou uma briga para decidir quem seria responsável por fazer a segurança pessoal do presidente e da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.
O petista assinou um decreto criando a Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata do Presidente da República, que passou para a PF a incumbência de boa parte da proteção. Andrei pressionou pela extensão da medida, causando rusgas com os outros órgãos. A segurança de Lula acabou voltando à GSI.

Andrei teve ainda tensões com a Abin. Em janeiro de 2024, as disputas do órgão com a PF culminaram na demissão do número 2 da agência , o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti. Ele havia sido citado em um relatório da polícia sobre o suposto uso do órgão no governo Jair Bolsonaro (PL) para espionar adversários políticos.
Ao anunciar o nome de Andrei , Lula afirmou que será necessário consertar a PF e que não queria "policiais dando shows nas investigações".
À época de sua nomeação, a PF passava por uma crise severa. Bolsonaro teve o maior número de diretores-gerais desde a gestão FHC (PSDB). Foram quatro nomeados (Maurício Valeiro, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e o atual Márcio Nunes) e um barrado pelo Supremo Tribunal Federal (Alexandre Ramagem).
Rodrigues era visto internamente como respeitado e comprometido com a corporação. Antes da direção-geral, ele não ocupou os cargos centrais da entidade, mas, sim, postos de gestão. Foi oficial de ligação na Espanha, coordenador-geral de Polícia Fazendária, chefe da delegacia do aeroporto de Brasília e assistente do diretor executivo na gestão de Luiz Fernando Corrêa no segundo governo Lula.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/quem-e-andrei-rodrigues-diretor-geral-da-pf-afastado-por-ordem-de-mendonca.shtml.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, em Brasília - Adriano Machado - 3.jun.2026/Reuters · Adriano Machado - 3.jun.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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