Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele envelhece
Envelhecimento e qualidade de vida foram os temas centrais do talk "Vidas sem Rótulos", realizado pelo Metrópoles nesta quinta-feira, 1º/10

O Metrópoles promoveu, nesta quinta-feira (1º), o talk “Vidas sem Rótulos: Como viver bem em qualquer idade”. A conversa abordou diversos assuntos que retratam a vida da pessoa idosa no Brasil e contou com a participação do diretor regional da MedSênior em Brasília, Rodrigo Pastor, médico especialista em atendimento à terceira idade. O talk ocorreu no mesmo dia em que é comemorado o Dia Internacional da Pessoa Idosa.
O bate-papo começou abordando um dos principais empecilhos na vida das pessoas da terceira idade: os rótulos impostos pela sociedade. Rodrigo trouxe para a conversa diversos pontos que são comuns na vida de quem já tem 60 anos ou mais.
“A gente escuta muitos rótulos na sociedade. O Brasil evoluiu muito, nossa sociedade evoluiu muito, mas ainda tem muito a evoluir. Quem nunca escutou que um idoso é inútil? Que não tem mais utilidade? Aposentou, não tem mais utilidade para a sociedade… Esquecendo que esse idoso tem uma quantidade de experiências que adquiriu na vida e que isso pode ser passado para as pessoas mais jovens, principalmente para as crianças, que estão muito distantes dos idosos”, destacou.

Outro ponto levantado pelo especialista foi o mito de que o idoso não consegue fazer mais nada. Ele citou um jargão muito comentado de que “o idoso não consegue mais estar dentro do mesmo ambiente que o jovem” e lembrou que muitas empresas, atualmente, têm preferido contratar pessoas idosas ao invés de jovens.
“Quando a sociedade não respeita seus idosos, ela está muito distante de uma realidade favorável. Temos países mais desenvolvidos porque entenderam que respeitar o idoso desenvolve a sociedade.”
O doutor explicou que a idade cronológica — o tempo exato de vida da pessoa — não pode servir de único parâmetro para o desenvolvimento do idoso na sociedade.

Segundo ele, é um critério limitado, que serve apenas para aspectos constitucionais e marcos populacionais. Por outro lado, a idade funcional não deve ser usada para tolher o desenvolvimento do indivíduo.
O especialista também abordou o estereótipo de que idosos são “teimosos” ou “ranzinzas”. Ele explicou que a pessoa chega a essa fase desenvolvendo uma “casca” adquirida com o tempo, deixando de se privar de situações que evitava quando mais jovem.
”Por ter muita experiência, ele já não tolera mais algumas situações. Não tem mais as amarras sociais do tipo ‘não vou falar isso para não causar desconforto’. E muitas vezes isso é mal interpretado como ser ranzinza ou mal-educado. O que faz sentido para o idoso, ele abraça; o que não faz sentido, ele quer distância.”

O médico falou também sobre a falta de paciência da sociedade em esperar pelos idosos, exemplificando com situações do cotidiano no consultório: “Normalmente temos filhos ou cuidadores que impedem o idoso de agir, muitas vezes por falta de paciência com suas limitações. Chegam com ele na cadeira de rodas porque é mais fácil transportá-lo. Como temos uma sociedade extremamente rápida, perdemos a paciência de esperar o idoso.”
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população do Brasil está envelhecendo. Entre 2010 e 2023, o número total de pessoas idosas saltou de 20,5 milhões para cerca de 33 milhões — um aumento de 56%, representando 15,6% da população nacional.
”Na década de 1980, a expectativa de vida era realmente baixa, mas com a melhora na saúde pública e o acesso à informação, conseguimos nos últimos anos melhorar muito a longevidade. Os idosos de hoje têm chegado com muita qualidade de vida. Contudo, ainda carregamos rótulos das gerações anteriores que precisamos desmistificar. Não existe mais isso para o idoso do que ‘pode’ ou ‘não pode’.”
Além disso, o especialista lembrou que o acesso à informação facilitou a busca dos idosos, cada vez mais cedo, por atendimento médico especializado e multidisciplinar, incluindo fisioterapia e odontologia.
“Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele chega a essa fase.”
O diretor-regional falou também sobre a importância de o idoso viver com um propósito, seja iniciando um curso superior ou fazendo uma viagem. Ele citou exemplos marcantes, como o do empresário Maely Coelho, presidente da MedSênior.
”Hoje, as pessoas se aposentam e têm uma expectativa de vida cada vez mais alta. Vemos histórias maravilhosas que não são mais raras. O próprio presidente da MedSênior, seu Maely, criou a empresa após os 60 anos. Outro exemplo é o idoso de 80 anos que entrou para o Guinness recentemente como a pessoa mais velha do mundo a subir o Monte Everest. Temos uma série de pintores, escultores e escritores que alcançam o ápice da carreira após os 60 anos. Não temos mais um limitante cronológico para chegar onde queremos.”
O médico reforçou ainda a relevância dos exercícios diários.
“Um envelhecimento sem atividade física, sem vida social e sem hobbies é menos saudável. A atividade física melhora a capacidade cardiorrespiratória e a circulação cerebral, o que reduz quadros de demência, muito frequentes após os 60 anos. É fundamental manter o movimento, desde que haja funcionalidade.”
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/conteudo-especial/idoso-envelhecimento.

Foto: Metrópoles
Compartilhe
Espalhe essa notícia

