Brasil

    Quem assume o risco de inovar dentro de uma empresa?

    Empresas dizem que querem pessoas com iniciativa, autonomia e capacidade de propor novas soluções. Mas observe o que acontece quando alguém realmente tenta fazer algo diferente dentro da organização. Leia mais (10/07/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 13:00
    Quem assume o risco de inovar dentro de uma empresa?
    Homem de meia-idade com cabelo curto e barba rala sorri para a câmera. Ele veste camiseta preta e está em frente a uma escada interna com corrimão de vidro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Pablo Handl é cofundador do Impact Hub e fundador da Companhia de Impacto - Divulgação · Divulgação
    Pablo Handl é cofundador do Impact Hub e fundador da Companhia de Impacto - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Empreendedor, educador e consultor em inovação com impacto, é sócio-fundador e diretor do Impact Hub São Paulo, da Companhia de Impacto e professor convidado da Fundação Dom Cabral

    Empresas dizem que querem pessoas com iniciativa, autonomia e capacidade de propor novas soluções. Mas observe o que acontece quando alguém realmente tenta fazer algo diferente dentro da organização.

    Inovar quase sempre significa dedicar tempo a uma iniciativa ainda incerta, envolver outras áreas, questionar processos estabelecidos e trabalhar sem garantia de que a primeira solução vai funcionar. Em muitos casos, significa também defender um projeto cujo resultado não vai aparecer no mesmo trimestre.

    Empresários que inovaram em seus negócios
    Empresários que inovaram em seus negócios — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma pesquisa da Deloitte com 402 empresas brasileiras mostrou que 85% colocavam o lançamento de novos produtos ou serviços entre suas prioridades de investimento. Ao mesmo tempo, 70% apontavam dificuldade para inovar na oferta de produtos e serviços e 66% nos próprios processos internos. A organização quer inovar, mas nem sempre cria as condições para que isso aconteça.

    Quem já tentou liderar um projeto transversal conhece essa dificuldade. É preciso negociar tempo das equipes, buscar aprovações e conciliar gestores que respondem por prioridades diferentes. Se a iniciativa não faz parte das metas formais, ela disputa espaço com tudo aquilo pelo qual as pessoas serão efetivamente cobradas no fim do mês.

    Quando falamos de sustentabilidade e impacto socioambiental, as mesmas questões aparecem. Uma meta socioambiental só chega à operação quando alguém consegue conectá-la a prioridades estratégicas, orçamento, tecnologia, indicadores, fornecedores e decisões de diferentes áreas, porque esse trabalho raramente cabe em um único departamento.

    Tecnologia deve estar na estratégia de uma empresa; confira dicas
    Tecnologia deve estar na estratégia de uma empresa; confira dicas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar dessas barreiras, o problema não é a falta de profissionais dispostos a intraempreender. Pessoas que conhecem profundamente a operação identificam oportunidades valiosas que escapam ao olhar externo. O desafio é criar condições para que esse conhecimento se transforme em projeto.

    Autonomia é uma delas. Quem recebe responsabilidade sobre uma iniciativa precisa conseguir tomar determinadas decisões sem retornar à liderança a cada etapa. Também precisa existir espaço para testar hipóteses, medir resultados e abandonar caminhos que não funcionam sem transformar todo experimento mal sucedido em falha individual.

    Porém, autonomia não resolve tudo. Inovar em uma empresa também exige saber navegar interesses, conectar a proposta a uma dor relevante para o negócio e explicar por que ela merece tempo, orçamento e atenção.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Storytelling e leitura política da organização ajudam nisso, assim como o senso de propósito de quem se identifica com o problema que quer resolver. Essas competências ampliam a capacidade de articulação do intraempreendedor, mas só produzem resultado quando encontram espaço para agir.

    Há um ditado que circula no mundo corporativo e traduz bem essa contradição: "Quem inova muito erra muito, quem inova pouco erra pouco, quem não inova não erra e quem não erra é promovido".

    A ironia expõe um problema: quando a organização associa acertos constantes a reconhecimento e promoção, repetir o que já funciona pode parecer mais recompensador do que experimentar.

    É aí que a liderança precisa assumir parte do risco da inovação. Em muitos casos, especialmente no C-level , também cabe atuar como patrocinador interno, abrindo portas, articulando com áreas mais resistentes e dando respaldo ao projeto quando ele encontra barreiras políticas ou disputas de prioridade.

    O líder pode ainda blindar a iniciativa das urgências da operação e evitar que ela seja empurrada continuamente para depois.

    Empresas costumam discutir como reter pessoas inovadoras e empreendedoras, mas antes precisam rever o que acontece com quem tenta inovar no dia a dia da própria organização.

    Se a experiência for marcada por entraves e riscos assumidos isoladamente, pedir iniciativa terá pouco efeito. Inovação exige que a organização também compartilhe o risco de tentar.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/10/quem-assume-o-risco-de-inovar-dentro-de-uma-empresa.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Pablo Handl é cofundador do Impact Hub e fundador da Companhia de Impacto - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)