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    Quebra de sigilo do Master expõe Flávio Bolsonaro investigado e gera nova troca de ataques no STF

    A retirada do sigilo de parte das investigações do caso do Banco Master abriu uma nova frente de embates entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em meio à tentativa do presidente da corte, Edson Fachin , de estancar a crise sem precedentes na cúpula do Judiciário. Leia mais (09/11/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 02:00
    Quebra de sigilo do Master expõe Flávio Bolsonaro investigado e gera nova troca de ataques no STF
    Homem de cabelos curtos e escuros usa camiseta amarela com a frase verde 'Meu partido é o Brasil'. Ele está apoiado em uma grade metálica, olhando para o lado direito da imagem, com expressão neutra. Fundo claro e desfocado, sem outros elem — Foto: Folha de S.Paulo

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    A retirada do sigilo de parte das investigações do caso do Banco Master abriu uma nova frente de embates entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em meio à tentativa do presidente da corte, Edson Fachin , de estancar a crise sem precedentes na cúpula do Judiciário.

    O senador Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP · Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP
    O senador Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP · Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ministro André Mendonça começou a tornar públicos 15 dos inquéritos na noite de quinta-feira (10), após pedido de Fachin, mas ainda manteve outros sob segredo, com a justificativa de ser imprescindível para não atrapalhar as próximas etapas das investigações.

    O conteúdo divulgado confirmou a condição de investigado de Flávio Bolsonaro , candidato do PL à Presidência, apontado pela Polícia Federal como interlocutor direto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro , dono do Master, na negociação de dinheiro para o filme " Dark Horse ", que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O material serviu de munição para a campanha do presidente Lula (PT).

    A retirada apenas parcial dos sigilos, no entanto, levou outros ministros do STF a cobrar Mendonça e a acusá-lo de seletividade.

    Posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF
    Posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Instado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), Fachin estipulou nesta sexta (11) um prazo de 24 horas para o colega divulgar todo o material. No início da noite, Mendonça tornou públicos 38 procedimentos que tratam da apuração sobre fraudes cometidas por Vorcaro e desdobramentos, mas a totalidade existente de inquéritos relacionados ao caso ainda é desconhecida.

    Entre os processos com retirada de sigilo estão os que se referem ao "Dark Horse" , que envolve Flávio, e outros que atingem políticos como o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI).

    Um dos que fez coro contra Mendonça foi Alexandre de Moraes , em um momento no qual os dois são pivôs da maior crise da história recente do Supremo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No início de setembro, mensagens do celular de Vorcaro mostraram que Moraes manteve contato com Vorcaro até o dia da prisão do ex-banqueiro , que questionou o magistrado sobre o andamento da investigação contra o Master e se devia fugir do país. O relatório com essas informações foi produzido pela Polícia Federal a pedido de Mendonça, que o tornou público na ocasião.

    Moraes reagiu, pedindo uma investigação contra seu colega. A tensão escalou, Fachin interveio e determinou a derrubada do sigilo dos processos, com exceção do material que pudesse comprometer o andamento das apurações policiais. Foi obedecendo a essa ordem que Mendonça publicou na quinta a íntegra de 14 procedimentos, além do principal, que deu origem aos demais.

    Grande parte dessas informações, porém, já havia sido revelada anteriormente por vazamentos à imprensa ou por relatórios tornados públicos nas investigações.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Moraes criticou a decisão. Afirmou que Mendonça, "diretamente interessado no julgamento", escolheu "subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente", mantendo a confidencialidade de ao menos 180 documentos

    Dentre os documentos tornados públicos pelo relator estava a íntegra do contrato firmado entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes , esposa de Moraes.

    A Procuradoria-Geral da República também pediu que a quebra de sigilo fosse ampliada. Já Cristiano Zanin solicitou acesso ao bruto do celular do ex-banqueiro , foi rebatido por Mendonça e, depois, reiterou sua demanda —tudo durante esta sexta.

    Há uma sessão do plenário do Supremo marcada para a próxima terça (15) para julgar o caso das conversas entre Moraes e Vorcaro , mas há pressão para que a pauta seja ampliada.

    O decano Gilmar Mendes , por exemplo, solicitou que Fachin assuma também a investigação contra Mendonça e sugeriu adiar o julgamento.

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    O fim do sigilo sobre toda a investigação havia sido defendido por Lula e também foi defendido nesta sexta por Flávio.

    Os documentos liberados inicialmente por Mendonça mostram que o relator aceitou, em julho, um pedido da PF e tornou o candidato do PL à Presidência investigado por pedir que Vorcaro financiasse o "Dark Horse". A polícia apura a "possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos".

    "Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme", disse Flávio, após os documentos virem a público.

    A suspeita, como mostrou a Folha , é de que parte dos recursos tenha sido destinada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro , irmão de Flávio e ex-deputado federal, nos Estados Unidos .

    Além de um possível encontro presencial entre os dois, a PF aponta ainda que o senador era "interlocutor direto" de Vorcaro e fez "reiteradas cobranças" para que o ex-banqueiro investisse no filme.

    Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com Vorcaro o financiamento de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme. Desse montante, foram pagos efetivamente pelo menos US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí.

    A PF também diz que as mensagens indicam que Eduardo Bolsonaro dava "orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos".

    A administração dos recursos seria feita por meio do fundo Havengate, que é ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

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    A avaliação da PF é de que as informações "constituem, em juízo de cognição sumária, um conjunto coerente de elementos que evidencia justa causa para a instauração da investigação, a fim de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados".

    Os documentos, cujo teor foi tornado público por Mendonça, também mostram detalhes da atuação de Vorcaro.

    Por exemplo, que ele bancou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central acusados de atuar para favorecer o Master: custeou, por exemplo, parte da ida do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana , junto com a esposa, para Paris.

    Procurada, a defesa de Belline não respondeu. Em ocasiões anteriores, negou influência do ex-banqueiro em sua atuação.

    A PF aponta ainda que Vorcaro classificava o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, como "um anjo da vida" e pagou para ele uma viagem à Disney, nos Estados Unidos.

    Em outro momento, pediu que Paulo Sérgio tentasse impedir mudanças nas regras envolvendo investimentos feitos por fundos de previdência e que afetariam o Master.

    Procurada, a defesa de Paulo Sérgio afirmou que ele custeou integralmente passagens, hospedagem, ingressos e despesas durante a viagem com a família. Sobre a alteração que poderia afetar o banco, disse que a PF interpretou errado o processo de supervisão que ele exercia como se fosse um "serviço de consultoria informal".

    A Polícia Federal também indica que o ex-banqueiro tinha conhecimento antecipado de que seria alvo da operação que resultou em sua prisão. Ele foi preso na noite de 17 de novembro de 2025 , quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

    Para os investigadores, uma sequência de mensagens, anotações e movimentações encontradas no celular do ex-banqueiro revela que informações sigilosas sobre a investigação chegaram até ele nas semanas anteriores à ação policial.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/quebra-de-sigilo-do-master-expoe-flavio-bolsonaro-investigado-e-gera-nova-troca-de-ataques-no-stf.shtml.

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    O senador Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP · Mauro Pimentel - 16.ago.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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