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    Quando o tempo começou? Pesquisa com 1.600 físicos mostra que não existe consenso entre cientistas

    Estudo mostra como físicos divergem sobre o Big Bang, a matéria escura, a energia escura e a gravidade quântica no Universo O post Quando o tempo começou? Pesquisa com 1.600 físicos mostra que não existe consenso entre cientistas apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    23 de setembro de 2026 às 09:02
    Quando o tempo começou? Pesquisa com 1.600 físicos mostra que não existe consenso entre cientistas
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    Uma pesquisa com mais de 1.600 físicos mostra que algumas das perguntas mais fundamentais sobre o Universo continuam sem uma resposta consensual. O dado que mais chama atenção é que 68% dos participantes não consideram que o Big Bang necessariamente marque o início do tempo .

    O levantamento, realizado a partir de uma chamada internacional aberta em 2025, também revelou divergências sobre inflação cósmica, matéria escura , energia escura, buracos negros e a própria natureza da gravidade . Para os autores, o resultado não representa uma crise, mas mostra onde a física ainda tem perguntas em aberto.

    A ideia de que o Big Bang foi o instante em que tudo começou é comum fora dos meios científicos. A teoria, porém, descreve especificamente um Universo que partiu de um estado extremamente quente e denso e passou a se expandir. Ela não determina, por si só, se o tempo começou naquele momento.

    O Big Bang descreve a expansão do Universo a partir de um estado extremamente quente e denso, mas não define necessariamente o início do tempo. Imagem: Flavia Correia/ChatGPT
    O Big Bang descreve a expansão do Universo a partir de um estado extremamente quente e denso, mas não define necessariamente o início do tempo. Imagem: Flavia Correia/ChatGPT — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    É justamente aí que aparece o principal resultado da pesquisa. Para 68% dos físicos consultados, o Big Bang não precisa ser interpretado como o começo do tempo. Outros 20% consideram que houve tanto uma singularidade quanto um início do tempo, enquanto 5% defendem um começo do tempo sem uma singularidade.

    A discussão não termina aí. Uma das hipóteses usadas para explicar por que o Universo apresenta uma aparência tão uniforme é a inflação cósmica. Segundo esse cenário, uma fração de segundo depois do Big Bang, o cosmos teria passado por uma expansão extremamente rápida.

    Mesmo essa explicação está longe de ser consensual: 51% dos participantes concordaram com ela. Os demais se dividiram entre modelos de universo cíclico e outras possibilidades.

    Físicos também estão divididos sobre a energia escura: 24% apoiam a constante cosmológica e 26% uma versão variável. – Foto / Ilustração: DESI Collaboration / Berkeley Lab
    Físicos também estão divididos sobre a energia escura: 24% apoiam a constante cosmológica e 26% uma versão variável. – Foto / Ilustração: DESI Collaboration / Berkeley Lab — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    As dúvidas aumentam quando os físicos tentam explicar aquilo que não conseguimos observar diretamente. A matéria escura, por exemplo, é uma hipótese usada para explicar o comportamento e a distribuição das galáxias . No levantamento, não surgiu uma explicação dominante: 21% escolheram uma combinação de possibilidades, enquanto 17% apontaram partículas ainda desconhecidas e 12% defenderam alterações na teoria da gravidade.

    A energia escura apresenta uma divisão semelhante. Ela é usada para explicar a expansão acelerada do Universo. Enquanto 24% dos pesquisadores apoiaram a ideia de uma constante cosmológica, 26% consideraram que esse componente pode variar com o tempo.

    Outro problema é a tensão de Hubble, que surge porque diferentes métodos para medir a taxa de expansão atual do Universo produzem valores que não coincidem. As respostas ficaram distribuídas entre problemas nas medições, mudanças na energia escura, efeitos de gravidade quântica e a opção de não ter uma opinião definida.

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    A mesma falta de consenso aparece quando a pesquisa deixa o cosmos e chega ao mundo microscópico. A interpretação de Copenhague, que trata a natureza quântica como fundamentalmente probabilística, recebeu 36% das respostas.

    Os buracos negros também levantam questões difíceis. Para 41% dos participantes, a matéria que entra nesses objetos é comprimida em uma singularidade no núcleo. Já a tentativa de conciliar a gravidade com a mecânica quântica produz respostas ainda mais fragmentadas: 29% não tinham opinião, enquanto 19% apontaram a teoria das cordas, 18% consideraram que a gravidade não pode ser integrada à física quântica e 13% escolheram a gravidade quântica em loop.

    Consenso, ou sua ausência, nos mostra onde as evidências parecem estabelecidas e onde os pesquisadores ainda veem espaço para ideias radicalmente diferentes.

    energia escura
    energia escura — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para ele, o resultado ajuda a identificar justamente os pontos em que ainda faltam evidências capazes de encerrar as principais disputas. Afshordi também resumiu a situação de forma direta: “O ponto interessante não é que os físicos estejam confusos. É que a fronteira está realmente viva.”

    A pesquisa mostra, portanto, que algumas das maiores perguntas da física continuam abertas. E, nesse caso, a falta de uma resposta única não encerra a discussão: indica exatamente onde ela ainda está acontecendo.

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    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    O Big Bang descreve a expansão do Universo a partir de um estado extremamente quente e denso, mas não define necessariamente o início do tempo. Imagem: Flavia Correia/ChatGPT
    O Big Bang descreve a expansão do Universo a partir de um estado extremamente quente e denso, mas não define necessariamente o início do tempo. Imagem: Flavia Correia/ChatGPT — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Físicos também estão divididos sobre a energia escura: 24% apoiam a constante cosmológica e 26% uma versão variável. – Foto / Ilustração: DESI Collaboration / Berkeley Lab
    Físicos também estão divididos sobre a energia escura: 24% apoiam a constante cosmológica e 26% uma versão variável. – Foto / Ilustração: DESI Collaboration / Berkeley Lab — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/23/ciencia-e-espaco/quando-o-tempo-comecou-pesquisa-com-1-600-fisicos-mostra-que-nao-existe-consenso-entre-cientistas/.

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    O Big Bang descreve a expansão do Universo a partir de um estado extremamente quente e denso, mas não define necessariamente o início do tempo. Imagem: Flavia Correia/ChatGPT — Foto: Olhar Digital

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