Economia

    Queda do IBC-Br no 2º tri consolida desaceleração e abre espaço para corte na Selic

    (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2024/12/pib_09.webp?fit=1170%2C700&quality=70&strip=all" />Prévia do PIB encolhe 0,6% em junho, reflete o peso do endividamento das famílias e reforça apostas do mercado financeiro para a continuidade do afrouxamento monetário The post Queda do IBC-Br no 2º tri consolida desaceleração e abre espaço para corte na Selic appeared first on InfoMoney .

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    17 de agosto de 2026 às 15:52
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    O recuo de 0,6% em junho no Índice de Atividade Econômica do Banco Central ( IBC-Br ), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto ( PIB ), foi maior do que o esperado pelos economistas, que projetavam perda de 0,5%. O dado confirma que o país passa por uma desaceleração gradual da atividade, reflexo dos juros altos e do alto endividamento das famílias, e abre espaço para mais cortes na Selic, segundo economistas.

    Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço foi de 2,4%, o que mostra que ainda é preciso reduzir o fôlego da economia, que opera entre o freio da Selic e o estímulo que impulsiona os serviços.

    Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, explica que a economia vinha desacelerando no ano passado, mas o primeiro trimestre deste ano teve dados mais fortes puxados, principalmente, pelos estímulos do governo, isenção de imposto de renda, e a valorização do salário mínimo. Agora, no segundo trimestre, a economia voltou ao patamar de desaceleração observado no final do ano passado.

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    “Para a frente, a expectativa é que esse movimento continue e a gente continue tendo uma atividade econômica mais modesta durante um ano diante dos efeitos da política monetária contracionista e, principalmente, após [os efeitos da] guerra do Irã, com uma taxa terminal de Selic mais baixa para o final deste ano do que anteriormente projetado”, avalia Ricciardi.

    Alexandre Maluf, economista da XP, destaca que os estímulos do governo, como o aumento das transferências fiscais e um mercado de trabalho apertado, ainda expandem a renda real “em ritmo sólido”, mas estes fatores estão sendo compensados, cada vez mais, pelos juros altos, o que deve moldar a atividade nos próximos trimestres.

    “O cenário do IBC-Br de junho deve refletir, em boa medida, a composição qualitativa do PIB do segundo trimestre, que deve ser marcado por uma forte desaceleração na base de comparação trimestral”, avalia Matheus Pizzani, economista do PicPay.

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    Segundo a análise dos economistas, a moderação da atividade foi disseminada entre diversos setores da economia. O Goldman Sachs destaca que a queda da atividade em junho foi puxada pela indústria (-1,4%) e, em menor grau, pelo setor de serviços (-0,5%), enquanto a agropecuária registrou alta (1%). Excluindo o impacto da agropecuária, o IBC-Br teria contraído 0,9% no período.

    Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado confirma uma economia mais dependente do setor externo, principalmente do agro e da exploração do petróleo.

    Ricciardi destaca que, embora o agro tenha registrado avanço de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado ainda é insuficiente para puxar a economia, como foi no passado. “Apesar de ter uma revisão para cima da safra este ano, principalmente a safra de milho, o agro não vai ter uma variação tão forte o suficiente para puxar atividade econômica, sendo mais um componente de toda a estrutura de uma atividade mais fraca em 2026”, avalia.

    No consolidado do segundo trimestre, o avanço do IBC-Br foi de 0,2% comparado aos três meses anteriores. O patamar representa uma desaceleração abrupta frente à alta de aproximadamente 1,3% observada no primeiro trimestre.

    Além disso, o fraco desempenho de junho deixa uma herança estatística (o chamado carry-over ) negativa de cerca de -0,4% para o terceiro trimestre de 2026.

    Para o ano, XP mantém a projeção de um crescimento de 2% no PIB em 2026 e estima uma expansão mais modesta de 1% para 2027.

    Outras casas financeiras estimam o avanço da economia neste ano entre 1,3% (Goldman Sachs), 1,70% (PicPay) e 1,8% (Inter).

    Este freio na economia traz implicações diretas para a condução da política monetária, que define o percentual da taxa básica de juros, a Selic.

    O arrefecimento da atividade chancela a percepção de que os juros altos estão surtindo efeito. Segundo os economistas, a dinâmica mais fraca da atividade, combinada com surpresas benignas recentes nos índices de inflação, abre espaço para que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de cortes nos juros.

    O mercado já precifica essa trajetória de afrouxamento. O Inter projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrará 2026 com a taxa básica mantendo o ciclo de calibração, chegando a 13,25% ao ano.

    Já o PicPay estima a Selic terminal para este ano em 13,50%. No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira , com pesquisa anterior à divulgação desse dado, a projeção para a Selic estava estável em 13,75% pela segunda semana consecutiva.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/economia/queda-ibc-br-junho-corte-selic/.

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